segunda-feira, 31 de julho de 2017

Vamos falar das crianças deficientes da Romênia?





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Por Amauri Nolasco Sanches Junior 



Outro dia eu escrevi um texto chamado “ROMÊNIA COMUNISTAMATAVA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA”, onde mostra o que acontecia com as crianças com deficiência na época que a Romênia passava por uma ditadura comunista. Daí vi a ética das pessoas, porque essa notícia teve muito pouca visualização não só do público, como uma camada muito significativa de pessoas na mídia, procuram muito pouco esse tipo de coisa. Na notícia eu vi como é estar com deficiência num regime que exaltava o trabalho braçal, não é à toa, que o maior símbolo comunista é a foice e o martelo. E não é muito diferente do regime nazifascista – já que os dois são primos -  porque eles como exaltava o trabalho braçal, pessoas com deficiência e doentes, tem muito pouca perspectiva de vida dentro desses regimes.

A questão toma um outro rumo quando você vê notícias feitas para indagar teorias da conspiração – como escrevi a matéria “PRINCESA DIANA MORREU POR SABER A VERDADE? ” – Contém várias visualizações. A questão é: até que ponto as pessoas perderam o senso de sensibilidade? Até que ponto ético, perdemos o senso de nos colocar diante de um fato que crianças com deficiência estavam morrendo porque funcionários judiavam dessas crianças por judiarem deles? Como eu li na matéria que deu origem do meu texto, imaginem crianças “cagando” nos pratos que comiam, imaginem crianças tendo deficiência por causa de maus tratos, imaginem crianças, literalmente, apodrecendo em uma cama porque ninguém iam cuidar dela. Não podemos imaginar porque não vivemos numa ditadura, porque nascemos já na transição da democracia. Vivemos em plena liberdade, mexemos com nosso Facebook, mexemos com nosso computador, escrevemos as besteiras que quisermos, porque não vivemos isso. Não estou falando que é o paraíso, mas também não é o inferno.

Dentro da filosofia a questão vai um pouco além, digamos que isso é o fruto dos mitos e coisas místicas que ainda rodam o mundo. Afinal, quem quer assumir que somos animais fracos, limitados e um dia a morte vai nos levar? Que os governos que estão aí são governos que pusermos aí? Não existe essa história de nova ordem mundial – se existe, com certeza não vai durar para sempre -  não existe sofrimento que perdure para sempre. Essa é a questão, a “Lady D” era um ser humano como outro ser humano, traiu também o marido (claro que isso não muda o fato que o príncipe Charles, ter feito sacanagem, mas é tema para uma outra discussão), teve seus interesses e teve seus momentos de fraqueza, mas não acho que ela foi uma “coitada”. Assim como o vocalista da banda Metallica, James Hetfield, não é um “mostro” por caçar ursos, a discussão gira em torno do “vitimismo” e a cultuação de certos elementos sociais.


Isso com certeza, é um fenômeno mediático (como adora falar a nossa extra esquerda), no modo de sempre enxergar o que eles querem que nós enxergamos. Afinal, o que interessa crianças morrendo com deficiência em ditaduras? Não pensem que isso foi um caso isolado, muitas ditaduras fizeram isso, muitas sociedades fazem isso, inclusive, as indígenas e não se pode interferir. Você já viu crianças ou adultos com deficiência saindo na China? Você já viu pessoas com deficiência serem padres ou pastores? O Estado Islâmico, baixou um decreto que crianças com deficiência iram ser mortas. Realmente, patético, né? Para que se preocupar com mazelas que não interessam?




sábado, 29 de julho de 2017

Do nada ao suicídio: uma sociedade niilista






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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu li várias matérias sobre o vocalista do Link Park e ninguém falou sobre o assunto, se falou muito em “santificar” o ato como se fosse um ato de sublimação do próprio ato. Seria como: “ah, o cara teve seus motivos e não devemos julgar ele” e esse é o problema, se não “julgarmos” o ato em si, nunca chegaremos ao fator principal que é o niilismo social. Isso é uma questão muito séria e pouco discutida: a geração do Chester Bennington, que é a minha, foi criada sem ideologias e viu as maiores ideologias ruírem. Claro, que sempre tiveram nomes artísticos que eram depressivos e se mataram, não tiveram coragem de ver o mundo como ele é e talvez não tiveram estrutura para ver o mundo verdadeiro. São pessoas, que dentro da filosofia, chamamos de românticos. Romântico não é aquele que manda flores, faz cartinhas com coraçãozinho, ou faz declarações inúmeras, mas é aquele que ver um mundo idealizado pela visão idealista.

 O idealismo romântico é sempre achar que as pessoas devem caber dentro de um cubo que você constrói diante de uma ideia, mais ou menos, fantasiosa do mundo a sua volta. O socialismo é um idealismo ideológico que matou muito mais do que o nazismo, que aliás é um idealismo também. Assim como, essa ideia que o mercado e a democracia vão salvar a humanidade junto com a ciência, que é outra bobagem. Não que sou a favor de regimes ditatoriais, não que não acredito na tecnologia como técnicas para transcender, de repente, a limitação do nosso conhecimento, mas sempre temos fé em algo metafisico além de nós. Então, a geração do Chester que é a minha também, tem a ideia, mais ou menos, que o mundo não tem mais salvação porque as pessoas estão se matando e ainda, mesmo com a internet, mesmo com os regimes democráticos, mesmo com essa relativa liberdade, a fome e a guerra estão aí. O que fazer quando a promessa da técnica e da razão falha? O iluminismo falhou? Relativamente, sim.

O iluminismo acreditava que o ser humano iria sair da ignorância com o conhecimento e a ciência técnica, coisa que o século vinte se provou que não. Não deixamos de matar por coisas ou ideologias (como o nazi-fascismo e o social-comunismo se fez), não deixamos de acreditar em seres metafísicos que nos dominam para fazer atos errados. Seres metafísicos que eu digo são personalidades, que muitas vezes, não existem e só é mais uma desculpa para esconder o mau-caratismo de alguns. Então o que nos resta se todas as ideologias ruíram de vez? Nada. Nos resta assistir o fracasso tanto das ciências, que é lógico que só é um instrumento inventado para melhorar nossa vida, quanto as ideologias que não levaram o ser humano a nada. Povos foram quase exterminados com a ciência, o ateísmo matou quanto mais do que a religião. Quero dizer que deve haver um equilíbrio entre a intuição (sentimento) com o pensamento (a razão), como Aristóteles disse um dia. A virtude é sempre usar a ciência em beneficio humano, mas na maioria das vezes, as pessoas têm medo da ciência, tem medo de que tudo que se acredita, seja destruído. Isso tudo é um romântico e Nietzsche era um romântico.

Todo roqueiro que se preze é um pouco romântico, porque ele é contra o sistema, ele é contra aquilo que ele mesmo passou a acreditar que fez ele sofrer, o mundo é um verdadeiro inferno. Mas como um que sou, eu vejo diferente, vejo o rock em si uma espécie de válvula de escape, que muda é que sou mais “fisiológico” com a vida. Tem milhões de coisas lindas e maravilhosas, mas por outro lado, crianças morem todo dia de alguma causa, velhos são maltratados, seres humanos se explodem por causa de ideias malucas e seres humanos votam em “mentecaptos” completos. Ainda fazem pesquisas para dizer que o outro povo é o mais “idiota”, mas votam em presidentes que fazem um discurso com “bico”. Quem não teria depressão? Quem não deixaria de acreditar que o mundo tem jeito?


A depressão pode ser uma limitação que demos a nossa própria espécie em sempre achar que se tem tudo, que se ganha tudo, somos seguros da dor. A dor é um ótimo exemplo de transcendência da própria vida, porque sem a dor, nenhum santo era santo, nenhum garoto pobre era bem-sucedido e as coisas não eram superáveis. Nada vem fácil.  As coisas fáceis sempre vêm acompanhadas de desprezo, daí temos uma pista ótima, de onde vem o suicídio. 


Princesa Diana morreu por saber a verdade?



quinta-feira, 27 de julho de 2017

Teleton na web: a ética dos esquecidos



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu estava lendo o texto “TELETON FARÁ 20 ANOS E GANHARÁ VERSÃO ONLINE”, fiquei pensando sobre essa questão da web e me veio uma outra questão. Como o Teleton tem um estúdio se a unidade de Nova Iguaçu, no RJ, está quase fechando? Como uma entidade “filantrópica” pode ter um diretor de marketing? Quem sabe o básico de administração e sabe o básico de marketing, essa ferramenta só vende algum bem e algum serviço, vender quer dizer que alguém compra. Além do mais, vamos ser honestos, quais seriam os 4 Ps na questão? O produto, o público, a praça e a promoção.

O produto é aquilo que você quer vender, aquilo que o cliente (seria o público), quer desse produto. Mas qual o produto nessa questão? O tratamento da deficiência. Mas se é um produto, então, quem paga esse produto? Essa é a questão, se o dinheiro vem da família, ou o dinheiro vem do governo, os contribuintes pagam. A praça é onde esse púbico pode estar ou é onde os anúncios podem ser veiculados e muito pior, o anuncio tem que vir com uma promoção. Entenderam dos bonequinhos? Sempre promovam algo como se atingisse um número muito grande de pessoas. Daí chegamos a algo das pessoas com deficiência que ninguém imaginou, por incrível que pareça, se ganha dinheiro com a deficiência e muito. Ou você acha que a igreja criou casas de caridade para abrigar essa gente por bondade? Quantos os nobres não doavam para ir ao paraíso? Isso não é diferente e tão pouco menos lucrativo, porque mexe com o sentimento das pessoas.

Essa deveria ser uma questão ética, porque tem a ver com conceitos de ver e sentir o que o outro sente, e essas coisas deveriam ser ensinadas nas escolas. Nem acho errado ensinarem religião nas escolas como forma de ensinar um caminho ético, o problema é qual religião que poderia ser ética sem passar pela questão ideológica. Por outro lado, não acho que um sujeito ateu ou laico, de modo de aceitar qualquer religião, seja muito mais inteligente do que as outras pessoas. É uma questão de comodidade, porque é muito mais fácil ser ateu e não pensar fora da caixinha do que o povo prega. Não acho que existe salvação na deficiência, nem na religião, nem na ciência. Por falar em ciência, duas coisas fazem esse “sucesso” do evento Teleton: primeiro, é a medicalização que mostra um monte de criança com deficiência que precisam ser cuidadas ou tratadas; segundo, a sensibilidade de fazer com que a deficiência seja uma “vitima” e que a criança, supostamente, pode morrer se não tiver um tratamento adequado ao que é mostrado. Ou seja, a medicalização é uma porta bem grande para a vitimização e isso é muito perigoso para a questão da deficiência. A grosso modo, muita gente ganha muita grana, ou com a medicalização da deficiência inventando tratamentos milagrosos, ou com a vitimização da deficiência que faz aparecer entidades santificadas e exemplos de superação, o resto, é só besteira.

Eu estou com 41 anos, passei 26 anos na entidade, estou ainda numa cadeira de rodas – eu andava em andador até os 14, depois eles suspenderam o tratamento – e nenhum tratamento que eu fiz, melhorei. Isso mostra que a ciência não vai fazer milagres e nem que a entidade esteja com esse tipo de ciência, somente fazem uma fisioterapia, fazem um tratamento fajuto e acha que fazem algum tratamento. Sugaram o que puderam da grana do meu pai, e quando meu pai ficava desempregado, ainda desconfiavam dele. No meu livro recente, “O Clube das Rodas de Aço - Tratado sobre o Capacitismo”, falo um pouco sobre isso e como eu vejo entre a filantropia e a fraternidade, pois, ser filantropo e diferente de ser fraterno.


Para ser transparentes, como mostra o texto, deveriam contar que não conseguem manter suas unidades, que a grana toda, é para pagar o marketing. Na verdade, a AACD é ainda uma entidade que exige uma filosofia que não cabe mais no mundo de hoje e para dizer a verdade, estão pouco se linchando com a inclusão.  Mas a questão é: até quando vamos ter que aguentar esse tipo de chacota?


 cinvute

terça-feira, 25 de julho de 2017

Romênia comunista matava crianças com deficiência

segundo o Ministério Público romeno, crianças deficientes eram mortas (crédito:Google)

Quem nunca assistiu ao documentário Chuck Norris vs #Comunismo, no #Netflix? O documentário fala como era o comunismo romeno e o que fez acontecer a revolução de 1989, que levou a morte do ditador romeno Nicolae Ceaușescu,,,

Analise das muitas frases ouvidas por cadeirantes



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

O que seria a linguagem para o ser humano? Dês de tempos imemoriais o ser humano se comunica com a linguagem e com ele expressa os seus diversos conceitos, valores que recebeu durante a sua infância através da educação. Então, quando falamos de frases, muitas vezes, falamos de conceitos de linguagem do que fazemos e o que somos. Quando, nós os cadeirantes, ouvimos muitas vezes frases que remontam o reflexo que o nosso povo tem da imagem estereotipada da deficiência que de algum modo, ainda é vista como uma imagem de doentes ou fracos.

1. “Tão bonita e na cadeira de rodas”

Vamos analisar a frase de maneira bem apurada, ou seja, vamos analisar a frase por cada elemento linguístico e gramatical. A pergunta é óbvia: quem é “tão bonita”? Isso já faz referência a um sujeito oculto que alguém designou a alguém como demonstração de qualidade, ou seja, quando começamos com “tão” estamos colocando um adverbio de intensidade. Porque “tão” é para aumentar o adjetivo “bonita” como se fosse uma beleza fenomenal, muito intensa. Esse “tão bonita” é uma questão de exagero para explicar ou para “dar” uma “desculpa” que por estar em tal condição não poderia ser “tão bonita”. O mesmo, isso eu já ouvi, será olhar uma criança e dizer “tão bonita e está na favela”, “tão bonita e está fazendo isso”, “tão bonita e está chorando”, como se existisse um padrão de ser bonita e ter um comportamento de acordo com a imagem que temos das pessoas bonitas.

Mas por outro lado, o que seria ser “bonita”? Será que é uma questão estética subjetiva? Eu acho que a beleza é algo que diz respeito ao que acreditamos ser belo, não há nenhum padrão de ser bonito ou bonita, porque posso achar algo bonito, a outra pessoa pode não achar. Depois vem “e na cadeira de rodas”, como pessoas com “cadeira de rodas” não fossem ou não devessem ser bonitas. Mas a cadeira de rodas é um substantivo concreto, é um instrumento de locomoção, um instrumento para transporte de pessoas com um tipo de mobilidade reduzida. A cadeira de rodas não pode ser “medida” nem de beleza e muito menos, de caráter.
 
2. “Como é na hora do sexo? ”

Diferente do que alguns podem julgar, eu não interpreto essa frase como uma curiosidade se os órgãos sexuais funcionam. Pode até ser que com a padronização da deficiência – graças as patéticas novelas que colocaram todas as deficiências em uma e todo cadeirante se torna paraplégico – que pensem que não temos desejos e nem uma vida sexual, porem acho, que isso é uma visão infantilizada da deficiência. Por outro lado, devemos nos atentar na estruturação da frase que torna mais clara quando analisamos com mais afinco.

Começa já com um “como é” indicando uma curiosidade, como se fosse “como é dirigir? “ou “como é morar na catinga?”. Podemos perceber que o “como é” é uma estrutura que já denomina algo além da curiosidade e demonstra um certo julgamento estereotipado. Ou seja, essa mesma frase tem a ver com a primeiro, porque “tão bonita e na cadeira de rodas” e depois vem a pergunta “como é na hora do sexo? ” como se fosse uma visão só. Claro, que além disso, demonstra uma certa falta de sensibilidade em invadir uma coisa intima que vai de pessoa para pessoa. E depois, não estamos falando de “copulas” animais, estamos falando de “relações sexuais” de seres humanos.

3. “Você precisa de ajuda para ir no banheiro? ”

Daí vamos entrar em um conceito que é muito além do linguístico, porque veja, cada pergunta completa a outra. Assim como é uma forma de invadir o íntimo das pessoas com deficiência na “hora do sexo”, também é uma invasão perguntar a um cadeirante como ele faz para ir ao banheiro. Porém, há sim pessoas que precisam ajuda e a pergunta acima não é de todo ruim.

4. “Não sabia que você conseguia fazer tanta coisa assim!”

Todo mundo sabe que o “não sabia” é inerente do ser humano, porque ninguém sabe tudo o tempo todo. Existem sim cadeirantes chatos que não gostam, mas “não saber” não quer dizer que “não pode fazer”. Apenas a pessoa não sabia e não saber não é discriminação. Mas a frase muda de foco se a pessoa convive com o cadeirante, porque  vai além do “não sabia” para “não quero saber”.

5. “Não cansa ficar sentado o dia todo na mesma posição?”

Por que não poderia cansar? O que essa pergunta demonstra é o puro despreparo de pessoas que mais uma vez, padronizam a deficiência. Existem deficiência que podem mudar de posição, podem ficar em pé segurando, e até os paraplégicos, levantam a “bunda’ para não acumular escaras nela.

6. “Que bom que você tá passeando, faz bem tomar um arzinho!”

Nem todos os cadeirantes estão “passeando” ou tomando um “arzinho” e sim tendo uma vida como qualquer um teria. O que acontece é um pouco culpa do próprio cadeirante, faz uma grande coisa uma coisa que seria normal, como fazer fisioterapia, como trabalhar ou como fazer milhões de coisas.

7. “Que bom que mesmo estando na cadeira você é feliz!”

Por que a cadeira de rodas poderia ser um divisor entre ser ou não feliz? Ser feliz é muito diferente, do que ter felicidade. O “ser” é uma natureza nata e “ter” é uma natureza sintética do modo artificial, porque “ter” a felicidade num outro momento, pode não “ter”. Mas a cadeira de rodas não faz parte da nossa natureza, mas não faz.

8. “Seu namorado (homem ou mulher sem deficiência) é um anjo na sua vida, né? ”


Não. Os namorados e namoradas de cadeirantes que não tem deficiência são pessoas que não podem ser classificados de “anjos” ou “enfermeiros” ou coisa parecida. Nem mesmo cadeirantes ou outra deficiência, não pode ser um “demonstrador” de caráter, isso é muito perigoso. Porque fica parecendo algo extraordinário ser uma pessoa com deficiência ou namorar uma.

9. “Tenha fé que Deus vai te curar”.

Eu ter ou não fé em alguma religião, não me faz uma pessoa a procura de uma “cura” para a minha deficiência. Depois, nenhuma deficiência é uma doença para ser curada e sim, temos que aceitar o fato de que somos pessoas com deficiência. Ter fé é uma aposta, se existir Deus você ganha vida eterna, se não, você nunca vai saber.
10. “Se você for na minha igreja será curada”

Só tenho uma resposta a essa afirmação: não! Eu não vou a essas igrejas porque não quero coisas e sim, quero apenas acreditar que existe uma força maior que construiu e fez o universo e não deve nenhuma explicação ao ser humano.

11. “A fulana, amiga minha cadeirante, é super feliz. Você deveria conhecê-la”.

É? Legal. Mas eu não gostaria de conhecer essa pessoa só porque ela é cadeirante e nós não somos uma espécie de clube. Afinal, amizade vai além do que uma cadeira de rodas e sinceramente, tenho muitos amigos não cadeirantes.

12. “Você é um exemplo de superação”.

Essa frase é clássica e demonstra como a mídia constrói uma cultura estética muito grande. Estou “superando” o que mesmo? Não tenho que superar porque não tenho a menor obrigação de demonstrar nada a ninguém, como qualquer pessoa. Mas tenho a plena consciência que alguns cadeirantes usam sim isso para ganhar dinheiro, para entrar na mídia, para ficar conhecidos e por aí vai.
13. “Você é muito guerreiro”.

Eu sou um libertário e somos contra qualquer tipo de violência. Que guerra nós travamos?

14. “Você ainda vai curtir muito a vida”


Ué, eu estou curtindo muito a vida escutando música, escrevendo e ainda mais, vivendo. O que a minha cadeira de rodas não deixa eu viver?


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Ética e inclusão: uma lei que não funciona

Cadeirante cai do elevador do ônibus em Guarulhos


sábado, 22 de julho de 2017

Lula critica PSOL e deputado Jean Wyllys responde

Jean Wyllys responde o ex-presidente Lula (crédito:Google)



deputado federal Jean Wyllys (#PSOL-RJ), disse nessa sexta-feira dia 21, que acha estranho e curioso que o ex-presidente Lula não seja tão duro assim com os mesmos partidos que Wyllys chama de “direita”....(aqui)

Vamos falar de inclusão de verdade?




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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Essa semana estava vendo um vídeo do canal “VAI UMA MÃOZINHA,AI? ” da Mariana Torquato e fiquei refletindo sobre o que ela disse. Como agora faço alguns textos na revista Brasting News, meu veio na telha em fazer um para esse vídeo chamado: <ÉTICA E INCLUSÃO: UMA LEI QUE NÃO FUNCIONA>, quem quiser conferir estará linkado no nome do texto. Mas no meu blog eu me sinto mais à-vontade, mesmo o porquê, lá tem algumas regras e tenho que respeita-las. Bom, vamos as ideias.

Não e muito novidade o que a Mariana mostra no vídeo, existem empresários que não querem contratar e só contratam por causa da multa e existe as pessoas acomodadas que não querem nada com nada. Nessa equação quem quer realmente trabalhar, é prejudicado, pois, se existem pessoas com deficiência acomodadas em sua maioria, o governo não vai se esforça em uma fiscalização de verdade. Afinal, para que se deve gastar o dinheiro do contribuinte com fiscalizações sem a menor necessidade? Por outro lado, sem o menor trocadilho, estamos numa era onde a sociedade está deficiente de ética, pois, tanto a ética, quanto a moral exigem o caráter e os costumes. Enquanto o ato ético visa a necessidade de avaliar os seus valores educacionais familiares, o ato moral vai avaliar o ato dos costumes que temos como sociedade. É ético, por exemplo, honrar um relacionamento com outra pessoa sendo fiel a ela por uma questão de caráter. Não andar pelado em uma via pública, é um ato moral, pois, os costumes da nossa sociedade não permitem estamos nus numa via pública.

Aristóteles, que viveu trezentos anos antes de cristo, escreveu que as pessoas felizes são as pessoas éticas. O “ethos” grego heleno, era muito mais do que uma questão de caráter, era quase uma questão espiritual de chegada a “eudaimonia” que era uma espécie de paraíso da consciência. Não à toa, quando somos éticos ficamos com a consciência em paz, quando ficamos fazendo coisas antiéticas ficamos com a consciência pesada. Acontece que quando dizemos que é ético não fazer aquilo, sempre é um ato do indivíduo enquanto aquilo que ele acredita ser certo ou errado, ou seja, um ato sempre sai do caráter de cada um. Enquanto a moral, é um ato que envolve os costumes que uma sociedade abriga, por exemplo, é imoral uma pessoa sair nu no meio da rua porque os nossos costumes não aceitam esse ato. Explicando isso, fica muito mais fácil analisar o que Aristóteles queria dizer e o filósofo prussiano, Immanuel Kant, que viveu, mais ou menos, mil e oitocentos anos depois. Kant vai dizer que não devemos fazer nada que não fosse moral, porque esse mesmo ato, seria copiado nos atos alheios. Como dizem no meio da programação algorítmica, algo como, um loop eterno.

Então, por que o ato do empresário que não contrata pessoas com deficiência é um ato antético e ao mesmo tempo, imoral? Antiético no sentido estético, porque seria mais ético ele contratar a pessoa que tem a capacidade de trabalhar naquele cargo e não se tem ou não alguma deficiência, pois, se o empregador coloca a deficiência acima da capacidade, então, além de ser um capacitismo (preconceito com pessoas com deficiência), ainda mostra os valores que aprendeu em julgar pela aparência. Imoral porque não enxerga que a sua empresa tem sim um valor social – embora os libertários vão ficar nervosos – porque sem as pessoas não há produção, sem as pessoas não há consumidores, sem as pessoas não há lucros e ser egoísta só vai ainda mais, aumentar o prejuízo. E quando você tem um ato de contratar as pessoas pela aparência, seja ela qual for, nós já sabemos como a empresa se comporta com os consumidores.

Em contrapartida, existe sim pessoas com deficiência que se acomodaram e não querem fazer nada, está cheio nas redes sociais e até mesmo, dentro de muitos movimentos. Isso não é novidade nenhuma, porque a mãe colocou na cabeça do sujeito que ele não pode fazer nada, o pai colocou que ele não pode sustentar ninguém por não poder trabalhar. A questão vai muito longe disso, é uma questão dos valores que esses pais receberam quando criança. Vamos imaginar pessoas que sempre foram ensinadas que pessoas produtivas eram pessoas perfeitas, que pessoas com deficiência não serviam para nada e que eram internadas para não “dar trabalho” e aí, num dia, nasce um filho com deficiência. Lembramos que essas pessoas não conviveram e não sabem como proceder, assim, refletem no filho uma imagem de coitadismo e não sabem que ele pode fazer muitas coisas sim. Muitos pais de hoje mudaram a posição, fazem questão que os filhos estudem, fazem questão que seus filhos façam o que desejar. Por que? Porque conviveram com pessoas com deficiência de alguma maneira, ou tiveram muito mais contato com pessoas com deficiência. Mas a culpa não é só da educação, mas do próprio deficiente que se acomoda na situação.

Governos populistas tendem a achar meios para se popularizarem e dar ao povo “regalias” para ele se sentir satisfeito, ele se sentir amparado e gozando de alguma liberdade. Vamos ser sinceros consigo mesmo: quem não quer escolher uma profissão e ganhar um salário digno do que se preocupar em perder um benefício de um salário mínimo? Mas muita gente vai dizer: “ah Amauri, mas nos países estrangeiros também tem esse benefício”. Não, não tem. O que se tem é uma ajuda de custo conforme o que a pessoa gasta enquanto é reabilitada e é um programa fora da previdência, pois, não é uma aposentadoria e sim um dinheiro para a despesas. Em alguns países, as pessoas têm um emprego garantido, as pessoas com deficiência têm até as cadeiras de rodas motorizadas subsidiadas, ou seja, as cadeiras de rodas não têm impostos. E por outro lado, não venham com essa “conversinha” que não existem escolas adaptadas, que não existe emprego porque não estudei que não cola. Eu fiz três cursos, um numa ETEC, outros dois online, quem quer faz.


Portanto, bora agir.