segunda-feira, 19 de março de 2018

MATRIX dos HIPÓCRISTAS




Resultado de imagem para hipocritas


O canal Hipócritas do YouTube, tem ideias muito boas e até concordo com alguns posicionamentos do canal, mas o ultimo vídeo, usando o filme Matrix não concordo. Porque não acho que a verdadeira realidade está com a direita (dita conservadora), e muito menos, num documentário revisionista que fomenta alguns dos preconceitos que o mundo tenta sempre eliminar. Para “sair da Matrix” não importa o lado, importa o posicionamento de onde você se encontra na Matrix e a ideia de uma realidade que não é realidade, vimos dentro da filosofia platônica. Na verdade, quando assistimos o primeiro filme da trilogia, podemos dizer, que se trata além da Alegoria da Caverna, tem também quase todo livro A Republica de Platão.

Com a figura do seu mestre Sócrates – mais seus amigos e até seu irmão – Platão expõem em forma de diálogo com o que ele pensava sobre a justiça. Para isso, ele começa a idealizar uma “politéia” ou Estado, que fizesse jus ao que seria uma justiça imparcial e sem pesar para nenhum lado. Então, ele expõe a ideia de seres humanos presos em uma caverna porque o ser humano se fecha em “bolhas conceituais”, que só enxergam aquilo que permitem enxergar.  Para o filósofo, não só existem uma realidade além daquilo que estamos vendo, mas, são poucos que quebram a corrente das amarras sociais e se aventuram a pensar além da sua realidade. Portanto, a realidade não é algo concreto e não pode ser algo de absoluto, porque acabamos vendo meras ilusões. A noção que temos de justiça, de política, de religião ou do que valorizamos como realidade única – até mesmo valores tradicionais que não são contestados e nem posto numa peneira para saber se faz mesmo o bem – são apenas meras sombras de uma vida ilusória e pobre.

Quando vimos o filme nós observamos que a ideia do programa neuro-implantado não é uma realidade só de um lado, mas de todos os lados. O próprio Platão faz uma dura crítica à política e a condenação do seu mestre, que evidentemente, teve conotações políticas. No próprio filme, podemos observar um menino monge budista que está tentado controlar a natureza da realidade de uma colher e diz para Neo, que, na verdade, a realidade a colher não existe. Ou seja, a natureza das coisas pode ser mudada conforme a maneira que olhamos para elas (física quântica?). O próprio Buda dizia que a realidade que estamos acostumados a verdade, não existe e tudo não passa de mera ilusão (maya) e tudo depende da maneira que você enxerga o mundo. Por isso, seu maior ensinamento, é largarmos o nosso ego e ver além dessa realidade. Que pode gerar uma certa confusão aí. O ego freudiano, é a construção de uma personalidade e é o que o indivíduo é e controla tanto o id como o superego.  O que Buda disse do ego – de alguma maneira, Jesus disse quando nos ensinou a dar a outra face – é o nosso falso eu que são mascaras sociais dentro de uma especifica cultura. Nada é permanente, tudo é transitório. De alguma maneira, Heráclito, Platão e entre outros, vão dizer a mesma coisa, que a realidade não pode ser permanente e não pode considerada absoluta.

Feita algumas considerações do filme – uma análise mais profunda daria um livro todo só o primeiro filme – podemos ver que “sair da Matrix” (realidade construída do falso ego), não basta pensar diferente, existe uma desconstrução de tudo que você construiu como conceito e como verdade absoluta. Essa verdade absoluta está inserida também, a moral que tanto a direita prega e quanto os “conservadores” gostam. Por que o documentário Brasil Paralelo é conservador? Tudo que pressupõe mudança, não importando ser filosofia vinda do marxismo ou não, é um movimento de esquerda. Se é revisionista, é de esquerda. E também, em nenhum momento desse documentário podemos dizer, existe algo de diferente com que várias teorias dizem ao longo dos meus anos de internet. O documentário não diz que muitos dos progressos que o Brasil tinha como importante, não foram feitos – principalmente, no reinado de Dom Pedro II – por causa de intrigas religiosas. Como um documentário revisionista que visa defender a monarquia pode nos tirar da Matrix? Como um filósofo que defende uma religião pode nos tirar de uma Matrix?

Eu não vejo a imagem do poder da Matrix como só da política. Para “sair” da Matrix, temos que ter em mente, que temos nos transcender daquilo que temos como verdade. Matriz são as vísceras na qual são desenvolvidos os fetos e o embrião entre os mamíferos, ou seja, o útero. Toda a matriz e onde alguma coisa é gerada, seja animais mamíferos, seja empresas, que é onde tudo pode ser criado. Para “sair da Matrix”, temos que nascer, perceber uma outra realidade dentro de um mundo além da matriz, nosso lugar confortável. No próprio filme, mostra esse lugar confortável para não se saber, que a sua energia está sendo utilizada para alimentar as maquinas. Platão coloca isso dentro de uma caverna, onde sombras são criadas por aqueles que administram essa caverna. O filósofo francês Michel Foucault usou essa imagem, muito provável, e elaborou a teoria do discurso que se comprova com a redes sociais. Criamos matrizes conceituais para defender aquilo que acreditamos, aquilo que nos é simpático graças a crenças que alimentam nossos valores.

A pílula azul e a pílula vermelha não querem dizer algo ideológico, isso vai bem mais além do que uma suposta ideia de “marxismo cultural” e até mesmo, um “olavismo cultural” (que vem do filósofo Olavo de Carvalho). A pílula azul representa a liberdade, o nascer para o mundo real no qual existe fora da Matrix. Já a pílula vermelha, quer dizer a ditadura, a imposição e o consentimento do mundo da Matrix. O mundo de Matrix, é o mundo simbólico do conceito prisioneiro de uma só questão. A direita é conservadora por natureza (que não se pode mudar essas instituições), então, há uma questão importante: se essas instituições estão corrompidas, as morais distorcidas e a ideia espiritual é deturbada para um bem somente daquele que detém o poder, pode ser conservada? Se sim, acho, que se deve analisar qual a questão que queremos conservar no Brasil, se uma direita que não deu certo (até houve duas ditaduras), ou uma esquerda que não deu certo no mundo inteiro e existe mais uma questão. Esse conservadorismo que eu expus, é o conservadorismo político, que não tem nada a ver com o conservadorismo moral. Aliás, conservar tudo que está aí, também transforma numa forma cultural, em empobrecimento da cultura o funk.  

Vamos começar com a família (vamos tentar ter o caminho fora da Matrix). A família não é uma instituição e sim, uma escolha afetiva de construir vínculos um ao outro e isso tem a ver com uma questão até espiritual. Isso não quer dizer que existe perfeição, quando uma das partes se sente enganada, se sente deslocada e até rejeitada pelo outro – vários seres humanos que praticam a traição como forma de ter um status quo social – existe o divórcio. Não acho incompatibilidade de gênio é um bom argumento, pois, existe o período do namoro para ver isso. Também existem família homossexuais e heterossexuais, que muita gente confunde com casal. Famílias são uma coisa, casais são outra coisa. Quando começamos a colocar as questões em dúvida (entramos em Descartes e no duvido), podemos dizer que estamos saindo da Matrix. Quando o indivíduo começa a se colocar como um ser existente e as outras coisas podem ser duvidadas, então, sim, você está saindo do mundo da Matrix.

Sair da Matrix é muito mais do que uma pauta revisionista, mas, defender uma pauta onde tudo e todos devem realmente ser questionados.

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News


Assistam o video:

MATRIX vs. BRASIL PARALELO

quarta-feira, 14 de março de 2018

Cientista e cosmólogo – morre Stephen Hawking




Resultado de imagem para stephen hawking





O reconhecido e polemico cosmólogo, Stephen Hawking, morre nesta quarta-feira (14), ais seus 76 anos de idade. A morte do cientista foi anunciada pela família do físico britânico. Os filhos de Hawking deram o comunicado dizendo: “Estamos profundamente tristes porque nosso querido pai faleceu hoje” pela agencia britânica Press Association.

Stephen Hawking nasceu no dia 8 de janeiro de 1942 em Orford, na Inglaterra, curiosamente, 300 anos após a morte do cientista Galileu Galilei. Quando completou 8 anos de idade, se mudou para St Albans, que é uma cidade inglesa localizada 30km de Londres. Uns dos mais conhecidos cientistas da atualidade e do mundo – ficando atrás, talvez, de Carl Sagan e Newton – estudou na University College, de Orford, que também foi a universidade que estudou seu pai.

Na verdade, Hawking queria estudar matemática, enquanto sua família o queria como estudante de medicina. Como matemática não estava disponível na grade da universidade, ele acabou escolhendo física e se formou em 1962. No terceiro ano formado, o físico recebeu a primeira premiação na classe de licenciatura em Ciências Naturais e ao longo de sua carreira, foram 15 medalhas e prêmios. Ele saiu de Orford e foi para Cambridge fazer uma pesquisa na área de cosmologia, já que não havia essa área na universidade onde estudava.

Hoje, é doutor em cosmologia. Foi professor de matemática na Universidade de Cambridge, onde era professor lucasiano emérito – o mesmo cargo de cientistas como Charles Babbage, Isaac Newton e Paul Dirac – ele era diretor também do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da mesma universidade. A principal área de especialidade de Hawking, era cosmologia e gravidade quântica.

Escreveu 14 livros e os mais populares são “O Universo em uma Casca de Noz” e “Uma Breve História do Tempo” (eu li e recomendo). Em 2014, sua história de vida foi retratada no filme “A teoria de Tudo", que venceu um Oscar.

Referencia:

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News




Esse vide eu fiz no ano passado para comentar o livro que estava lendo sobre a mente de Stephen Hawking


segunda-feira, 12 de março de 2018

Por que não se acredita no amor?




Resultado de imagem para não acreditar no amor





Pior do que a pergunta: “você namoraria uma pessoa com deficiência? ” é as pessoas não acreditarem no amor, porque sofreram várias coisas na sua tenra infância, ou, seus relacionamentos não foram como o seu ideário, se formou. O problema da sociedade pós-moderna foi a imagem hollywoodiana do amor, com jantares, com velas, com flores e um ar de família Doriana (de margarina), pois não é. Muito menos nas camadas muito mais pobres da nossa sociedade contemporânea. A geração Nutella, cresceu achando que seu mundo poderia ser um mundo lindo, um mundo mais ou menos, como o “Fantástico Mundo de Booby”. Depois que o Merthiolate parou de arder, a coisa começou a declinar para a geração de pessoas que não podem ficar frustradas.

A título de exemplo, vamos imaginar uma pessoa que tem uma família muito pouco estruturada, um pai que não sabe cuidar de si mesmo, tem um monte de traumas e transferi esses traumas para seus filhos. Essa pessoa vive na pobreza, é discriminada por alguma coisa que carrega na sua natureza (como etnia, deficiência e etc), sua aparecia é estranhada pela maioria, ainda frequenta uma religião que acha que por seguir Jesus, fara a cura de sua aparência. Agora imagine que essa pessoa conhece uma pessoa no qual se apaixona, ela foi criada numa religião que não pode assistir TV, não pode brincar de certas brincadeiras, ainda, não foi curada da sua aparência, porque essa mesma religião, diz que ela tem pouca fé. Essa paixão não chega nela, ou na melhor das hipóteses, chega para tirar uma onda da cara dela (o bullyng é uma cultura brasileira desde o império português), mas não chega, não falou por causa da sua cor, da sua deficiência ou por outros motivos e a coisa passa batido. Você já foi trucidado por uma religião que diz que você não se curou por causa da sua pouca fé, você já foi trucidado moralmente por um pai que desconta os seus traumas nos filhos, você acha que mundo é uma “merda” e quer que ele se exploda, ainda, sua paixão não se declara para você. Tá ok. Esse é um ótimo motivo para não acreditar no amor.

Agora imagina você conhecer uma pessoa, essa pessoa fica com você e com outras pessoas ao mesmo tempo, como seu próprio pai fez com a sua mãe, ele simplesmente, acha que você é mais uma pessoa do seu cardápio (sim, existem pessoas assim). Você fica quatro ou cinco anos com essa pessoa, você acha que o mundo é assim, as pessoas brincam com os sentimentos das outras. Daí você conhece um carinha legal, que dará amor, dará carinho e tem boa índole, uma boa cabeça e sabe muitas coisas. Mas ele não arranja um emprego (para o mundo pós-moderno, esse tipo de sujeito é um “merda” total e é um pecador), não consegue empregos freelances, não compram os seus livros e não acham que ele tem uma opinião boa. Mas, ele está pouco se fodendo. Ele sabe que não sabe e os outros que pensam saber não sabem, mas, a pessoa já modelou toda a sua frustração nele e ainda deixa muito claro que não acredita no amor. Daí tudo que você passou é culpa dele. Mesmo ele não tendo mais ninguém, e essa pessoa imagina que ele tem outras pessoas. Mesmo ele tendo se dedicado quase a sua vida a você, ainda projeta o que aconteceu na sua vida a essa pessoa.

Num mundo pós-moderno, que projeta toda a dimensão do amor a algo limpinho, perfeito com pessoas bonitas, com pessoas perfeitas que nem sequer, tem uma celulite ou dentes amarelos, isso é muito mais comum. Você não sabe amar verdadeiramente e viver esse amor com todo seu esplendor e seu sossego, você projeta o ideário que viu em algum filme. Isso acontece porque não sabemos – pela educação que tivemos – a separar o mito daquilo que a vida é realmente, porque fazemos de nós, seres em um sonho a parte. Não. Existem as transas. Existem pessoas que são sem-vergonha. Existem pessoas sinceras. Existem pessoas que são religiosas. Existem pessoas ateias e acreditem, existem pessoas que dão a sua vida a ciência. Existem pessoas que fazem do seu mundo, uma verdade absoluta e as verdades não são absolutas. Sua religião, por exemplo, é mais uma interpretação de um livro sagrado dentro do que se acredita ser o Eterno. Sua ideologia política, só é mais uma interpretação a milhares de interpretações politicas ideológicas, que existem no mundo. São interpretações, são verdades que podem mudar. Não é uma verdade absoluta.

Não podemos tomar banho na mesma água, não podemos ter os mesmos conceitos toda a vida, não podemos amar como você imaginou. Porque não somos o que você quer, somos o que desejamos ser e isso não vai mudar. Nem se você disser que não acredita no amor. E isso nada tem a ver com a deficiência ou a cor de pele, até mesmo, sua opção sexual. Isso tem a ver com que você faz com seus conceitos. Se você desacredita por causa dos outros, você é moldado graças aos outros, se você é moldado pelos outros, você não tem personalidade. Deixar de acreditar no amor. Deixar de acreditar em qualquer coisa, porque as pessoas te fizeram mal, sinto muito, as coisas são confusas dentro de você. Conhecer a você mesmo é a resposta.


Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

sábado, 10 de março de 2018

Pessoa com deficiência ou deficiente?




Imagem relacionada


Acho que estamos indo em um caminho que está sendo errado. Nós, pessoas com alguma deficiência, estamos trilhando. Primeiro lugar: vamos nos posicionar em uma coisa, pois, acho que o seguimento não está muito sabendo o que fazer com as abordagens que se deve fazer. Segundo há um erro conceitual com a nomenclatura decorrente segundo a maioria prega, como eu não sigo a maioria, eu posso usar tanto como pessoa com deficiência como deficiente. Não me sinto desconfortável. Por que não me sinto desconfortável? Porque se olharmos a etimológica da palavra, vamos ver que tanto deficiência como deficiente, vêm da mesma origem latina “deficiens”. Na verdade, existia o verbo “deficiere” que tinha o significado “desertar, se revoltar, falhar” e tem a junção DE “fora” mais FACERE “fazer, realizar”. Isso está, aliás, no meu livro “O CLUBE DAS RODAS DEAÇO: TRATADO SOBRE O CAPACITISMO”.

Vamos lá. Qual o objetivo da inclusão? Há uma grande lacuna quando lemos notícias como “DIRETORA NEGA AGRESSÃO A UM GAROTO COM DEFICIÊNCIA MENTAL” e a notícia “PARQUE AQUÁTICO TOTALMENTE ACESSÍVEL PARA PESSOAS COMDEFICIÊNCIA É INAUGURADO NO TEXAS”, porque há um nível educacional muito longe do ideal em nosso país e muito mais, bem feito, nos países desenvolvidos como EUA. Claro, que devemos achar soluções dentro da nossa realidade que vivemos, porque, a cultura norte-americano foi construída dentro do pragmatismo, ou seja, eles são muito mais práticos. O que é melhor, fazer ou ouvir o povo reclamar? Fazer ou não ter turistas para arrecadar mais dinheiro e fazer a economia girar? Pensamos. Um país inclusivo pode receber turistas com deficiência, assim, gerar mais recursos para nosso próprio país. No mesmo modo, um povo feliz é um povo tranquilo, que tem uma vida mais estável, mais segura e não vai tanto, causar problemas. Não criando problemas geram mais PIB, e gerando mais PIB, geram mais recursos para a indústria e gerando mais recursos para as indústrias, geram mais empregos. Isso não quer dizer que o empresário ficara mais rico e o trabalhador ficara mais pobre, porque isso gerara mais emprego e gerando mais empregos, a economia sobe. Mas, me parece que o capitalismo está em crise pelo mesmo “monstro” que o próprio capitalismo criou, a globalização. A internet criou novas mídias. As informações não são mais manipuladas, não estão em uma “mão” apenas. Então, em muitas “mãos”.

Quando empresários norte-americanos investem em parques temáticos com adaptações para cadeirantes – parece que até a Disney passou por uma reforma dessas – eles viram que as pessoas com deficiência podem ser um público consumidor. Pensamos. Podemos ser cadeirantes – estou dizendo cadeirante por causa que vivo num mundo cadeirante, mas, estendemos para outras deficiências – mas podemos querer se divertir, querer estudar, querer trabalhar ou sair nas ruas para ir numa miséria, padaria comer um sonho. Os Estados Unidos da América viram que a inclusão pode ser beneficiaria a economia, beneficiaria aos modos de produção e beneficiaria dentro do turismo econômico. Ponto. O resto é analise ignorante de gente que não sabe nem o que está falando. E isso se estende aos países europeus e até o Japão.

Isso não quer dizer que “amo” os Estados Unidos, eu tenho minhas críticas sim, mas, assim como eles, outros países aprenderam a lição que povo infeliz, país desgovernado. Elegem “salvadores da pátria” que destroem tudo, economia, estrutura e o que é pior, destroem até mesmo, a dignidade humana. O nazismo, o fascismo, o comunismo soviético são provas disso. O ser humano, por mais que muitos pensadores digam, não são um bando de gado que fica quieto sabendo que vai se ferrar no final, temos consciência que precisamos no mínimo de dignidade humana para viver. Ai que erra alguns setores do segmento das pessoas com deficiência aqui do Brasil.

Muitas pessoas com deficiência o são após terem tido algum trauma durante a vida, porém, a grande maioria nasceu assim. Deveriam ter uma cadeira de rodas decente, mas, as mesmas cadeiras de rodas ou outros aparelhos, não podem ser de qualidade, porque são caros. Qual é a prioridade, termos condição de ter um carro ou de ter uma cadeira de rodas mais barata? Depois, as crianças devem ser alimentadas e terem um tratamento decente, muitos pais não têm condição de pagar um tratamento e poucas instituições ter a seriedade necessária para tal (a que faz a campanha maior do nosso país, não tem essa seriedade). Os tratamentos são começados muito tarde, tão tarde, que eles nem surte efeito esperado (se surte algum). Começa, haver dificuldades dentro da sociedade de adaptação, a má educação faz que a sociedade nos veja como sinônimos de santos, assexuados, coitados, sem a menor vontade de lutar por uma vida mais digna, porque não podemos ter essa vida digna. Outro dia li que um cadeirante caiu e o motorista não pode ajudá-lo, porque os passageiros não puderam compreender a situação. Por que? Não se tem uma educação de verdade e não acham que podemos e temos o direito de sair.

Depois a criança deve ter uma escola para estudar. As escolas públicas são pagas por TODA a sociedade, inclusive, uma escola pública também é sustentada pelos parentes e os pais da criança com deficiência. Deve ter a adaptação física e se deve ter o treinamento necessário para os professores e profissionais das escolas, e claro, DEVE ser obrigatório. E ainda sou mais radical, se deve ter esse tipo de conduta ensinada, nas universidades. Mas, claro, quem tem a boa vontade sempre corre atrás de ser um bom professor. Porque, também, acho que fizeram uma grade escolar muito intensa e de pouca eficiência (como tudo no Brasil), onde a quantidade vale mais do que a qualidade. Isso atrapalha, em partes, com a socialização das salas de aulas e não fazem o papel social. Isso nada tem a ver com ideologias, isso tem a ver com inclusões das minorias e essa inclusão, faz parte de um plano de uma sociedade justa (sim, sou socrático platônico nesse aspecto).

Depois fizeram a “esperteza” de fazer cotas em empresas e não em universidades para pessoas com deficiência, o que gerou a desculpa de não temos qualificação. Nem sou muito a favor de cotas para universidade, mas, já que as maiorias queriam cotas, que pelo menos, se qualificassem. Acontece que o segmento das pessoas com deficiência, sempre foi meio perdido, porque não sabem o que priorizar. A luta pela inclusão não pode ser uma luta de maneira desordenada, mas, tem que ter uma certa ordem de prioridades que o próprio segmento de PCDs, não respeita.

Por fim, eu acho que existem coisas muito mais priorizadas do que as nomenclaturas como se devem ser chamadas as pessoas com deficiência ou deficiente. Claro que num ponto muito mais esdrúxulos, a questão de nomenclatura é importante, como no caso de pessoas com de necessidades especiais, que por ventura, faz a imagem de pessoas especiais. Não somos especiais. Somos seres humanos que queremos viver o que todo ser humano vive, todo ser humano deseja, todo ser humano sente. Fazemos até filho (podem acreditar), e o mais importante, somos membros de uma sociedade e sim, estamos no século XXI e as questões que nos sãos colocados no nosso estereotipo, são questões já abandonadas a muitas décadas lá fora. Portanto, mude seu paradigma, você consegue.


Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pessoas com deficiência não tem auxílio-moradia



Resultado de imagem para revolução francesa
Imagem representando a Revolução Francesa 


Achei pertinente ter uma brecha para comentar o texto do colega Jairo Marques que é jornalista da Folha de São Paulo e também, tem um blog (na mesmo jornal), “chamado Assim como você”, que escreveu um texto chamado: “Auxílio para sair da moradia”. Achei esse texto bastante pertinente e reflete as condições que vem perpetuando, a situação das pessoas com deficiência. Que muitos – realmente, eu já ouvi esse tipo de colocação – pensam que temos uma vida sossegada e tranquila, mas, que na verdade acontece, é que não temos uma vida tão fácil assim e nem temos tantas “facilidades” assim.

No texto ele começa dizendo que há no senso comum que as pessoas com deficiências podem comprar carros novinhos no Brasil, com um certo desconto. Mas, na verdade, é que acontece uma renúncia fiscal do imposto federal, ou seja, o governo deixa de arrecadar o IPI, e o Estadual, o ICMS, que, teoricamente, deixaria o carro mais barato. Certo? Mas não é isso que acontece. Muitas vezes, esse “desconto” é neutralizado graças as adaptações para ser dirigido por um cadeirante ou para carregar uma criança om muito pouco mobilidade. Esse preço é cobrado direto da concessionaria, que diferente dos outros consumidores,  sempre somos taxados de levar “vantagem” fiscal e isso é visto como uma mamata para quem tem uma vida fácil. Só que não é bem assim, pois, esse preço é compensado e anulado, como disse o texto,  na adaptação que é cara.

Segundo o Jairo, o espirito da isenção é muito nobre, pois, isso daria uma mobilidade a quem fica à mercê do transporte público, das ruas cheias de buracos e sem acessibilidade nenhuma, das escolas, de vida social em geral. Seria um alivio e também uma oportunidade de uma conquista mais autônoma. Eu sou um pouco mais radical e lançaria uma pergunta pertinente: qual o interesse em dar isenção para um imposto e não dar para os outro? As adaptações são necessárias e não temos isenção nenhuma, além de nenhum incentivo fiscal das cadeiras de rodas, isenção de impostos no material da adaptação da casa, não temos tantos outros produtos que nos sãos necessários, e o entanto, não temos nenhum.  

O princípio ético não fala do direito de ter ou não, a ética fala se podemos  ter ou não. O direito é uma parte da moral, portanto, é uma parte dos costumes. Os costumes do ocidente sempre foram de olhar a deficiência como algo que deveria ter uma certa piedade, uma certa imagem daquilo que é um ser humano mais fraco, mais vulnerável. Os espartanos não nos matavam por maldade, eles matavam por causa da imagem da inutilidade de pessoas com deficiência e porque não, um sentimento de piedade. Como algumas comunidades vikings também deixava os filhos com deficiência nas florestas locais, para serem devorados por causa da deficiência. Até os anos oitenta, as pessoas com deficiência não podiam sair em países como os Estados Unidos da América, que nem em restaurantes, podiam comer sem causar “nojinho” aos outros clientes. Mas, ao meu ver, pelo menos, infelizmente, é alimentado como um discurso dominante, é um pouco culpa das pessoas com deficiência.

Mas você pode está perguntando o porquê é culpa das pessoas com deficiência, daí e respondo, por causa dos direitos que alguns querem lutar e eu explico. Se lutarmos por um incentivo fiscal da compra do carro, por exemplo, nós estamos incentivando a não adaptação das vias públicas, ao não melhoramento do transporte público acessível, da acessibilidade num modo geral. A grande parcela das pessoas com deficiência que não tem condição de comprar um carro, ou não tem condição de dirigir um carro, fica à mercê do transporte público e o porquê adaptar se o ESTADO deu tal benefício. Entenderam? Por que não incentivar a renúncia fiscal de aparelhos de órteses e próteses? O próprio Jairo Marques no texto fala que em países como os Estados Unidos, várias pessoas com deficiência têm acesso a tecnologias diversas. Só que ele esqueceu de dizer que lá o fenômeno é diferente, não se lutou para trabalhar antes, se lutou para ter o mínimo para viver e uma aposentadoria a parte da previdência. Lá as pessoas com deficiência são incentivadas a estudar, as adaptações nas ruas, prédios, transporte e etc, são para o cara trabalhar. Para o deficiente ir a qualquer lugar com sua cadeira de rodas motorizada – raros são os deficientes que não tem cadeira motorizada lá fora – sem até, depender de outras pessoas. Meu irmão mora na Irlanda e me mostra em foto, que lá tudo é acessível, e ele disse, que é muito comum ver pessoas com deficiência nas ruas com suas cadeiras motorizadas.

A questão é que dês do começo as pessoas com deficiência vem lutando por coisas banais e não pensam que um dia isso vai acabar, os governos mudam e as leis podem mudar. Que o papai e a mamãe vão morrer, que vai amar um outro indivíduo e vai casar, que com o dinheiro do trabalho pode comprar o que quiser. É imoral sim ter auxílio-moradia num país que não podemos nem sair na rua, não podemos nem trabalhar e os caras tem duas ou três aposentadorias. Porém, existem prioridades dentro do segmento que eu não acredito serem importantes, como o carro, como acessibilidade em praias e em aeroportos, acessibilidade em coisas que a grande maioria não vai usar. Tem gente que tem o direito de ter um carro? É obvio que tem. Mas, num país que num tem nem uma reabilitação de verdade, não tem prioridade para pessoas com deficiência que precisam operar, isso não passa de mimimi sem motivo.


Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

 Ator sofre agressão de homofóbicos dentro de banheiro

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Esperando mais inclusão e menos papo-furado



Resultado de imagem para deficiencia e emprego




Quando eu era menor, apenas um garotinho, eu queria ser dentista. Sei lá porque, eu cismei que queria ser um dentista para cuidar de dente. Daí descobrir que a minha praia era outra, mesmo o porquê, eu nem tenho estomago para estudar medicina por ver sangue e abrir pessoas em cirurgias. Muitos garotinhos e garotinhas, sonham em ser alguma coisa quando crescer e não é porquê tem deficiência, que não pode sonhar. É uma questão de estudar e se empenhar (mesmo que as escolas, com leis que não funcionam, não aceitem ainda as crianças com deficiência), em fazer o melhor para conseguir. Mas como fazer o nosso melhor, se todos nos fecham a porta? Metam o pé na porta. Poderia ser uma ofensa eu dizer isso, mas, como também sou cadeirante, eu me sinto à vontade.

Uma outra pergunta me vem à cabeça: como queremos inclusão nos comportando como eternos adolescentes? Sim. Eu não acho que inclusão se faz em meio de gente suada das baladas, cheirando cerveja dos bares, e acessibilizar puteiros sejam prioridade. Acho que a acessibilidade é importante e faz bem (nem mesmo acho que acessibilidade em igrejas sejam importantes), porém, acho que a visão mais humanizada da deficiência, hoje, é primordial. Até hoje eu não entendi o porquê se fez uma lei para cotas nas empresas e não cotas nas universidades – que só veio agora – pois, você só trabalha se você tiver um curso de qualificação. Também, nunca entendi, priorizar a redução de impostos de carro e não, reduzir impostos da cadeira de rodas e outros aparelhos que necessitamos. Andamos de carro dentro dos lugares? Andamos de carro dentro de casa? Claro que não. Até, particularmente, acho que a ideia de um carro para cadeirante meio ridícula, porque tem o pressuposto que só há um só cadeirante. E se você é casado? E se você tem como companheiro outro cadeirante?

Essas resoluções é o estereotipo de pessoas solitárias que temos hoje em dia, ainda, mesmo que estamos no século vinte e um. Mas, mesmo que a maioria adore uma liberdade que não tem, podemos casar e podemos amar quem quisermos. Mesmo que a maioria, ache que temos que casar com alguém para cuidar de nós. Não é verdade. A verdade que podemos nos virar, na medida do possível, tendo em vista, cuidar de nós. Mas existem, claro, deficiências que são graves, que muitas vezes, deixam as pessoas sem nenhum movimento. Conhecemos alguns e esses “alguns”, tem se mostrado bem independentes, mesmo com a deficiência grave. Nenhuma deficiência atrapalha a vida. Mas, ainda temos a visão capacitista da sociedade, porque nos agarramos a ideia que tudo é perfeito, o caráter tem que ter perfeição, as pessoas boas têm que ter perfeição, tudo é perfeito, só que essa perfeição, é na medida humana. O parâmetro humano, depende dos costumes (moral) que eles estão inseridos.

Lendo o blog vinculado com o jornal Estadão, Vencer Limites, assinado por Luiz Alexandre Souza Ventura, “IGUALDADE NO TRABALHO É PRIORIDADE”, traz uma pesquisa da I.Social (uma consultoria para empregar pessoas com deficiência), que mostra a estatística que eu sabia muito bem. A lei de cotas é uma farsa porque usou uma desculpa muito esfarrapada da qualificação, ou seja, existe pessoas com deficiência sim qualificadas e prontas para trabalhar. Mas, eu avisei para uma das donas da I.Social, a Andrea Schwarz, quando ela escrevia com um ar de otimismo. Ser otimista é uma coisa, fugir da realidade é outra muito diferente. Eu sempre fui cético na questão dessa lei.

Ao meu entender, estatísticas são adulteradas por causa de interesses daqueles que são eleitos para governar o nosso país, fora a isso, não tem nenhuma explicação da comprovação da desqualificação das pessoas com deficiência. Isso vale com voto expresso ou voto eletrônico. O que anda acontecendo é que empresas independentes dos órgãos governamentais, vem fazendo pesquisas e essas pesquisas vem comprovando o que estava na nossa cara o tempo todo, existem sim pessoas com deficiência qualificada. Isso transcende o fato do governo ser de esquerda ou direita – para mim não existe governo de esquerda – mas, a efetividade da fiscalização e da punição da empresa. Uma lei que obriga a contratação sem uma punição rigorosa, é o mesmo como acontecia para parar em vaga de estacionamento, multa moral. Vamos falar a verdade, é uma multa moral esse valor. Uma punição vagabunda que não obriga ninguém a cumprir nada.

No mesmo modo, acessibilizar prédios públicos tombados. Se o prédio não pode ter acessibilidade, então, que ele não seja utilizado e ponto. Não tem negociação. Os outros movimentos não negociam, ou você aceita os homossexuais ou é preso. Ou você aceita os negros nas universidades, ou vai preso por racismo. Sofremos atos capacitistas de entidades, de órgãos públicos, de pessoas na rua, de pessoas em shoppings e não há uma punição de verdade. Há multinhas morais e tapinhas nas costas. Fora a mania tosca de muitos deficientes de acharem que não fazerem nada, vão receber alguma coisa por isso, pois, não vão. Às vezes, muitas vezes, o radicalismo semelhante das outras minorias é preciso dentro do segmento das pessoas com deficiência. Eu não dou tapinhas nas costas de ninguém e nem quero nas minhas costas. Como disse milhares de vezes, eu sou cético o bastante de desconfiar que as pessoas façam pelo bem de um segmento. Não fazem. Temos que aguentar novelas vagabundas mostrando não a realidade, mas uma imagem infantilizada e boba da deficiência que não condiz na verdade.

A questão da lei de cotas é uma só: a nossa cultura canalha de não querer seguir e dar desculpas esfarrapadas para não cumprir uma lei. Lei é lei e foda-se. Acontece, que somos uma cultura que se apegamos muito nas aparências e isso é muito imbecil, porque não somos maquinas, somos humanos e temos a capacidade de superar dificuldades. Então, não é uma cadeira de rodas que vai nos dar capacidade ou não de fazer tal serviço, mas, a vontade de superação e de trabalhar que nos fazem eficientes. Muitas empresas – quando tem boa vontade – se sentem satisfeita com o serviço das pessoas com deficiência. Por que não temos a vontade de sensibilizar o lado humano das pessoas com deficiência? Será que fotografando deficientes pelados vamos fazer enxergar nosso lado humano? Acho que é importante a acessibilidade – em todos os bairros e em todos os sentidos – mas, também acho, que há uma falta tremenda a valorização do ser humano com deficiência. Valorizar o lado humano não é vulgarizar nossa sexualidade – fazendo da liberdade com libertinagem – valorizar nosso lado humano, é ensinar, por exemplo, que comemos comidas normais.

Eu não quero ver seres humanos com deficiência, pelados. Não quero ver seres humanos com deficiência, em campanhas apelativas e capacitistas. Não quero ver, seres humanos com deficiência em novelas vagabundas. Quero ver seres humanos com deficiência estudando. Deficientes trabalhando. Tendo uma vida plena e não, s pensando em sexo e numa vidinha deplorável. Como diz o filósofo, Luiz Felipe Pondé: “um dos maiores medos contemporâneos é o medo do afeto”. Temos medo de amar e os seres humanos com deficiência, tendem a ter muito mais medo desse afeto e se apegam a putaria generalizada. Aliás, putaria em todos os sentidos. Mas isso é tema de outro texto.

Hoje não quero ser dentista – se eu quisesse ser? – porém, eu sou satisfeito dos cursos que eu fiz. Mas eu sou qualificado sim e acabou.

Equipamentos do cantor Caetano Veloso são recuperados



Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O filme “O Extraordinário” e a lição sobre o preconceito.




Resultado de imagem para wonder



Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Neste sábado (7), eu e minha noiva, fomos ver o filme O Extraordinário do livro homônimo escrito por Raquel Jaramillo com o pseudônimo, R. J. Palacio.  O livro foi publicado em 14 de novembro do ano de 2012 que conta a história do menino, Auggie Pulman, que sofre de uma síndrome chamada de Treacher Collins, que causa deformação facial. Diz a história, contada pela própria escritora, que ela e o filho estavam numa fila de sorveteria, com apenas três anos de idade na ocasião, e então, o menino viu uma menina com deformidade facial e começou a chorar. Para não dar aborrecimento para a menina e sua família, Palacio se afastou com o filho dela que piorou a situação. Após ouvir uma música chamada “Wonder” de Natalie Merchant, se deu conta que esse incidente lhe mostrou algo importante e queria mostrar isso para a sociedade, assim, começou a escrever o livro que leva o mesmo nome da canção. O refrão da música é usado no prologo do livro.

Na verdade, o livro chama “Wonder” por causa da música que a escritora ouviu – que tem a ver, mais ou menos, com a história – e que quer dizer, “maravilha”. Talvez, por marketing, ou por erros que estamos acostumados nas traduções nacionais, se traduziu como “O Extraordinário”. Diferença de linguagem, não tem. Diferença de expressão, não se tem. O fato de ter mudado o nome, não fez diferença, porém, é um fato inexplicável que não houve, pelo menos para mim, nenhuma resolução sobre o fato. A questão de linguagem e fonética, não tem explicação também, porque o menino poderia muito bem ser chamado de “maravilha”, que para mim, pelo menos, soa como um preconceito da nossa própria sociedade em achar que ser chamado de maravilha, pode eventualmente, ser chamado o garoto de homossexual ou, até mesmo, ter algo a ver com a Mulher-Maravilha. Já se começa pelo próprio nome.

Quando começamos a ver o filme ou ler o livro, sempre lembramos de algum fato da nossa tenra infância. Por que? Porque a história de Auggie (ou August) tem a ver com a história de todos nós, pessoas com deficiência. As pessoas com deficiência ou má formação – que é o caso do personagem – se sentem rejeitadas pela sociedade, que não aceita, a aparência diferente. Mas o fato é um só, somos pessoas diferentes, mas, antes de tudo, somos da espécie homo sapiens. Auggie não queria provar que poderia, ele e a mãe sabia que ele podia, mas ele queria apenas, estudar e ter uma vida social. Só isso. A mãe incentivou. O pai acabou incentivando. A questão é: a normalidade como visão predominante, pode ser um obstáculo? Se deixarmos, sim, pode ser. Se não deixarmos, não, não atrapalha. Eu sempre digo que a deficiência não atrapalha a vida, só nos dará muito mais desafios. No meu livro Clube de Rodasde Aço – Tratado sobre o Capacitismo (Clube de Autores) – que foi acusado de não ser acadêmico – eu escrevi que existem muitas linguagens que vieram a colaborar com o capacitismo, uma delas, é a medicalização. O discurso aceito socialmente, é o discurso que os médicos impõem como verdade absoluta. Só, que acontece, que como todos nós, o médico é humano. Não são deuses. Não são mais evoluídos do que outros seres humanos.

O erro médico é achar que somos seres dependentes pelo resto da vida. A sociedade colocou as ciências – junto com o médico e pesquisas cientificas – como a única e irrevogável, solução para humanidade em alcançar a felicidade. Somos pessoas que temos nossas alegrias, temos nossos prazeres, temos nossas paixões, temos nossos desejos, temos nossas vontades. Existem milhões de áreas que nós, pessoas com deficiência, queremos ser aceitos. Auggie fez várias cirurgias corretivas, mas não teve nenhuma construção psicológica para enfrentar a sociedade, não houve um preparo para o enfrentamento. Sorte dele que a mãe – como foi a minha – que insistiu que ele fosse para uma escola (que foi contra o marido e pai de Auggie que ainda, queria o filho ter aula em casa), quis que ele encarasse uma sociedade doente pelo estereotipo da normalidade. Além do mais, a sociedade norte-americana – embora, a sociedade estudanense, tem muito mais estudos – tem muitos preconceitos, ainda.

Na verdade, eu acho que a nossa sociedade é demagoga, não preconceituosa, pois, em alguns momentos, é chata. Se isso tem mudado, mudou muito pouco. Tanto, que nem percebo. Não se dá lugar para pessoas com deficiência no ônibus (nem para os cadeirantes ficarem no box). Não deixam os lojistas atenderem a nós, deficientes, quando fazemos compras, como se tivessem mais prioridades. Quando estamos namorando, nos olham com cara feia. As próprias mãe de outros deficientes, te olham como se você tivesse fazendo a coisa mais errada do mundo, só por causa que o filho vai ver que ele também pode. Mas todos esses que fizeram isso, vão lá e doam quantias consideráveis para o Teleton (no livro que escrevi, contém a minha teoria da sociedade teletoniana), como faziam os nobres, dando quantias consideráveis para as casas de caridade no período medieval. Como sou um cético nesse tipo de campanha – vivi nessa entidade muitos anos para saber que ela não atende nada e só mudou o nome para ficar “bonitinha” – não acredito que seja eficaz para a inclusão de pessoas com deficiência. Além, de reforçar ao máximo, a linguagem da medicalização.

Stephen Hawking, quando foi diagnosticado com sua síndrome ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), deram a ele uma ou duas semanas, ele já está com 76 anos de idade. A medicalização não é um dado irreversível, não pode ser visto como a única solução, mas temos uma vida plena. No caso de Auggie, é apenas um garotinho que não sabia se defender, sua única defesa era o capacete que escondia o seu rosto. Os preconceitos sociais são fortes graças ao mundo que vivemos, as propagandas perfeitas, os desejos aguçados para venderem mais. Eu não acho que vender é o problema, tanto quem está vendendo, quanto o publicitário que está produzindo a propaganda, estão trabalhando para sobreviver. O problema é você criar o mundo para fazer isso, que ao meu ver, não precisaria se o ser humano não fosse condicionado. A pergunta é: o que é a realidade? Será que a realidade é uma propaganda de Margarina ou pasta de dente? Claro que não. Temos dentes amarelos. Tomamos café da manhã, muitas vezes, sozinhos. A mesa pode ser velha, nós soltamos pum, não temos o rosto liso e perfeito. São “sombras” que querem mostrar que é a realidade.

Isso é tema de vários livros de filosofia e literários, um mundo condicionado que quebra a sua realidade por causa de um que não aceitou ou saiu, desse condicionamento. Auggie não cabia na realidade das outras crianças, ele quebra essa realidade como se ele fosse um estranho, algo que quebra o paradigma da perfeição e o medo aparece. A aparência mostra uma outra realidade, uma realidade muito além do que é mostrada. Parece que isso é obvio, mas não é. A título de exemplo, eu estudava num colégio tradicional que tinha, até a década de 90, uma unidade de ensino da entidade AACD, EEPG Rodrigues Alves, que fica na Avenida Paulista (São Paulo). Foram perguntar para a coordenadora da unidade das classes especiais, se comíamos comida normal ou comida especial. Estávamos na década de 80, onde não tinha tantas informações como temos hoje. Mas, hoje em dia, estamos no século vinte e um, com o advento da internet a nossa volta, ainda, ouvimos esse tipo de pergunta e respondemos ainda, temos que sim.

Por que? Porque há ainda, uma noção que a realidade é padronizada, como se vivêssemos na caverna de Platão (veja aqui), até mesmo, a história do escritor inglês, Adous Huxley, Admirável Mundo Novo, (que vou fazer textão depois de ler meu exemplar), onde o mundo ficou todo “politicamente correto”, com ideias libertinas, padronizadas e foi baseado, logicamente, na ideia de Platão. O mundo que vemos e o mundo, que intuímos.  O mundo que vimos é o mundo que achamos ser real, mas nem sempre ele o é. O mundo que intuímos e temos como base – como se não existisse – em uma maneira de ver diferente, numa maneira mais verdadeira. O mundo que pensamos ser real, é uma realidade forjada com os valores que pensamos ser verdadeiros. Mas não são. Pessoas como o Auggie, que de alguma maneira, são diferentes da realidade vigente de anuncio de margarina, querem ter uma vida como as outras crianças. Pessoas “diferentes” são menosprezados e enfrentam vários obstáculos, não só de forma física essa diferença, mas pode ser, numa outra maneira de pensar. Na verdade, a mídia e o capitalismo – claro, não tirando suas eventuais falhas – herdaram muitas coisas de séculos atrás, coisas que separam os povos. São separados por causa da ignorância, não entenderam que somos uma espécie só. Padronizaram aparências. Separam os latinos porque não se encaixam nos padrões estudanenses. Os negros não se encaixam nos padrões dos brancos. Os asiáticos não se encaixam com os dos ocidentais e os ocidentais, não se encaixam com os asiáticos.

A padronização humana não faz sentido – mesmo se essa padronização é ancestral – porque somente características são diferentes, mas nós como espécie, como disse, é uma só. Isso também vale para a deficiência. Temos várias limitações, mas não somos de outra espécie. A questão da aparência é uma questão estética, pois, a estética é muito bem explorada dentro da nossa cultura. A questão do Auggie é uma questão estética. Quando vimos algo diferente, esteticamente, que foge da realidade que estamos acostumados, nada nessa realidade faz sentido. Por isso mesmo, somos criaturas que discriminamos, muitas vezes, porque sempre vamos procurar o nosso semelhante. O medo, nesse caso, opera como uma defesa daquilo que desconhecemos. Não convivemos e não sabemos o que vão fazer. Medo de nós, pessoas com deficiência, porque não sabem como vamos reagir ou o que somos. Parece absurdo, mas não é. Julian que estuda com Auggie, fazia vários bullyng com ele (Auggie), a todo o momento, na verdade, porque tinha medo. Isso se confirma na reunião com os pais dele e o diretor, quando a mãe disse que Julian tinha pesadelos. Se era para proteger ele, não podemos saber. Mas existe a “liçãozinha” do mestre Yoda, o medo pode gerar a raiva, a raiva pode nos levar ao lado escuro da FORÇA. O lado escuro é o fechamento de uma ideia. É não sair da caverna e não ver o mundo de verdade, diversos de seres humanos diferentes, diversas possibilidades de realidades possíveis. Nos obscurecemos sempre quando desconhecemos algo, quando ficamos isolados, estamos com medo. O medo gera a raiva daquilo que poderemos nos tornar, pode até mesmo, ser superior que nós.

Auggie mostrou ser capaz de ser bom em alguma coisa, que para mim, não há nada de errado. Julian se achava humilhado por ainda carregar o estereotipo do perfeito ser bem-sucedido, o imperfeito é o inferior, o sujeito que não é capaz. Mesmo se não quisermos, temos mais concentração (por causa do nosso costume da cadeira de rodas). Mesmo se não quisermos, temos mais atenção e isso tambem é mostrado, tanto no filme, quanto no livro, sentia a Via, irmã de Auggie. Auggie tirava notas altas. Ter sucesso é ter boa aparência, ter boa aparência, é ter perfeição. Claro que você deve ter boa aparecia, se vestir bem, ter uma aparecia, mais ou menos, agradável. Acontece, que a sociedade confunde em ter boa aparência, com a perfeição. As empresas pedem boa aparência, mas confundem, em ser perfeito. Isso não existe. Isso é padronizar uma aparência e a padronização, sem dúvida, é uma ditadura. A ditadura da perfeição.

O filme e o livro “Wonder”, é uma resposta ao mundo da perfeição. Dos comerciais de margarina. Dos programas de televisão que impõem vários padrões que a sociedade deve ser. Se Palacio escutasse a música da Pitty, Admirável Chip Novo, ela iria ver que tem também a ver. Sendo um mundo governado pela a esquerda, pela a direita, não importa. A padronização estética sempre vai ser um condicionamento humano, dominar os seus desejos, dominar os seus gostos, dominar os seus impulsos. Desde a idade média, já se faziam isso e gostaram. Outra coisa que a escritora coloca, Via encontra um namorado negro, o negro intelectual, amante de violino. Lá nos Estados Unidos, é uma acentuado esse preconceito, mais do que aqui.


Enfim, o filme não foge muito do livro que eu recomendo (não li as continuações). Só vamos mudar isso por meio da educação, mas não a escolar que constrói o ser humano social, mas a educação familiar. Mostra aos mais jovens que o Auggie, mesmo com aquela aparência, ele é um menino como os outros. Um menino que gosta de Star Wars. Um menino que não quer ser exemplo de nada, só quer ter amigos e curtir com os amigos. Desconstrói a ideia do “exemplo de superação” – que os estudanenses já superaram – que é, pelo menos aqui no Brasil, uma ideia predominante. Bom filme, bom entretenimento, boa interpretação dos atores.