sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Paradoxo da Ética


Resultado de imagem para exemplo de imperativo categórico


Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Quando dissermos que há um paradoxo – que vem do grego parádoxon, ou seja, pará (oposto) com doxa (ideia) – queremos dizer que há ali um “contrario as ideias” ou “contrario as expectativas” que aquilo seja verdade. Já ética, vem do grego ethos que quer dizer “caráter”, “costume” ou “modo de ser”, na verdade, o “costume” ou “modo de ser” já está incluído no caráter e nele vamos nos focar nesse texto. Por que? Se há um contrário a uma ideia, presumimos, que aquela ideia não é tão valida e até podemos perguntar. Há realmente no Brasil um caráter tão solido que você precisa seguir o outro até no roubo? Um chimpanzé talvez, um orangotango (muito próximo do homem) talvez, mas o ser humano poderá escolher o caminho que deverá seguir suas próprias vontades. Uma vontade é um desejo aquilo que se quer, se queremos um copo de refrigerante é a consciência da existência do refrigerante e há um desejo de se tomar um refrigerante, é gostoso. Mas quando estamos com sede tomamos água, pois, o organismo está pedindo sais minerais que há na água. Então, o refrigerante é um desejo, água é uma necessidade. Um arroz com feijão é uma necessidade que alimenta, um lanche do MacDonald é um desejo que só é gostoso. Mas por que preferirmos o lanche ou o refrigerante? Porque imitamos o outro, obedecemos uma imagem que o lanche ou o refrigerante, porque nos iludimos que ali era uma necessidade.

Essa necessidade é a natureza em nós pedindo aquilo que nos é importante, o desejo é o fenômeno que nossa consciência produz (mente=objeto), que vai querer aquele objeto enquanto algo gostoso, algo que vai ter gosto e o gosto é artificial. Mas podemos ter desejos? O poder ter desejo é poder sentir um certo prazer naquilo, mas quando você não sente mais prazer naquilo, perde toda e qualquer graça e não fica mais gostoso. Nisso eu concordo com Epicuro, pois, quando há um certo exagero e esse exagero, vira sofrimento. Se você beber demais vai virar cirrose, se comer muito churrasco vira problemas no coração e se você ficar muito ocioso, isso vai acarretar vários problemas. Também tem um outro lado de uma moeda, quando você enche um carro com aquilo que não é seu, o que você sente? Prazer ou sofrimento? Bom, quando nós pesquisamos a origem da palavra sofrimento, nós chegamos a raiz da palavra paciente e patologia e por sua vez, a palavra paixão. Dês da Grécia antiga, a paixão (pathos), era algo que fazia o ser humano sofrer e assim, todo exagero que poderíamos fazer era um pathos para os filósofos. Se você olha uma tevê que não é sua, que você pegou em uma loja porque você viu todo mundo pegando e achou que poderia pegar também, você sentira prazer ou sofrimento imaginando o desespero do lojista que trabalhou para montar aquela loja? Podemos melhorar o exemplo: e se você olhar a cerveja que você está tomando que você pegou de um acidente na estrada onde o motorista estava esmagado entre as ferragens e só se preocupou em pegar um engradado? Claro, que a ética tem fatores subjetivos, valores que são ensinados dês da infância e esses valores variam muito. Porém, temos a livre escolha de seguir ou não, esses valores.

Daí temos um paradoxo da ética, porque presumimos que a ética é um nível de caráter medido com a capacidade de socialização do ser humano. Se ele pega um engradado de cerveja de um caminhão e o motorista está todo machucado poderíamos achar isso ético? Acontece que quando coisificamos o ser humano perdemos a capacidade de enxergar um indivíduo que está sofrendo, porque perdemos a capacidade de nos colocar no lugar dele. Se eu tivesse no lugar do motorista, eu gostaria que o outro chamasse o Resgate. Se eu tivesse no lugar do lojista, eu gostaria que alguém me defendesse e por aí vai. A ética é a capacidade de sentir no outro o que você pode sentir também, porque o termo grego ethos tem a ver com caráter e caráter é tudo aquilo que nós somos. Nada, absolutamente nada, justifica um roubo, pois, um roubo é aquilo que você pega sem o outro permitir. Daí temos várias conotações sobre propriedade, mas a propriedade na nossa sociedade é importante, queiram ou não, você pegar algo ainda caracteriza um roubo. Quer mais antiético do que um estupro? Uma agressão a mulher por negar uma propriedade dela, seu próprio corpo, seu bem único natural. Não interessa que roupa ela esteja. Não interessa onde ela esteja e com quem esteja, sempre um estupro é um roubo a dignidade da mulher como ser humano. O paradoxo nesta questão, passa a uma conotação de contra ideia (antítese), passa a uma ideia contraria a aquilo que não deveria ser. O estuprador, como todo maníaco (psicótico), é na verdade um egoísta em potencial por achar que o prazer é só dele, o outro é mero objeto para se chegar ao seu prazer. Um roubo não é muito diferente, um roubo característica pegar aquilo que não é teu e aquilo que não é teu só vai dar prazer a você. O maníaco olha aquele que mata como um objeto a se chegar aquilo que ele quer, aquilo que ele pensa esconder, aquilo que ele não quer que descubram.

Com a ética (caráter) assim, a nossa sociedade passa por um momento de crise profunda e toda crise, provem uma mudança. As mudanças fazem com que as pessoas saem da sua zona de conforto, saindo dessa zona de conforto, elas não sabem o que fazer. Perdem coisas para saírem dessa liberdade, a coisificação humana passa a ser uma capacidade de ver milhões de androides, milhões de seres que estão só atrapalhando de eu ser feliz. No mesmo caso da anarquia que eu escrevi no outro texto, as pessoas confundem isso como hedonismo, mas o hedonista não é isso. A ideia do hedonismo do grego clássico não é a mesma ideia que temos hoje, porque o prazer do grego clássico era um prazer não só físico, mas também afetivo de um toque diferente. Você tomar um vinho, você sentia prazer por gostar verdadeiramente do vinho na essência do gostar e não na ideia (como imagem) do gostar. As relações homossexuais não tinham penetração, o prazer estava no toque, na sutileza de um sorriso. Então, quando falamos em hedonismo, temos que tomar cuidado de chamar o sujeito em “viciado em prazer”, pois, mesmo o porquê, viciados em prazer são muito mais doentes (pathos), do que hedonistas.

Pessoas assim são produto de uma cultura que ensina que um cara que não pega aquilo, é um trouxa, porque acha que deve levar vantagem em tudo. Ensina que a mulher sorriu e o homem tem que dar em cima (mesmo casado), ensina que a mulher não quer ele tem o direito de estupra-la. Ensina que as pessoas não prestam, mas aprontou a vida inteira para achar que os outros não prestam. Ensina que devemos sempre querer que os políticos sejam éticos, mas quando se tira a polícia, vai lá e rouba a loja. Sempre lembrando, que ética é caráter e caráter é tudo aquilo que somos, pois, se somos aquilo que sempre lutamos para mudar, será que terá essa mudança? Claro que não. As mudanças só acontecem quando somos aquilo que queremos que mude, o que Kant disse em seu Imperativo Categórico (como um bom protestante, pegou do ensinamento do mestre Jesus), faça com que tudo que faça seja uma lei universal. Mas, se um simples retorno proibido, por exemplo, o cara retorno porque o outro está fazendo, será que ele não vai roubar porque o outro está roubando? Ou não vai estuprar porque os outros estão estuprando? Ou não vai beber cerveja, ir na balada, ir comer, só porque o outro faz? O mais triste é que as igrejas crescem não porque a fé aumentou, mas só porque o outro vai e prometem só ganhos materiais. Você vai ganhar um emprego. Você vai ganhar um carro. Você sempre ganhara uma coisa. E assim, vocês acham que ele não vai fazer o mesmo que muitos políticos fizeram se até barganhar com Deus, tentam fazer?


Se o divino é usado, se a pobreza é usada, se até a cor e a condição física é usada, o que dirá usar o próprio caráter para tirar algumas coisas disso. Muito triste a Era do Paradoxo da Ética. 



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ES não foi anarquista, parem com as asneiras!


Resultado de imagem para anarquia wallpaper




Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Alguém sabe o princípio anarquista? Claro que não, pois isso não se aprende nas escolas que tem um ensino ditado pelo ESTADO. Mas acho que como eu tenho um certo entendimento sobre o assunto, tenho que escrever esse texto para esclarecer alguns pontos aqui. Em primeiro lugar, quero esclarecer que acredito que o conhecimento fará com que o ser humano tenha uma certa autonomia, portanto, concordo com a filosofia iluminista que diz que pelo conhecimento o homem deixara certos vícios. Como o filosofo alemão Kant disse um dia – pegando emprestado do poeta latino Horácio – temos que “sapere aude” ou em bom português, “ouse saber”. Mas o que é ousar saber? Como se diz hoje em dia, ousar saber é pensar fora da caixa e pensar fora da caixa é sair da sua zona de conforto. Um dos princípios anarquistas é esse, sair da sua zona de conforto, parar de delegar tudo aquilo que você quer e o que você gosta aos outros. Para isso pode ler do próprio Kant: “Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento? ”, que vai te dar uma base que o esclarecimento fara com que o homem seja cada vez mais autônomo dos seus próprios atos.

Segundo, você ser contra o sistema não é a mesma coisa de ser burro (no sentido de teimar certas coisas), pois, ser contra o sistema é cada vez mais ser esclarecido e ler bastante. Não adianta achar que o sistema te explora, que imposto é roubo, chamar certas autoridades de fascistas e etc, sem base o que é isso tudo, senão, você estará compactuando com esse mesmo sistema que ao invés de juntar os indivíduos, quando mais separados, melhor. Aliás, quer tática mais eficiente – usada, principalmente, pelos nazistas – do que separar por etnia, por classes sociais, por atos éticos ou não éticos, por religiões diferentes e por aí vai? O respeito com o outro tem muito a ver com a parte do nosso sistema empático que reconhece o outro ser humano e tenta socializar com esse ser humano, pois, reconhece como nosso semelhante. Mas o que o ESTADO faz com isso mesmo? Faz com que o ser humano tenha desejos inúteis, faz com que certas etnias sejam enxergadas como erradas, que certos pensamentos sejam enxergados como errados e devemos eliminar aquele sujeito, que o ser humano de cor diferente é um ser humano inferior, que outra religião é errada e é coisa do capeta. Nem vou entrar muito na questão do capeta, pois, Deus todo poderoso, onisciente, onipotente e onipresente, iria criar um querubim que iria ser rebelar contra ele por inveja? No princípio teológico, já é um pensamento ilógico, porque se Deus enxerga o futuro, ele iria enxergar a rebelião de Satanás, ou não? Os anjos não são seres perfeitos que são a verdadeira face do divino? Então, não existe o capeta, existe o discurso do poder em persuadir o ser humano ao seu domínio.

Nós sempre vamos ficar reféns ao poder, porque o poder sempre vai te convencer que ele existe para te proteger. Mas o ESTADO pega o seu dinheiro para dizer que vai te dar segurança, te dar transporte, te dar saúde, te dar tudo aquilo que ele promete e no fim, as coisas não são bem assim. Te ensina que você beber certa cerveja vai te dar certo status quo – além de alimentar a ideia machista de encher o carro de mulher – te ensina que fumar é ser importante, que ter certo carro potente vai te fazer feliz, depois quando a maioria ter aprendido, te multa para não fazer. Te faz acreditar que você é uma “coisinha” insignificante e ele é o poderoso, cheio de ideias que vão te proteger dos seres humanos que não fazem parte da sua etnia. Qual a diferença de um norte-americano e um brasileiro? Tirando o discurso do poder, nenhuma. Eu que sou deficiente sou diferente de quem, não é? Claro que não, sou um ser humano como todo mundo, mas tenho uma certa limitação dentro da minha fala e na minha coordenação motora. Mas o que diz o ESTADO? O ESTADO diz que não sou igual, sou diferente dos demais e preciso de tratamento adequado, não me dando, dará dinheiro a entidades que se dizem reabilitadora de deficientes. Na verdade, pago duas vezes, uma é o SUS que  paga a essa entidade, ainda, alguns pacientes pagam para consultar nela. Tudo gira ao dinheiro, tudo gira em torno a coisificação de pessoas e não dar ao ser humano, a educação necessária para ele evoluir como ser pensante. O conhecido “penso, logo existo”, tudo pode ser uma ilusão, mas a única realidade e o que existe, sou eu mesmo. Se sou detector da realidade, então, posso construir a realidade que eu quiser, acreditar o que eu quiser e pensar que somos animais pensantes e não símios, que comemos, dormimos e procriamos.

Somos símios que comemos, dormimos e procriamos? Claro que não. Somos animais que pensamos e como animais pensantes, somos animais que escolhemos e se somos animais que escolhemos, não podemos limitar a seguir as escolhas dos outros. Por que eu devo seguir o poder se eu sei que eles são iguais a nós e não maiores que nós? O fundamento do anarquismo não é o caos, mas a evolução do homem enquanto um ser autônomo sem coisificação do outro e sem achar que o outro vai nos agredir. Para que um exército se todo mundo sabe como conviver entre os seres humanos? Se sabemos o que fazer e o que respeitar, precisa de polícia? Se tivermos respeito com as crenças alheiras ou ter uma universal religião harmoniosa, para que conflitos religiosos? Mas como mudamos isso? Conhecimento. Mas antes do conhecimento, existe o entendimento desse conhecimento. Não adianta ter o conhecimento e não entender o fundamento (essência), porque vai ser uma informação errada que vamos dar e vamos perceber. Então, não adianta chamar a polícia de fascista, sem entender o fascismo ou entender a polícia. Entender que o policial também é um ser humano, senão você não é anarquista, e sim, modinha. O ESTADO sim é o grande controlador.


O que aconteceu no Espirito Santo não foi um anarquismo, porque ainda havia um conhecimento que há um ESTADO, mas não vigiado. Os desejos eram os mesmos, a cultura de levar vantagem era o mesmo, só não havia a polícia para conter o que o próprio ESTADO ensinou. A doutrinação ilusória que bens materiais são importantes, a doutrinação que é injusto eu ter uma TV simples, o outro tem uma TV LD com isso ou aquilo, porque isso é sempre ser melhor do que o outro. Não que temos que virar as costas a tecnologia e ao conforto, afinal, temos o direito a sermos felizes conforme o que escolhermos para nós. Mas respeitando o outro como um semelhante, respeitar o momento de cada um enquanto individuo autônomo como ser importante enquanto um ser vivo como eu. No anarquismo não tem roubo, porque não tem o desejo de ser mais do que o outro. No anarquismo não tem morte, porque tem o conhecimento que aquilo é errado e se acontecer, não poderá viver naquela comunidade. Renda não pode ser imposto e o imposto é desnecessário, porque todos vão cuidar da sua comunidade. E nem o anarquismo pode ser capitalista, porque para se acumular capital se deve ter instituições que só podem existir com o ESTADO. O anarquismo é um pensamento do futuro, de uma evolução maior e aquilo, definitivamente, não era anarquista. 



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A “coisificação” das pessoas







Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Acho bem interessante as palestras cientificas espiritas, porque sempre achei que a ciência não deveria estar a parte da parte espiritual, não deveria estar a parte de uma perspectiva que o corpo fali, mas a consciência fica. Afinal, por que ficamos a vida inteira aprendendo e nos aperfeiçoando, só para esta vida e só para viver nesse mundo? Há sentido num pensamento desses? Não. Não há fundamento. Não há nem logica acharmos que não há nada além da matéria no qual conhecemos – que a física quântica está mostrando que não é bem assim – e que, por mais que conheço os objetos, aparecem outros que se inventam outros termos. Mas esse texto não é para falarmos do espiritismo, mas falar do entendimento que nós percebemos, cada dia mais, da “coisificação” do ser humano com uma educação cada dia mais vem fazendo dos jovens, seres humanos “psicopatas” do mesmo nível dos nazistas.

Quem não conhece a história do médico nazista, Josef Mengele? As experiências dele eram anotadas por duas enfermeiras, com afeiçoes muito normais como qualquer enfermeira, mas eram assistentes do Mengele. Eram capazes de assistirem as experiências sem ao menos, expressarem qualquer remorso ou pena, das crianças judias que eram derramados substancias (tinta) azul em seus olhos, uniam veias em crianças gêmeas e outras atrocidades, como se fizessem em um animal. Mas eram pessoas que tinham educação, eram bastante eruditos e não tinham quaisquer antecedentes de crimes ou violência. Mengele era um ótimo medico e uma das suas assistentes, recebeu um prêmio por ser uma ótima profissional e cuidar de idosos com tanta dedicação. Não eram feios e tinham uma aparecia agradável, eram bonitos e bem arrumados, absolutamente, nada, justificariam serem chamados de psicopatas ou de assassinas. Mas o que fizeram elas matarem crianças judias e não matarem crianças alemãs? Eu posso amassar um copo descartável com bastante brutalidade, quem tiver perto não vai sentir nada, no máximo, vai dar risada. Por que? Porque esse copo de plástico e uma coisa, reconhecemos como um objeto inanimado que não sofremos nenhuma empatia, apenas, usamos esse copo para beber e jogar fora.

Uma pergunta ética se faz necessária: você conseguiria ser um assistente do médico Mengele? Você conseguiria achar que aquelas crianças eram diferentes das crianças que você tem na sua casa? Por que acontece isso? Porque se prestarmos bastante atenção, principalmente, no discurso de Hitler e seus asseclas, vamos constatar que em várias ocasiões os judeus foram chamados de “porcos”, foram chamados de “animais” e já havia muito antes essa cultura de um antissemitismo muito largo dentro da Europa. Essa “coisificação” dos povos semitas, foram se estendendo a povos eslavos, aos povos negros (já que estudos mostram, que Adolf Hitler era leitor de obras eugênicas norte-americanas), até mesmo, se estendendo a pessoas com vários tipos de deficiência. Sim. Pessoas com deficiência física eram jogadas pela janela só pelo fato de terem uma deficiência, se virava as cadeiras de rodas e elas caiam lá em baixo. Sem remorso e sem culpa. Eram objetos que davam gasto a sociedade e deveriam ser descartados, afinal, são coisas que merecem ser jogadas fora.

Hoje é diferente? Veremos que não. Por que não? Porque temos uma parte do cérebro que são três partes, uma tem a ver com o reconhecimento do ser humano, outra tem a ver com o sentimento que temos pelo outro ser humano e um terceiro que tem a ver com o caráter. Bom, imaginamos jogar um objeto não chão, e esse objeto se quebra, não vamos expressar sentimento nenhum sobre o objeto. Mas se nós atirarmos no chão uma criança? Expressamos uma expressão de horror, afinal, como eu tenho coragem de jogar um bebe no chão sendo um bebe? Mas se for uma criança de outra cor ou de outra etnia que estou lutando contra? Hoje, com os avanços tecnológicos (isso não é errado e sim, o que fazemos com a internet e computador), as crianças ficaram muito mais fechadas entre si mesmas. Afinal, para que irei fazer que meu filho conviva com tudo aquilo que é diferente? Todo mundo sabe, que o nazismo fez uma grande campanha de “coisificação” dos judeus e não só judeus, mas tudo aquilo que acham errado. Hoje não é diferente, nem os regimes não são iguais, só dar uma pesquisa na internet e veremos vídeos de homens mulçumanos batendo em mulheres, países arábicos matando deficientes, cristãos, vídeos de pessoas na China passando por cima de garotos com carros, batendo em crianças do nada e outras coisas. Foram criados com o pensamento que crianças são objetos, mulheres são objetos, pessoas com deficiência são objetos, não diferente dos nazistas.


Colocamos na inclusão de pessoas com deficiência. Por que a lei de cotas de empresas – estou dizendo uma lei, não é uma campanha ou uma caridade, é uma lei – que tem que ter uma porcentagem (cotas), para pessoas com deficiência? Na maioria das vezes, muitos desses empresários, muitos desses executivos ou empregados do RH (Recursos Humanos), nunca viram ou tiveram nenhum contato com pessoas com deficiência. Quem iria deixar seu filho, criado com “Toddynho” conviver com pessoas com deficiência, sem braço, numa cadeira de rodas, segurar ele e deixar ele cair, talvez? Vai que é contagioso e meu filho que sempre tomou “toddynho”, estará pronto em ser um “garanhão” ou se for mulher, uma “princesa” que vai ser cortejada (nunca os “afegões” médios admitiram que as suas filhas eram mulheres desejadas pelos próprios “garanhões” que criam), ser invalido em uma cadeira de rodas? Conviver com gente que não ouve, conviver com gente que não enxerga, conviver com gente que não tem capacidade de expressar um sentimento ou tem uma personalidade infantil, nunca. Meu filho? Que criei sem conviver com isso, sem traumas, sem o horror de ver essas COISA FEIA que pode traumatizar, pode achar que meu filho tem que carregar ele. Pois é! Cresce com a “crença” que somos uma “coisa” e não seres humanos e ainda pior, que ainda temos  que ficar confinador em instituições como a AACD. No blog mesmo eu mostro meus diplomas, tanto nesse, quanto no meu antigo blog Ser um Deficiente e alguma agencia de publicidade me procurou? Alguma empresa de TI ou alguém querendo palestras sobre o assunto? Alguma revista ou jornal ficaram interessados sobre o que eu escrevo? Nem as revistas de inclusão? Por que será? Primeiro, as revistas e jornais que circulam, são produzidos pelas pessoas que foram criadas com “Toddynho” e não conviveram com as “coisas”, e as revistas de inclusão, querem algo muito mais “positivo” e menos “negativo”. Então, quando sairemos dessa Matrix, onde só os “Nick Vijcic” são vistos, onde só os vídeos dos “famosos” ganham prestigio? Você pensa diferente? Não creio. 


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Teologia da Discórdia





Resultado de imagem para Lutero
Lutero em Worms, interrogado pelo Dr. Eck.




Por Amauri Nolasco Sanches Junior

No versículo do Velho Testamento, mais preciso em Jeremias 17:5, que diz assim: "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!". Que todos dizem que se trata em confiar no outro ser humano, que todos os seres humanos são falhos e não somos dignos de confiança e só a Deus isso é pura falta de interpretação. Como o Senhor pode querer que um homem esteja desconfiando de outro homem, se somos todos a sua imagem e semelhança e somos todos irmãos? Como Deus todo poderoso, pode chamar um homem de maldito? Ou, simplesmente, era uma linguagem na época que esse versículo foi escrito, ou não era muito o Deus todo poderoso que precisa chamar sua própria criação de maldita para impor sua autoridade. E também, como uma grande falha no nosso país na educação escolar, há um erro enorme de interpretação de texto.

A pergunta poderia ser assim: por que interpretaram como confiar num outro homem? Porque não entenderam uma coisa importante, que no texto está “o homem que confia no homem” e não está escrito “o homem que confia no OUTRO homem”, porque esse “homem” não é outro ser e sim, o íntimo do próprio homem. O homem que tem o orgulho muito grande e acha que pode tudo e isso, faz dele algo soberbo, sem contar que o orgulho sendo egoísta, é um pecado. O profeta Jeremias está se referindo dentro do orgulho exagerado que faz do ser humano um ser que se afasta de Deus, dos valores espirituais verdadeiros e não, nunca poderia ter dito, que o homem deveria desconfiar de outro ser humano. Afinal, religião veio ou não veio do verbo “religare” que tem o significado de religar? Se tem o propósito de religar, por que se deve plantar a discórdia dos seres humanos?

A religião cristã como um todo, tem milhares de falhas teológicas que dariam um livro inteiro e não é pouco. Primeiro, se o cristianismo é um judaísmo reformado, por que se tem ainda o Velho Testamento? Porque sabemos que o Velho Testamento é o livro sagrado do judaísmo de onde, como a maioria sabe, Jesus nasceu e se criou e passou a vida. Por outro lado, o judaísmo rejeitou a doutrina de Jesus como uma doutrina do “messias” verdadeiro, que até hoje, existem o que afirmam que Jesus era mesmo o “messias” e os judeus que afirmam que ele (Jesus) não é o “messias”. O cristianismo católico é cheio de filosofias antigas como o platonismo, o aristotelismo e outras que foram trazidas por Santo Agostinho (ponho “santo” por razões históricas). Que por razões de cunho doutrinaria, o protestantismo segue alguns preceitos de Santo Agostinho, até porque, Martin Lutero (um dos mais importantes expoentes da reforma) era monge agostiniano e “devorava” as obras de um dos importantes “pais” da igreja cristã.

Segundo a teologia cristã, Jesus veio e morreu na cruz para eliminar os pecados do mundo, afinal, ele era o “cordeiro de Deus” que veio tirar o pecado do mundo. Se o profeta Jeremias disse “maldito o homem que confia no homem”, Jesus disse “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão. ”, em uma linguagem interpretativa, as duas falas estão ligadas ao orgulho que afasta do divino. Por que afasta do divino? Acho eu que a dúvida do ser humano que veio com o cristianismo – principalmente com o cristianismo reformado – tem sempre aquilo de achar todo mundo pecador e eles (a igreja), não fazem nada, não dizem nada e são quase “santos”. O orgulho também é achar que a sua religião é melhor do que a dos outros, é orgulho também é achar ser dono da verdade, é orgulho achar que a sua etnia é melhor do que as outras (como os judeus se achavam o povo escolhido). Poderíamos até ir longe e dizer que o moralismo é um tipo de orgulho, que tudo que é nu é pornografia, que Sodoma e Gomorra foram destruídas por Deus (como se Deus brincasse com playmobill), por causa de pecados previstos em uma só religião e Jesus veio e mostrou um outro aspecto, mas mesmo assim, se continuou acreditando no judaísmo. Claro, que é um direito o judaísmo ter sua doutrina, mas é nosso direito seguir com a doutrina do mestre Jesus, só. Tirando os versículos mais usados – por razões obvias dentro do protestantismo brasileiro – o Velho Testamento só vale como apoio moral e não um complemento do que Jesus disse, pois, afinal, Jesus ensinou que aquela interpretação estava errada.

Acho que devemos sim ser céticos as pessoas, pois, como diz aquele ditado “quem vê cara, não vê coração”. Mas eu sou igual Descartes, filosofo francês do século dezesseis, que se você tem que duvidar então, a dúvida tem que ser com tudo, pois, tudo foi criado pelo ser humano. Temos que duvidar do pastor, temos que duvidar do padre, temos que duvidar dos membros da igreja, temos que duvidar até das doutrinas judaicas-cristãs. Afinal, eles não foram construídos pela mão humana? Quem garante que foi por intermédio de Deus? Como Deus todo poderoso, todo amor, todo o bem, pode destruir cidades, pode destruir seres humanos, até matar, como se fosse um assassino? Isso até fere sua própria lei de “não matarás”, fere o princípio criador amoroso, criador que sempre quis o bem da humanidade. Isso, pelo menos para mim, é ilógico e desumano e faz um Deus perverso, sádico e por isso, um Deus que quer imperar e não criar. Não é muito diferente dos deuses gregos, dos deuses germânicos, deuses eslavos e por ai vai, pois, sempre que alguém mexia com o povo protegido, eram destruídos pelos deuses. Não é isso que lemos na Ilíada? Tróia foi destruída por causa do rapto de Helena e com apoio de alguns deuses? Acho que o nome “deus” já erra, porque não podemos achar que um ser onipotente, onisciente e onipresente tenha um gênero e seja masculino. Mesmo o porquê, ele disse na sarça em chamas “sou o que sou”, ou seja, ele não tem definição humana.


Acho que Spinoza – o filosofo luso excomungado do século dezessete – chegou mais ou menos, numa definição aproximada, que tudo é o ser divino. É ainda pobre, porque um ser que fez, não pode ser a criação daquilo que foi criado por ele. Eu não posso ser esse texto, pode ser que tem meus pensamentos com símbolos (letras) que expressam o que quero dizer, mas ainda assim, não é eu. Já o “ser” é um ego (eu em latim) e não pode definir um ente que está fora da realidade que estamos, não pode ser definido num modo humano, assim, podemos dizer, que esse ente é de uma definição que nem mesmo os avatares conseguiram definir. Não há como definir aquilo que não há definição, o ser humano é um ser limitado em sua própria linguagem, dessa linguagem só podemos definir aquilo que inventamos termos e definimos regras para esses termos, portanto, não podemos ter a pretensão em definir aquilo que ainda, não tem definição. Então, se não podemos nem definir esse ser divino, como podemos interpretar as doutrinas de religar o ser humano a esse ser criador? Será que essa interpretação é a certa? 




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Dória e a cadeira de rodas


Resultado de imagem para etica



Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Há um grande problema no Brasil que é a política liberal ser uma política demonizada pela esquerda por causa da usurpação das correntes conservadoras terem se apropriado dela, porque os burgueses na sua maioria que deram um impulso na industrialização foram judeus e protestantes (nem todos, é claro). Nesta corrente se dará uma corrente muito importante culturalmente para a modernidade, o iluminismo que chegará a negar toda a cultura vigente para se criar uma cultura verdadeira e global. Neste contesto um filosofo se destacara, Immanuel Kant (1724-1804) que criou em suas críticas, uma conduta ética que deveria ser seguido à risca e uma nas suas condutas éticas era fazer que suas atitudes virassem atitudes universais.  Mas existe uma barreira muito forte para essas atitudes serem ou não universais, as suas crenças pessoais, que veem aquilo conforme o que se acredita e não o que realmente é. Daí temos várias confusões muito serias e que a crença pessoal vale mais do que a ética, e também, o ceticismo não uma doutrina para quem sabe usar.

Qual o problema de um prefeito como João Dória Jr, sentar em uma cadeira de rodas e andar em uma calçada ver o quanto de acessibilidade essa calçada precisa? No meu texto anterior eu disse que há vários problemas bastante sérios para acharmos que a participação de uma amputada no BBB17, poderá abrir caminho para uma inclusão de verdade e nem acho que foi para isso. Gozado é que a ação do Dória é marketing, mas colocar uma deficiente dentro de um reality show não é e é um caminho para chamar atenção para a inclusão. Fazer oposição por fazer é uma atitude contra o racionalismo, mas claro, temos que ser céticos por causa das promessas que recebemos e não foram cumpridas dentro das inúmeras gestões que não arrumaram a acessibilidade, não ampliaram o transporte ATENDE (além, de colocarem um gerente que não sabe conversar com as pessoas com deficiência), não há um plano de reabilitação nos postos (ficamos à mercê de políticas públicas erradas e ainda, centros de reabilitação que exploram a imagem das pessoas com deficiência). Críticas tem que ter consistências, se não, ficam apenas opiniões vazias em sem nenhum propósito.

Sistemas éticos são sistemas que não enxergam ideologias políticas, mas enxergam num todo dentro da sociedade numa conduta moral dentro do respeito mútuo. Isso não tem a ver com tal partido ou tal opinião, o respeito é neutro nas questões culturais e nada tem a ver com as questões vigentes, e assim, o que Kant quis dizer é que se você jogar um copo de agua no rosto de um indivíduo, todos vão passar a jogar copos de agua no rosto dos indivíduos e isso se torna algo universal. Quando um gestor não faz o que tem que fazer, isso se torna algo universal e todos os gestores acham por direito não fazer o que tem que fazer. Quando passa a fazer (a intenção se torna algo universal), esse fazer se torna algo universal que todos vão fazer; quando foi inaugurado o serviço ATENDE, o serviço foi copiado até mesmo em Portugal, porque passou a ser algo universal que ajudou milhares de pessoas com deficiência. Nisso, talvez, o filosofo florentino Maquiavel (que viveu no século XIV), tenha razão em afirmar que os fins, justificam os meios. Porque não importa qual a intenção da implantação do ATENDE (no caso de São Paulo), mas que essa intenção, ajudou muitas pessoas porque foi um ato copiado em muitos lugares diferentes.


Claro, que o ato da cadeira de rodas é só o começo (pode sim ser um ato de marketing), mas é um ato de políticas públicas de acessibilidade e arrumar as calçadas que a outra gestão não fez. Sucateou os serviços essenciais, tirou serviços necessários e assegurados por lei, achou que com isso iram economizar, mas só foi aumentar o descontento com uma administração desastrosa que só fez é aumentar ainda mais a dificuldades das pessoas com deficiência. 




quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Inclusão: só nos restou o BBB17

     

Resultado de imagem para cadeira de rodas


Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Aprendi dentro da internet que quando somos criticados estamos num caminho certo, eu como filosofo, não faço media com ninguém. Não vejo que as mídias vão nos dar vez e voz algum dia, pelo menos, enquanto estiverem na “lama” de um conservadorismo medieval olaviano que nada livrara o Brasil de um inimigo muito maior do que o inimigo imaginário comunista. As mídias são ainda comandadas por famílias que pensam ainda tradicionalmente, não pensam fora da caixinha, não ousam fazer algo inovador e sempre ficam fazendo programas chatos que não me cativam. Eu não sei ver gente que adora um barraco, gente que fica na “putaria”, gente que não tem nada de inteligente a dizer do que essa coisa chata de “coxinha” e “mortadela” que pensam ser uma visão política. Isso é coisa de Master Chef, isso sim.

Quando falamos de pessoas com deficiência o caso me parece muito mais grave, porque para nós entrarmos na mídia, devemos ou fazer um draminha básico, ou sermos filho de político desaparecido na ditadura. Aliás, ser filho de político que desapareceu na ditadura, lhe dará um status quo tão grande dentro da mídia que esquecem da cadeira de rodas do sujeito e os seus livros bombam e até viram filme. Me parece que o papel da mídia seria o mesmo papel que tiveram os grandes sofistas nas Àgoras gregas na antiguidade, sofismam aquilo que não são, não seguem à risca e só ficam no discurso vazio. O problema vai muito mais fundo que jamais foi, as mídias, assim como as empresas, não querem colocar em suas pautas as pessoas com deficiência e ponto, se colocam, é de uma maneira bastante genérica. Denúncias são feitas todos os dias, casos de preconceito (capacitismo) são mostrados todos os dias nas redes sociais, mas o que bombam na mídia é videozinho político, videozinho de fotos vazadas de atores globais (que sabemos ser de propósito) e não denúncias de verdade. E as denúncias do transporte que não funciona? Das filas intermináveis dentro do SUS para consegui cadeiras de rodas ou aparelhos outros? Se no Sudeste (onde moro), as coisas são assim, imagine nas regiões mais pobres do Brasil.

Em matéria de saúde não temos um centro de reabilitação de verdade que tenham capacidade de cumprir aquilo que foram designados, também, cumprir a legislação brasileira em ter lugar de embarque e desembarque, ter médicos educados e que falem com as pessoas com deficiência. O tratamento do SUS ainda é precário não só para consegui aparelhos, mas para consegui fisioterapias, operações, tratamentos clínicos e entre outros. Existem até, centro de reabilitação que ainda, em pleno século XXI, acham que ginecologista não faz parte da reabilitação da mulher com deficiência. Além de achar que só as pessoas com deficiência famosas merecem respeito, pois, pessoas muito pobres são maltratadas e até humilhadas dentro da instituição. Como podemos achar que há inclusão se nem as instituições que deveriam zelar pelo simples cumprimento de vagas de estacionamento, não estão nem aí com as pessoas com deficiência como deveriam estar? A mídia é só um reflexo dentro daquilo que a cultura se construiu ao longo do processo político que o nosso país passou, a sociedade ficou um pouco mais chata, um pouco mais exigente daquilo que não deveria e não é prioridade por agora.

Aí chegamos ao ponto que eu queria e precisava chegar, a mídia só lembra das nossas cadeirinhas, nossas muletinhas, nossos aparelhos diversos, quando acontece as Paralimpíadas.  Mas também não mostra na integra e nem tem uma cobertura como tem as Olimpíadas, que ao meu ver, como a Copa, perdeu seu encanto quando começaram a aparecer não jogadores, mas artistas que são famosos e nada são além disso. Ou, ridiculamente, atletas que desobedeceram uma proibição, sofreram um acidente e agora recebem o teto da aposentadoria, quando outros deficientes, tem que viver de um salário mínimo. Mas, como aconteceu com o filho do político desaparecida na ditadura, a atleta tem destaque dentro da mídia como se fosse muito importante o que dizem, a mim não comovem. Isso mesmo, a mídia mostra eles porque comovem, porque são famosos, porque são mostrados como “exemplo de superação” que não podem ser criticados e nem atacados. Afinal, coitados deles que não podem andar, não? Esse “coitado” que leva ao Brasil não só a ser um país que tem índices muito auto de criminalidade, mas também, fomenta o preconceito geral. Eu acho que essa discussão capacitista, está muito pobre e muito fraca de argumentos de verdade, ninguém mais aguenta essa coisa de sempre a mesma ladainha, sempre a mesma história e só isentam, o que vai interessar para alguns: como carros, carros e carros. E as cadeiras de rodas e outros aparelhos, não pagam impostos? Parece que as pessoas acham que não, mas pagam impostos sim.

Aqui quem tem personalidade é tido como chato, críticas não devem ser feitas se você quer vender alguma coisa, você tem que ser o legal. Como ser legal? Ser legal – que alguns chamam de ser positivo e que é uma variante da visão rousseauniana – é tipo, critica algumas posições governamentais, mas nunca cometer o “pecado” de criticar posições sociais, porque a sociedade é vítima de posições ideológicas e não o contrário. Muito porem, eu acho que o governo e o capitalismo – o socialismo também, mas de modo bastante diferente – ensina que fumar é elegante, ensina que você ser o máximo é se encher de cerveja e encher o carro de mulher (além de tudo, incentiva o machismo), depois fica criando lei de combate a tais práticas, porque isso dá prejuízo onde nem mesmo funciona, o SUS. Aonde quero chegar? Bom, tenho um livro sobre tudo isso, mas como sou uma pessoa crítica, as pessoas não gostam de ler porque não é uma visão positiva das questões. Mas, quero destacar duas opiniões que a mídias destacaram.

Primeiro: eu não acho que esse cadastro nacional de pessoas com deficiência tenha êxito em ajudar, porque mesmo que não precisamos de cadastrar várias coisas ao mesmo tempo, ainda sim, vamos ter que fazer exames. O que adiantara não cadastrarmos se o ruim da questão é fazer o tal exame médico? Claro, que o “inteligentinho” com deficiência vai dizer que esse exame e para barrar possíveis fraudes, mas que sabemos, não adianta nada. Sabemos que laudos médicos são fraudados, sabemos que exames médicos fazem ou sermos barrados ou diminuídos para não usarmos tais serviços, sabemos que isso vai virar desculpa para as empresas não contratarem e tudo ficou na mesma. Viu o que é analisar um fato?

Segundo, só nos restou o BBB17 para consolar ou para afundarmos de vez na lama do capacitismo. Veja bem aonde chegamos: uma amputada, modelo famosa que não tem uma perna, empresaria, rica, participar de um reality show vai trazer alguma discussão da inclusão? Ser positivo é uma coisa, ser iludido numa ideia “cor-de-rosa” é bem diferente, pois, não vejo com bons olhos essa participação como não vi com bons olhos, as novelas que foram patéticas. Porque, ao mesmo tempo que pode sim gerar uma outra visão da deficiência, por outro lado, também pode gerar uma visão muito maior do “exemplo de superação” que nada mais é, do que o “coitadinho” que superou aquilo que machuca ele. Nada mais e nada menos. Como mesmo sabemos, tudo isso é para dar audiência, mas sinceramente, não vejo o porquê assistir um programa desse deplorável, um programa mentiroso, um programa que mostra o que há de pior no ser humano.


Vamos ter uma inclusão de verdade assim?