segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Democracia burocrática



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Nós, os brasileiros, não sabemos ser democráticos e isso é bem claro em alguns aspectos. Primeiro, adoramos um ESTADO que nos prejudica de todas as maneiras e temos horror a privatizações, sempre argumentando que estamos dando nosso patrimônio ao capital estrangeiro. Para começar, o capital estrangeiro, principalmente o capital norte-americano, não precisa de privatizações para ganhar dinheiro à custa de povos estrangeiros e isso é bem claro, para quem tem uma visão muito mais ampla de política do que a das mídias manipuladoras. Sempre acreditávamos, pelo menos eu, que o capital estrangeiro ganhava com privatizações e com empresas privadas e essa é a ingenuidade, pois com a estatização se tem a burocratização que aumenta ainda mais a corrupção. Aliás, a corrupção é “fruto” direto da burocratização tão enraizada ainda na nossa cultura luso-brasileira (Portugal vive situações semelhantes à nossa). Depois, esse amor todo pelo ESTADO e a ilusão de democracia, é como ter um escorpião de estimação e mesmo ele te picando, sempre vai  tê-lo sempre perto de você.  Claro, que a democracia é o melhor regime que temos, mesmo o porquê, eu como escritor não seria “idiota” para querer uma ditadura: mas, acho que em alguns aspectos a democracia é injusta e não visa o bem-estar da maioria, e sim, sempre vai visar aqueles que conseguem manipular melhor. Mas, sem dúvida, é o melhor regime que a humanidade tem hoje.

Todo esse problema tem raízes muito fortes com o nosso “coronelismo” com o qual fomos sempre educados e não me venha achar que você respeita a democracia que não, não respeita não. O brasileiro (eu não tenho isso de verdade, portanto, eu me excluo “fora dessa”), gosta muito de ser bajulado, porque por natureza, nós seres humanos, gostamos de pessoas que concordam conosco. Eu já fui muito assim e sei muito bem como que é, sempre o que pensamos está certo, sempre o que acreditamos está certo, sempre o que lemos está certo e o pior, o Deus que oramos sempre é o verdadeiro. O resto é coisa do “demônio” ou coisa do tipo. Toda essa baderna não é culpa das escolhas eleitorais dos cidadãos é sempre culpa de algo externo, a culpa de alguns não darem certo é sempre do outro e não a nossa culpa. Quem mesmo compra a carta de motorista do filho? Quem dá caixinha para ser o mais “visado” da rua e agradar? Quem suja a rua com sofás, pneus, peças de carro velhas e etc e colabora com as enchentes? Claro, que os “esclarecidos” vão dizer que são os “demônios” que rodam em volta e induz eles a jogar esse lixo ou a votar nesses políticos, mas quem vota ou quem suja é cada um de nós com nossas próprias escolhas. Eu não posso ter ou dar a minha opinião, pois, passo sempre no lado do “inimigo” e não vendo livros, não vendo as minhas coisas e o que é pior, algumas empresas espionam os perfis das redes sociais para ver qual a sua opinião e qual é a sua conduta religiosa, sua conduta ideológica e a sua deficiência, se você tiver uma, sua escolha sexual e se você tende a ser um “subversivo”. Como podemos ser democráticos desse jeito?

Uma vez eu fui expulso de um grupo só porque disse que o pessoal gostava de ver homens de shortinho correndo atrás de uma bola depois que um sujeito disse que não poderia participar de um debate no grupo por causa do jogo. Ora, quem em sã consciência perderia dizer que perderia um debate importante por causa de um “jogo medieval infantil”? O futebol (latinizaram o Football), para quem não sabe, era um jogo que adultos não jogavam e sim, crianças da Era Medieval. Até há uma briga entre a China e a Inglaterra quem inventou o jogo primeiro, mas sem dúvida nenhuma, é um jogo infantil e isso prova como somos infantis e queremos sempre algo lúdico para torcer, algo lúdico para ter como um “herói”. Sempre quando pensamos em herói, pensamos em um semideus, um alguém que vive salvando todo mundo. Algo que não existe. Mas voltamos ao caso do grupo. O grande estopim para eu ser expulso do grupo foi o sujeito me mandar ver novela, algo que mostra a infantilidade e a bipolaridade de nossos brasileiros adultos, eu só respondi (foi um crime gravíssimo), que não vejo TV e fui expulso. Fui tomar explicações com a dona do grupo e ela me chamou de arrogante. Podemos até fazer um exercício filosófico para saber o porquê eu, na minha sinceridade, fui chamado de arrogante e que não era bem-vindo ao grupo.

Primeiro, eu cometi o crime de não gostar do que a grande maioria gosta e isso é fato, o nosso povo não tolera que não concorda com eles. Pode até saber que aquela informação é mentirosa, pode até saber que aquele time está ganhando porque o juiz roubou ou até, que o carro mais veloz da F1 é o favorito para ganhar; mas por acomodação, a maioria da humanidade “fecha seus olhos” para admitir que são feitos de idiotas. Não idiotas no sentido moderno para criar um estereotipo entre o normal e o anormal, para de repente, os deficientes mentais (que mesmo com toda as informações possíveis, ainda são chamados de idiotas). Não é isso que quero dizer, quero dizer o idiota do mundo clássico grego que se fechava para si e não queria participar da sua polis, era o idiotike que era antônimo de politikon, ou seja, se você não era um politikon (cidadão preocupado com a polis), você era um idiotike (um cara que não quer saber da polis). Pessoas fechadas se tornam alvo fáceis de políticos e gente inteligentinha, que gosta de manipular as pessoas em sua volta. O idiota clássico sempre me passa a imagem da “loira burra” que não enxerga ou finge não enxergar a realidade.

Segundo, nós sabemos que todo mundo no brasil que diz com segurança e bastante certeza o que pensa, fica com a imagem de arrogante e metido. Porque somos uma cultura construída pela igreja católica que gosta da imagem do “humilde” que se humilha e faz voto de pobreza, simplesmente, para entrar no reino dos céus. Somos um país católico e fim de conversa e não me venha me dizer que a comunidade evangélica está crescendo, que até os protestantes daqui tem um ar de católico que faz voto de pobreza dizendo ser uma provação de Deus. Então, todas as pessoas seguras e que fazem bastante sucesso são os “metidos” e arrogantes da história, porque Jesus disse que era mais fácil um camelo entrar num buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Mas a explicação é outra e muito mais profunda do que uma simples promessa de pobreza (talvez, eu escreva um texto sobre isso um dia). Até mesmo, o espiritismo, tem um ar católico e canonizar pessoas importantes (mesmo sabendo que são espíritos em evolução moral) ou fazer rituais, que não é o objetivo. Isso mostra que sim, o Brasil é um país católico, temos aversão ao sucesso, temos aversão a tudo que o outro conquista e é culturalmente, aceitável. Uma prova claríssima é a cultura protestante norte-americana, eles não têm aversão ao sucesso, a américa latina, tem. Portanto, eu sou arrogante em dizer que quem está seguro da sua sexualidade não brigaria por causa dos “homens de shortinho” e sou metido por não vê tv. Onde já se viu uma pessoa não vê tv nesse mundo? Onde já se viu você não gosta do football? Isso mostra perfeitamente, que burocratizamos a amizade.

Ser democrático é ser ético consigo mesmo e ter segurança daquilo que você quer para você, pois se você este seguro do que você é, não vai encrenca com a opinião do outro. Se sou contra o a esquerda socialista (existe milhares de tipo de esquerda), não vou encrencar com quem é a favor porque eu sei do que acredito. Não vou ter uma discussão medíocre e fica chamando a pessoa de “mortadela” ou “petralha”, mesmo o porquê, isso mostra muita o grau de imaturidade que se tornou a discussão política. Só a nível de exemplo, vi dias desses uma postagem que mostrava o que parecia um fragrante do filosofo Mario Sergio Cortella numa convenção do PT. Ora, ele nunca escondeu que era de esquerda e sempre disse que foi sim filiado ao PT e outra, pode ser cruel o que vou dizer aqui, mas não vou deixar de ler seus livros por causa disso, mesmo não gostando do PT. As discussão política, não pode virar torcida organizada de football, mesmo o porquê, saiu do ramo político, todo mundo lá é amigo e “cumpanheiro”. Eles sim “democratizam” ate mesmo a “roubalheira” e lá funciona a democracia, o povo mesmo, não é democrático e não sabe pensar por si mesmo.


Burocratizamos a amizade, burocratizamos os relacionamentos, monarquizamos a paternidade, burocratizamos o casamento, burocratizamos a aceitação. Se pensarmos profundamente, até as redes sociais são burocratizadas, são reduto do fascismo popular que assola o país ainda como se fosse bonito e certo. É cristão rejeitar o outro por uma deficiência física ou uma escolha sexual? É uma atitude ética ficar expondo crianças doentes, pessoas necessitadas, montagens descaradas em nome de uma vaidade disfarçada? Acho que na essência, a filosofa Marcia Tiburi tem razão (tanto relutei, mas é bem a verdade), somos sim, um povo fascista. 




terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O único filho de Ragnar



Ivar Ragnarsson (Old Norse: Ívarr; died possibly 873, nicknamed the Boneless (hinn beinlausi), was a Viking leader and by reputation also a berserker. He was a son of the powerful Ragnar Lodbrok, and he ruled an area probably comprising parts of modern-day Denmark and Sweden....In the autumn of 865, with his brothers Halfdan Ragnarsson (Halfdene) and Ubbe Ragnarsson (Hubba), Ivar led the Great Heathen Army in the invasion of the East Anglian region of England.:
Ivar Ragnarsson (Old Norse: Ívarr; died possibly 873, nicknamed the Boneless (hinn beinlausi), was a Viking leader and by reputation also a berserker.







Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Duas coisas fizeram escrever esse artigo. Primeiro, no dia internacional do deficiente que foi comemorado no dia 3 de dezembro, não escrevi nada a respeito. Claro que já escrevi muito sobre como ser uma pessoa com deficiência num país que ainda pensam que defender nossos direitos é coisa de comunista ou esquerdista, que ainda se pensa que não pensamos, não sentimos e não somos seres humanos. O problema é que não se pode esperar um outro pensamento de um país que não tem como prioridade a escola básica, a educação escolar boa que ensine o ser humano a ser humano e que os pais aprendam a criar os filhos a ser e não a ter. isso não é coisa de comunista, isso é coisa de ser humano decente que sabe educar e não acha que é uma obrigação alheia isso. Mas temos ilusões e uma delas é a máxima que é tudo, se doar dinheiro para o Teleton todos os problemas acabam e o mundo dos deficientes fica muito mais colorido. Pois não fica e vou explicar o porquê.

Num país que você vira para o ESTADO que diz não ter deficiente qualificado (detalhe, qualificado é dar qualidade a alguém e a alguma coisa), para determinado cargo. Como pode ainda dizerem isso? Fora que a maioria dos bancos, estatais ou não, tentarem burlar a lei de Cotas para PCDs empregando o cidadão com deficiência e ficar boicotando o seu serviço para ele ser mandado embora. Agencias de emprego, como a ISocial, ainda insistem em pedir junto com o currículo, o laudo médico como se a empresa ainda tenha que avaliar não pelo currículo, mas pela deficiência e isso é muito ruim para nós. Ainda enfrentamos milhares de obstáculos para estudar e fazer curso por ainda acharem que não temos capacidade de estudar e o nosso lugar é numa escola especial. Exagero? De maneira nenhuma. Só fazer uma longa pesquisa para saber que a maioria das coordenadoras pedagógicas, a maioria das diretoras de escolas, são ainda a favor da escola especial. Que as pessoas com deficiência não podem trabalhar e devem ficar internadas para não dá “trabalho”, para não atrapalhar no passeio, para saber que o mundo não foi feito para pessoas como ele, imperfeitas, que não podem fazer muitas coisas. Isso é humano, isso é o lado animal primitivo que ainda vê a selva e o modo nômade, que ainda vê o modo de guerrear e conquistar, que ainda vê que a condição limitadora é um limite entre quem pode ou não ser considerado ser humano.

Não sejamos hipócritas, a sociedade não quer pessoas que sejam diferentes ou que pensam diferente, isso é da natureza humana. Aqui se uma pessoa tiver tatuagem existem empresários que não contratam, existem pessoas talentosas que não são reconhecidas porque são consideradas pessoas diferentes. Sejam da ordem física, sejam de ordem sexual, sejam de ordem de qualquer escolha. Você tem que se “ajoelhar” aos conceitos humanos e do senso comum para se conseguir as coisas, para vender, para ser visto. Meu livro O Caminho a temática é pessoa com deficiência, mas não vende e tem uma receptividade muito baixa porque foi mal compreendido, acharam que era um romance romântico. Por que? As pessoas necessitam de rótulos e esses rótulos são necessários para a construção de estereótipos, pois, há uma construção de diferenciação do objeto conforme o seu objetivo. Para o senso comum, por exemplo, romance é sinônimo de romântico e nem é assim, às vezes, um romance pode ser histórico, pode ser fictício, pode ser erótico, pode ser religioso e por aí vai, sem ser romântico. O romance é uma narrativa que entre os personagens há algo comum.

Daí entra o meu segundo motivo para escrever esse artigo. O estereotipo das pessoas com deficiência sempre foi, não muito diferente em tempos em tempos, de ser um “fardo” para a sociedade em geral. Se hoje é assim, imagina no mundo antigo que eles matavam as pessoas com deficiência como se fossem, animais sem serventia. Na verdade, a concepção de filho e de criança é muito recente, antigamente, se um filho morresse era como se morresse um animal de estimação. Essa desumanização transvestida de caridade religiosa, teve seu cume na eugenia norte-americana e o nazismo que nos chamou de “sofredores eternos”. Ainda imagina nos séculos de invasões Viking? Na série Vikings da History Channel que é transmitido no canal NetGeo, mostra muito isso, como era nesse tempo.

A serie conta a história do lendário guerreiro viking que virou rei, Ragnar Lodblok (calças peludas), onde claro, apenas é uma história romanceada, pois não se sabe muito sobre sua vida. Mas falamos do seu filho rejeitado que quando bebê, o próprio Ragnar deixou para morrer na floresta e só sobreviveu por causa da mãe dele. Essa rejeição é mostrada muito bem dentro da série, quando Ragnar trata o filho como um “pobre coitado”, mas de alguma maneira, o ama. Talvez, não sei mesmo, há uma verdade dentro da série que tidos podem ver, o Ivar é o único que sempre apoia o pai e vai para a Inglaterra vingar a destruição do assentamento e lutar e se forem fiéis a história dele (pois modificaram a lenda que ele teria morrido na invasão de Paris de cólera), morrerá num covil de cobras. Quem matara o rei que fez isso com a “águia de sangue”? Mas faz parte, dentro de uma história mundial, subestimar aquelas que tinham um estereotipo mais ou menos definido dentro de uma perspectiva histórica, como vários deficientes foram imperadores, foram pensadores, foram escritores (até dizem, ser Homero um cego).

O que parece que devemos salientar nessa passagem? Primeiro, a parte sexual não tem nada a ver com a parte da má-formação das pernas, nisso o produtor errou e errou muito feio. Pois raras são as doenças de nascença, que causam deficiência, causam impotência sexual e isso é muito perigoso para difundir mais preconceito. Depois, fica claro dentro da trama, que as coisas vão ser diferentes dentro da batalha da Inglaterra, se Ragnar morrer dentro da trama mesmo dentro do covil. Mas, a mensagem que sempre gosto de deixar é que a deficiência não deveria ser colocada como um limite de personalidade e de perspicácia, como a criada disse para o Ivar sofrendo, todo homem pode transar e fazer essas coisas, mas únicos podem ser verdadeiros filhos de Ragnar.

O que podemos pensar? Muitos são aquele, de uma maneira ou outra, vencem e outros que querem que vençam por ele. Talvez, podemos dizer que Ivar mostra que os vencedores, mesmo sendo filhos de um rei, devem vencer e dar valor a esta vitória, pois depois de tudo que escrevi e ainda não te convenceu que o mundo não vai te dar nada de “mão beijada” e vimos isto na história humana. Vamos dar um viva a aqueles que superaram seu tempo.







sábado, 3 de dezembro de 2016

Mitos e Heróis

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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

O termo mito vem do grego antigo “MYTHÓS” que quer dizer “discurso”. Podemos afirmar, que mito é um discurso que os gregos antigos tinham, para narrar as grandes batalhas ou a origem de um deus ou algum rei corajoso importante. Aliás, se tem que tomar muito cuidado quando tomamos mito ou mitologia como uma mera fantasia, pois, um mito nem sempre eram inventados e sim, tinham um certo proposito de divinizar esse rei ou guerreiro. Também a função do mito na Grécia antiga, era narrar os feitos desses reis e guerreiros transformando em heróis para os mais novos, achassem bonito em seguir aquele mito. Hoje se tem muito a gíria “mitou”, mas poucas pessoas sabem que as pessoas que são chamadas assim são pessoas que tem a narrativa para transformar um ser humano em um herói que não é. Como se diz hoje muitos pensadores, o ser humano espera um “messias” para salvar o mundo, mas todos nós somos seres humanos.

Na história humana sempre se criou “messias” para levar a massa aonde queriam levar, como Homero narrava uma guerra que matou milhares de pessoas, durou 10 anos de cerco grego a Tróia, foram traiçoeiros em colocar soldados dentro de um cavalo de madeira; destruíram a cidade inteira, mataram, pilharam, e sabe se lá mais o quê. Só por que um príncipe raptou uma mulher espartana que fugiu? Estranho não? Há milhares de lendas e mitos que fazem uma “romanização” da história, pois, a verdade pode soar muito cruel aos olhos de quem quer convencer. Pois, quem iria contestar uma guerra de 10 anos por causa de uma única mulher? Hoje sabemos que muito provavelmente, houve causas muito mais comerciais e gananciosas do que um romance de uma rainha espartana.

Não precisamos ir muito longe para afirmar em mitos, houve milhares dentro das guerras mundiais que estouraram no século vinte. Hoje sabemos que o nazismo foi fruto da eugenia norte-americana, do antissemitismo europeu que povoava no século dezenove e foi uma ótima desculpa para um pintor frustrado levar multidões a aceitarem as suas ideias. Que as indústrias norte-americanas ganharam muito dinheiro com as guerras, as empresas americanas (isso Fidel Castro não estava mentindo), colonizou Cuba para comprar terras muito mais barato e além disso, a liberdade deles não são tão liberto assim. Essa imagem heroica que os americanos sustentaram após a guerra e através da guerra fria (onde o filme Rambo é sua maior crítica), é uma mitologia moderna de cultuar heróis para nos sentimos esperançosos com este mundo onde tudo (usando o termo do sociólogo Sigmund Bauman) ficou liquido e as pessoas não se apegam mais em valores que no mundo antigo, eram considerados coisas nobres. Isso me fez lembrar de um episódio do seriado Família Dinossauro que todo determinado dia as pessoas uivavam em uma montanha, até que foi questionado isso, pararam e quando pararam a cidade começa a ter conflitos e há um caos. Saber o porquê daquilo é importante, mas mudar aquilo repentinamente, causa uma desnorteamento que pode causar sim um caos desnecessário e eu sou conservador em alguns aspectos.

Sempre que há um mito há um herói e no mundo antigo, um herói era sempre um filho dos deuses e esse filho, salva porque ele tem um superpoder. O Superman é um herói porque é um ser que tem um superpoder, mesmo ele não ser filho de um deus (nas mitologias ufológicas seres elevados são como deuses), mas é uma narrativa de um ser que salva o mundo dos perigos e é “amigo” da justiça. Para entender esses personagens do século vinte (que não eram diferentes da antiguidade), temos que entender um único pensamento do filosofo e filólogo alemão Nietzsche, quando no seu livro Gaia Ciência diz que “Deus está morto” e que a própria humanidade o matou. O que ele quis dizer? Nietzsche quis dizer que a humanidade ou quem detém o discurso do poder, como diria Foucault, mataram o discurso metafisico que criava uma certa medida de medo, para criar uma divinização da ciência como algo que poderia criar uma humanidade melhor. Isso veio em parte do iluminismo e concretizou no positivismo, mas houve uma outra ruptura que criou uma quebra dos valores (pelo menos nobres), que não existe sentimentos, não existem respeito, o que existe é o EU que na psicanalise de Freud, diz que isso causa a neurose. O que é uma pessoa neurótica? Uma pessoa neurótica é sempre achar que é perseguida, que algo especifico é ligado a ela e vai acontecer exatamente, quando ela chegar com ela e tem que ser ela. Tudo é em torno de si mesmo.

A quebra de Deus e o homem (Deus enquanto religião mesmo), de uma certa forma, desumanizou o ser humano a só pensar numa melhora instrumental (tecnológica) e não uma melhora moral, como se só importa o que ele tem e não o que ele é. O que ele tem constrói todo um estereotipo daquilo que deveríamos seguir e não o que somos, o que fazemos e o que temos como caráter (ética). Nietzsche estava decretando o homem assassino de valores verdadeiros, valores que a muito foram esquecidos para dar lugar ao seu próprio ser como um niilista racional que era apenas uma máscara. Na verdade, Nietzsche nunca deixou verdadeiramente o cristianismo como ordem moral, mas deixou como algo religioso que muitas vezes, as pessoas se apegam como um algo que vai ainda acontecer. Afinal, para o filosofo, o importante é o agora.

Então, quando você vê um herói como o Superman, sempre lembre que precisamos agora ver o herói como algo concreto e muito romantizado para gostar dele. Embora hoje, a juventude já goste de personagens que são iguais a nós, que tem sentimentos iguais a nós, que tem um viés de realidade e que a ética seja igual o que somos. As indústrias de entretenimento, tiveram que mudar seus heróis para agradar uma juventude que não mais acredita na utopia (conto fantástico que pode acontecer), mas na distopia de um mundo onde elas vivem e sentem que estão confortáveis lendo. Um Superman ético e moral que fez tanto sucesso até a década de 80 assim, mudou para um ser questionador e até mesmo, uma arma mortal para os terráqueos mandado para destruir a Terra.

Estamos vivendo uma ruptura de utopias enraizadas como verdades absolutas e vendo que todos nós somos humanos, somos pessoas que erramos e estamos ainda descobrindo o motivo disso tudo. Assim, toda a minha reflexão é o que eu refleti quando ouvi um comentário de uns dos radialistas da Jovem Pan dizer que é muito perigosa essa mania popular de transformar pessoas que estão ali para a função que foram designadas, em heróis e semideuses da verdade. O juiz Sergio Moro, está fazendo um trabalho excelente, mas ele como todo o Ministério Público é um servidor público e um ser humano. Porque vamos dar brechas ao populismo de direita (embora eu não ache que no Brasil temos partidos de direita), que foi uma excelente arma para o nazismo e o fascismo tomarem o poder assim como o populismo de esquerda deu brecha para os soviéticos. Claro, sempre lembrando que não existe só esquerda socialista e comunista, existe esquerdas de outras ordens.


Portanto, só por isso, eu não acredito que há heróis, que há seres acima do bem e do mal, acima de qualquer coisa. Estamos num processo muito sério de evolução, a evolução não pode ser apenas a evolução tecnológica, mas uma evolução moral. Somos falhos e se o ser humano não entender que precisamos encontrar a nós mesmos antes de encontrar ao outro, não de afirmar personagens sociais, não vamos entender o que Jesus disse que a verdade nos libertará. Que verdade libertará o homem de ilusões? Libertará de heróis e assumir suas próprias escolhas? Quando amaremos sem esperar do outro algo? Quando veremos defeitos e qualidades? Não acho que o ser humano pode fazer isso hoje, mas a quebra de mitos é uma grande promessa de sermos mais humanos e pouco confiantes em pessoas que usam a massa. 


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Mad Max e a filosofia



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior



A muito tempo eu venho ensaiando um texto sobre a saga de Max Rockatansky e sua redenção como um ser humano e por outro lado, na minha visão, ele é um anti-herói libertário. Teve pessoas que disseram que ele queria se redimir de tudo que ele fez nesse último filme “A Estrada da Fúria” (The Road Fury), mas isso não é verdade, pois, o filme se passa muito provavelmente, 8 ou 7 anos após a morte da sua filha e da sua mulher que dará uma margem entre o primeiro filme e o segundo. Como eu sei isso? Pelos sonhos que ele tem ao longo do filme, porém, não há uma contagem exata para sabermos dentro da saga dos 4 filmes, e então, é só uma hipótese. Também podemos dizer que entre os filmes há uma margem de 2 a 3 anos dês da morte da sua família, o que mostrara um mundo cada vez mais anárquico ou com comunidades isoladas de ex-combatentes ou pessoas civis que viram governantes dessas cidades no deserto.

A saga mostra um mundo pós-guerra nuclear, no segundo filme, mostra que foi por causa do fim do petróleo e vários recursos foram parando, hoje sabemos que é uma visão reducionista e limitada, mas na época (meados de 1979) fazia todo o sentido. Afinal, estávamos em uma guerra fria entre URSS e EUA e apenas um motivo (pelo menos, era esse o medo do mundo todo) nos levaríamos a uma guerra nuclear de proporções gigantescas. A radioatividade levaria a um surto de câncer, bebes com mutações genéticas, além claro, de um inverno nuclear de uns 50 a 60 anos que levariam a seres humanos a morrerem congelados e reduziria ao máximo a humanidade toda. De alguma maneira isso é mostrado no filme, pois, a Austrália se reduziu a um território desértico com várias comunidades isoladas e sem nenhuma comunicação, porém, não se fala aonde ficava as comunidades que Max frequentava.

Diante desse cenário de um ponto bem amplo há uma ligação muito forte com a filosofia de Hobbes (1588-1679), onde o povo precisa de um governo central senão, ele começa a guerrear entre as comunidades, pois, afinal, o homem é o lobo do homem. Mas gosto da visão do filosofo brasileiro Luiz Felipe Pondé (1959), tirando toda a tecnologia e toda a comunicação, governos e tudo isso, voltamos facilmente a era neolítica, porque somos na verdade, símios brincando de homens civilizados e racionais. É o que vimos dentro do filme, o homem perde a capacidade de ser um ser humano ético e moral, para dar lugar ao animal instintivo que só pensa em saciar seus próprios desejos. Ao longo da saga vimos bandos de homens fazendo crimes com a desculpa (pois há homens e mulheres que ainda acreditam em um ponto ético e moral), que estão sobrevivendo, mas não é nada disso que acontece, são apenas liderados por loucos que combateram essa guerra nuclear insana.

Indo em torno da liderança desses bandos por loucos que combatem essa guerra adentramos na teoria que os oprimidos quando acenciona no poder, oprimem. Tanto no terceiro (que é estrelado pela Tina Turner) e o quarto filme, vimos pessoas que eram cidadãos comuns virarem opressores de suas comunidades. No terceiro filme, a fundadora é chamada de tia e era apenas uma cidadã comum (não lembro a profissão) e funda a comunidade dando ao seu povo energia graças a metano bruto de fezes de suínos. Só que há um porém, tem um anão e um gigante (que tem deficiência mental) que comanda a usina de força e para lembrar do seu poder, desliga a força para a “tia” dizer que ele estava no comando. Há todo uma simbologia dentro disso que remete a teoria da lógica do oprimido, quando o Master (anão) está com o gigante (Blaster), ele oprime, quando o gigante Blaster morre, vira o oprimido. Não precisamos se esforçar para entender a lógica do poder, onde o oprimido quer oprimir e é, indo muito mais longe, uma natureza do próprio sistema.

Nesse meio todo, existem situações que fazem mostrar a ética de Max e a sua moral, sendo um bom homem (era policial e motorista), mas ao mesmo tempo um homem realista que não acredita em nada. Na verdade, toda a história de Mad Max (Louco Max), gira em torno de uma distopia (muito na moda no final dos anos 70 e ao longo dos anos 80), e um questionamento do homem bom de Rousseau, porque Max com tudo que faz, ainda é um homem que salva quem acha merecedor. A bondade de Max não é uma bondade de um dever, mas uma bondade voluntaria, é a bondade por pura vontade de ajudar as pessoas. Max é anarco-libertário, ele não prioriza além daquilo que é importante para si (tanto, que no segundo filme ele tem um cachorro e salva o garoto no final), mas não deixa as pessoas sem ajuda e sem uma certa justiça. Tanto que todos que ele ajuda, ele abandona em sua peregrinação do deserto, no nada, no vazio. Há uma grande lacuna na vida e nos sentimentos de Max pela perca de quem ele amava, a perca de uma identidade e um proposito dentro da sua vida, como se o mundo e sua vida, não tivesse significado algum.

Muitos podem achar que Max é o Ubermech de Nietzsche, mas não é, pois, não enfrentou aquilo que está em conflito dentro de si mesmo, não olha aquilo que é moral de cima de uma montanha. Ele via a humanidade como aqueles que merecem alguma esperança (talvez, Max não tenha perdido completamente, a esperança de ter humanos bons naquele mundo desértico), e aqueles que não tinham importância, porque deveriam ser mortos. Aliás, Max não matava para fazer justiça ou um dever de salvar (o que ainda existe no Justiceiro e no Wolverine, citando exemplos de anti-heróis), mas mata pelo instinto de defesa e de defender aquilo que ele acha ser certo. Exemplos encontramos milhares dentro da saga e que fica evidente que ele realmente, não quer ser o herói, ele foge do título dês do primeiro filme, como o chefe de polícia dizer a ele que o povo precisa de um herói.

Mesmo sem ser um super-homem nietzschiano, há uma influência de Nietzsche dentro da saga, da transvalorização da moral judaico-cristã. Em toda a saga não há menção de nenhum Deus ou alguma religião, realmente, o Deus cristão está morto e só dará lugar aos profetas apocalípticos e aos loucos que prevê ainda mais, a humanidade entrando no caos e na escuridão. Há uma moral diferente em Max, uma moral que ultrapassa a moral cristã da bondade e maldade, ele não tem pena ou remorso de ter feito ou fazer o que é preciso. No segundo filme é bem evidente isso. Há uma comunidade que se reúne em uma bomba de petróleo e um bando de desordeiros (vamos dizer assim), chega para querer pegar a gasolina que essa comunidade produz. Ele observou um casal que saiu para pedir ajuda em algum lugar, esse casal foi atacado e a mulher estuprada e morta, o sujeito foi gravemente ferido. Max assistiu tudo comendo uma latinha de feijão com um homem amarrado nas correntes, que mostra um sujeito niilista que tem um ressentimento, o ressentido clássico. A única atitude é jogar a lata de feijão para o homem ou cachorro comer o resto, que era a única comida disponível naquela terra devastada. A frieza de Max é compreensível de tudo que viu e vivenciou nesses anos de peregrinação no seu Interceptor (que foi destruído no mesmo filme).

Cada filme da saga é uma realidade que Max vive e cada vez se torna uma pessoa diferente, ou seja, cada escolha que faz torna a percorrer um caminho. Mas, Max como todo herói ou anti-herói, foge do seu destino como no segundo que fez um acordo com o homem ferido de leva-lo de volta e depois, receber em troca gasolina que puder levar. Mas seu carro é destruído, seu cachorro é morto, muitas coisas acontecem para um simples homem ser chamado de “guerreiro das estradas”. Mas a guerra não é com um exército inimigo, a guerra é interna de um cara que acreditava nas leis e na ética humanas, Max acredita agora nas leis maquiavélicas que os fins podem sim justificar os meios, que há um egoísmo necessário para sobreviver e aprender a lutar pelos objetivos como disse a filosofa Ayn Rand. Ele não acredita mais no poder cínico e controlador, ele acredita que o que sair bem sobrevive, o que erra vai morrer. Ajuda as comunidades a serem construídas de forma diferente, sem um poder controlador, sem nenhum mérito no dinheiro ou nos valores que a humanidade acreditava antes da guerra nuclear. A saga de Max é uma saga anarquista, uma saga que começa um mundo diferente e de escolhas diferentes. A humanidade está muito mais realista, a humanidade está mais carente de outros valores, valores estes esquecidos pelo progresso cientifico do século dezenove.


A filosofia de Mad Max é a filosofia do que é e não é normal, a loucura dá lugar ao normal como padrão. Mesmo sendo chamado de louco, Max é o mais centrado, o sujeito que aparece como estereotipo do herói clássico, do cara que salva as pessoas. Mesmo sendo louco, mesmo achando que o mundo não vale a pena, as questões são questões muito mais profunda e tem a ver com ser um humano, reconhecer seu semelhante. Ele mata o bando que mata seu amigo e sua família, ele dirige o caminhão para a comunidade, ajuda crianças a voltarem para Sidney e povoar de novo ali, ele livra uma comunidade de um louco que retém a agua para si. Tudo isso faz parte do recomeço da humanidade e talvez, a continuação do progresso humano em um outro rumo, em uma outra escolha e uma outra perspectiva. A saga de Max é um alerta do rumo que a humanidade se encontra dentro de uma política errônea, sem um equilíbrio necessário para ser livre verdadeiramente e deixar certas coisas de lado por causa da sua pequenez. Como diz a música da Tina Turner do terceiro filme: “Quem precisa de um herói? ”. 


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Direito de não querer “mimimi”



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Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Uma das coisas que me faz ser um humano com deficiência é ser consciente, perceber as outras pessoas e outros segmentos da intelectualidade coerente. Uma das coisas que mais me irritam é as pessoas fazerem das suas opiniões, algo ideologicamente definido. Dois caras que eu gosto muito de ler e de ver falar é o historiador Leandro Karnal e o filósofo Luiz Felipe Pondé, que aliás, ambos também são professores universitários. Karnal é da UNICAMP e o Pondé é da PUC-SP.

Mas algo me incomoda quando o segmento de pessoas com deficiência se preocupa demais com um tema e no outro não, gerando aquela coisa do tipo “eles são bobinhos”. Por exemplo, a Lei de Cotas não funciona (muitas pessoas com deficiência não são contratadas mesmo formadas), pessoas agridem pessoas com deficiência por apenas querer fazer um passeio no Shopping, vagas de estacionamento não são respeitadas e alguns intelectuais com deficiência estão preocupados com que o Karnal disse. Sim, estamos indo na contramão do avanço da inclusão de verdade e determinando, quase a “porrada” a achar no direito de obrigar o outro os termos usados.

Quando eu digo que eu prefiro ser chamado de “deficiente”, mas ser respeitado é a pura verdade. Isso veio da minha mãe, a dona Itália, que sempre dizia que não queria que nenhum filho pedisse “benção” porque, para ela, era secundário; primeiro vem o respeito com a mãe e com o pai (aí se não respeitássemos eles), depois as convenções sociais que ela sempre enfatizava como hipócritas. Então, por que não chamar alguém que tem nanismo de anão? Por que não chamar uma pessoa que tem autismo de autista? Por que não chamar uma pessoa que tem deficiência de deficiente? Eu, sinceramente, tenho serias críticas aos termos usados, porque não só usar um termo alternativo, tem que ter um estudo etimológico quanto a palavra usada.

Outro exemplo é qualificação, pois, qualificar é aquilo que dará qualidade de algo, portanto, eu não tenho a qualidade de nem ser TI, nem de ser publicitário e nem de ser filósofo e sim, estou formado nestas matérias. Ser formado não é o mesmo de ser qualificado e ponto. Mas, culturalmente, somos sempre chamados a copiar os outros países e muito mal copiado, por sinal. E como já disse milhares de vezes no meu Facebook, não adianta sermos chamados nos termos bonitinhos como PESSOA COM DEFICIÊNCIA e sermos desrespeitados nas outras coisas, é desnecessária esse tipo de discussão. Isso é briga de colegial de amiguinho que botou o apelido no outro amiguinho e o amiguinhos deram risadas, não estamos mais no colegial. Somos adultos e a discussão tem que ter um amadurecimento, sem ideologia, sem partido, sem nada, ler e escrever pelado.


Portando, o artigo “Karnal considera ‘mimimi’ demandas dequem só quer representação” do colega jornalista, Jairo Marques, é um artigo que me dá sono (igual os livros do Saramago), porque me dá preguiça. Ele erra em achar que é uma opinião imparcial, pois não é, porque como disse acima, há outros assuntos muito mais relevantes do que eu me preocupar com falas de “professores pops”. 



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domingo, 16 de outubro de 2016

O puxa-saquismo e a má-educação









Por Amauri Nolasco Sanches Junior

O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) dizia que o homem é um animal que precisa ser educado e ele tem razão, não há em todo planeta Terra, animal que precisa passar alguma cultura ao demais. Só que a pós-modernidade fez que essa educação decaísse por conta de vários fatores: um desses fatores foi decisivo para o capitalismo e as instituições financeiras (claro que não sou a favor de uma sociedade comunista, pois mudaríamos a mosca e não a sopa), o consumo e os feriados de consumo. Outro fator é a falsa liberdade que temos dentro do capitalismo, pois não temos, somos iludidos com a liberdade de uma escolha e não é isso que vimos.  Com o forte consumismo e a ideia falsa de liberdade se criou o ser humano com sentimentos líquidos e apenas, idiotas uteis.

Eu já expliquei o que seria esse “idiota” que veio do grego “idiotike” que seriam um não cidadão. Mas eu dou razão para Kant, somos animais que deveríamos ser educados e não somos, pois, a educação que Kant se referia e eu me refiro sempre parte não na escola, mas na sua própria casa. Tanto os romanos, quanto os gregos, não achavam importante uma educação que não fosse boa para o ESTADO e sempre preferiria, educar cidadãos. Mas essa essência se perdeu ou o Brasil nunca teve, afinal, a primeira universidade brasileira só foi fundada por aqui por causa da vinda do rei de Portugal. Sempre criamos os meninos para serem varões, potros reprodutores e as meninas, sinhazinhas que deveriam apenas serem submissas. Hoje a coisa ficou pior, não é só o homem ficou mal-educado e puxa-saco, os gêneros equivalem em graus e em igualdade.

A má-educação impera no meio social pós-moderno e não estou exagerando. Só comprovar numa ida no Shopping em finais de semana e feriado, o povo quase nos atropela e não presta atenção de nada. Pegam brinquedos e quase derrubam o resto, ficam achando ser mais do que são e sempre acham que os outros tem a obrigação e eles não. Eu desconfio sempre dos justos e dos bonzinhos, principalmente de instituições, porque sempre acho que naquele ato de bondade há um interesse por trás. Eu desconfio das pessoas que sempre sorriem no Facebook, que sempre estão em iates e tomando champanhe no Instagram. Sempre vejo um ar de tristeza num sorriso forçado num ato de tentar pegar qualquer atenção (que seria uma migalha), sempre acho que aquela taça, na verdade, é uma sidra e não um champanhe. Quem vai dizer que não?

Não podemos confundir ter educação com ter conhecimento, pois ser educado e saber se comportar diante da realidade onde se vive. Não parar na vaga de pessoas com deficiência e idosos, é um ato de educação e não de conhecimento, porque concordando ou não, aquela vaga não é sua. Deixar um idoso, uma pessoa com deficiência ou uma mulher com bebê no carrinho, no colo ou gravida, por exemplo, é um ato de educação e ter educação é ter respeito com o outro. Respeitar é enxergar a realidade onde se vive, ter educação é saber que o outro tem o mesmo direito de ter desejos, vontades e sentimentos do que você mesmo e isso nenhum diploma de qualquer coisa vai te dar. Isso só pode ser ensinado pelo pai e pela mãe, são essências de sermos seres humanos e não, animais que achamos que tudo se resume no seu próprio umbigo. Os nazistas eram pessoas de conhecimentos diversos, tinha uma erudição espetacular, mas eram cruéis e não respeitavam o outro no direito de também viver, eram assassinos mal-educados.

O termo latino que originou educação é educare, que queria dizer “formar”, “mostrar a realidade” assim como, mostrar como um cidadão romano tinha que ser. Mas isso nem sempre era destinado ao “magister” (sim, por isso existe o magistério), que ensinava aquilo que era para ensinar a um cidadão verdadeiro romano e sim, o “pater”, ou seja, o pai da família. Aliás, quem não tinha dinheiro para um “magister” era assim que era educado. Era preparado para a realidade do mundo, ter respeito pela comunidade. Claro, que existia soberania aquilo que o “pater” resolvia, mas o ESTADO se precavia diante de “abusos”. Então, de onde veio essa ideia que o ESTADO deveria educar seu filho ao invés de você mesmo? Do iluminismo de Rousseau, que ao invés de dizer que o pai deveria ensinar o filho a ter respeito pelo outro, o ESTADO fica incumbido disso. Mas não é para menos, Rousseau era um fracasso como pai e a época que ele viveu, filhos eram como “cachorrinhos”, ou seja, morreu um pode se arranjar mais dois.

O “puxa-saco” – como é chamado o bajulador – é uma outra maneira de má-educação e é uma característica muito forte dentro da nossa cultura, sempre achar que bajulando se ganhara algo em troca. O “jeitinho” brasileiro sempre foi e sempre será uma maneira de burlar o direito do outro, sempre enraizado dentro da nossa cultura. As pessoas dão sempre algo para alguém quando querem ou terão algo em troca, sempre nesse nível, como se isso resolvesse o mundo todo. Contrata filho de funcionários (e são contra despotismo na política), dão coisas destinadas as crianças para os adultos funcionários, dão para uns e não para todos, param em vagas destinadas a deficientes e idosos, acham que os shopping centers são só deles e assim, fazemos uma sociedade de puxa-saco e mal-educados.


Políticos não vieram de Marte e tiveram a mesma educação, empregam parentes, acham que seus benefícios são mais importantes do que do outro, bajulam quem precisa ser bajulado, acham que são injustiçados. Não é diferente da camada baixa da “pirâmide”, onde acham o mesmo, e é evidente, todo o problema do Brasil é somente cultural. Esse amor ao ESTADO nos faz sempre acreditar que existira heróis, anjos de luz ou algo do tipo, para nos salvar e para fazer o que temos que fazer. Não se terceiriza a educação do filho, se educa, se transmite o que é necessário para se criar sempre, cidadãos de verdade. O resto é só conversa fiada. 


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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Por que o PT não se elegeu em São Paulo?





Por Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu não acho que existam no meio da política nenhum “santo” e não apoio o PSDB e nenhum partido, mesmo o porquê, sou um libertário (sim, um ANCAP), e não sou tão a favor do ESTADO. Mas não estava dando para continuar uma prefeitura como era a prefeitura do petista Haddad, que aliás, não tinha administração nenhuma. Talvez, tenha sido um erro ter eleito o psdbista João Dória Jr (só o tempo dirá), mas foi um reflexo muito bem exposto da arrogância petista. Ora, o Haddad não gostava do munícipe, deu teu governo para gerentes de segunda linha terem o controle e o desastre foi feito. Deu dinheiro para pessoas viciadas (que os traficantes agradeceram), deu poder a SPTrans deitar e rolar no transporte público (tanto, que o gerente do ATENDE fazia o que queria e ninguém fazia nada), tirou remédios entregues em casa, tirou a visita residencial para pessoas com deficiência e para o idoso. Além de colocar ciclofaixas em pontos que não faziam sentido, avenidas que não caberiam haver faixas e colocar radar eletrônico em todos os pontos inventando multas absurdas.

A zona leste ficou largada e só fez na zona sul (como Haddad falou no debate), então, essa é a resposta de tudo que está aí e mais uma vez se prova que a esquerda perde por não cumprir suas promessas. Não se governa apenas para uma parcela das pessoas – vulgo munícipe – pois corre-se o risco de ser injusto. Eu acho que a democracia, mesmo sendo o melhor sistema político que temos, é caro e injusto, pois vale um voto sendo que você nunca dará por completo, sua opinião sobre.  Duvida? Vá no Facebook e confira essa guerra infantil entre direita e esquerda.

Os inteligentes ou acham ser, vem com a conversa fiada que os governos de esquerda são mais humanos, mais solidários por ter dado algumas “migalhas” ao povo (não gosto do termo pobre). Não acho. Pelo simples fato de precisar desse governo de esquerda e ele fazer igual os governos de direita fazem, então, porque devo apoiar um governo que é do mesmo jeito? Por outro lado, por achar que as democracias são injustas e muito caras, eu sempre desconfio de pessoas boas que querem achar que no mundo existem só “idiotas uteis”. Não é idiota como o senso comum diz, mas o idiota que etimologicamente o termo veio, ou seja, aquele que não quer saber da vida pública.

Etimologicamente, vem do grego clássico “idiotike” que eram pessoas que não queriam saber nada da “coisa pública” que depois, os romanos vão chamar de “res-publica” e será a forma de organização do ESTADO a partir dali. Aliás, o livro do filósofo Platão só ficou “A Republica” durante, muito provável, na idade média quando redescobriram suas obras a partir dos árabes mulçumanos. O nome é “Politeia”, ou seja, aquilo que é o grande “Leviatã” de Thomas Hobbes. Assim, o que Lenin – líder da revolução russa – queria, provavelmente, dizer que quem não se preocupa com a “coisa” publica. Já o “politikon”, eram os cidadãos que iam a Àgora (praças de discussões políticas) onde eram discutidas as resoluções da “Politeia” e da melhor maneira possível, achar meios de fazer. Claro, que a democracia como forma de governo e de legitimidade de escolha é a melhor maneira política que conhecemos hoje (não a perfeita), mas hoje, ela é bastante injusta e dá um ar de uma ingênua liberdade de fazer e pensar o que quisermos.

Mas cuidado, quando digo para sermos cidadãos (politikon) não quer dizer para ser chato que só existe uma coisa no mundo, não existe. Porém, não vamos ser idiotas (idiotike) que achamos que o mundo é feito de elefantes cor-de-rosa e não é, é muito mais do que isso. Isso é uma alienação. Ser alienado é saber da realidade e não saber o que é real ou não, acreditar que as pessoas são “boazinhas” por isso ou por aquilo. Não acredito na bondade de ninguém. Muitos livros que publiquei não foram vendidos nem aqueles que gostavam dos meus textos, compraram. Sou cético até comigo mesmo. O ceticismo deveria ser o meio onde o filósofo deveria se olha e olhar a humanidade meio de longe, onde as pessoas se confundem e confundem os outros, sempre a culpa da minha desgraça existencial é a do outro. Mas quem escolheu ser o que é? Quem escolheu não melhorar? Aceitar “esmolas” de todo tipo? Para mim um idiota sempre vai ser um idiota a partir de um pensamento pequeno e mesquinho, porque sempre se sente inveja daquele sucedido. Sempre se acha que o bem-sucedido vai nos trazer desgraça, vai nos trazer a escravidão, vai trazer a desculpa de não sermos pessoas melhores.

A vida tem duas vias: ou você fica estagnado numa vida de pobreza e ignorância, ou fica com uma vida bem-sucedida e com conhecimento. Ter conhecimento é ter tudo. Não achamos que aqueles que leem tudo, sabem tudo e testam tudo são CDFs, mas serão os senhores do mundo. Os CDFs (cabeças de ferro), sempre dominaram tudo, sempre vão evoluir acima dos demais por causa do conhecimento. Não confundamos conhecimento com sabedoria ou, conhecimento e esclarecimento. O esclarecimento é a “porta” para o entendimento daquele conhecimento e está bem longe da sabedoria.

Não acredito em “heróis”, não acredito em salvadores políticos, acredito na expressão de Aristóteles “zoon politikon”. Na essência, Aristóteles disse que todo ser humano é um “animal” que exerce a cidadania, que se preocupa com a comunidade e quer sempre o melhor e o mais ético e moral. A grosso modo, a humanidade são seres por natureza, sempre à procura de entender o significado de se saber certas coisas e a política, não é diferente. Não à toa, o mesmo Aristóteles, vai dizer que o ser humano é um ser que busca o conhecimento e ao saber. A internet foi uma grande caixa de Pandora (a ninfa curiosa) que os governos abriram para a humanidade e irá sim ajudar o ser humano a evoluir. Existe esperança no meu pessimismo realista. Mas essa evolução vai ser muito gradual, somos (pelo menos os ocidentais), ainda muito dualistas, muito parciais e muito idiotas em certos assuntos. Não se quer pesquisar, não se quer ter a informação verdadeira, não se quer evoluir moralmente, pois é muito mais fácil acreditar do que ler.


O petismo não ganhou porque se acreditou num projeto de melhorar a política com um conceito trabalhista, mas não podemos achar que o conceito trabalhista é um conceito de “carregar no colo”. Eu, particularmente, sou a favor do ESTADO mínimo que tenha uma economia que dê oportunidades e não que dê falsas esperanças e sustentem os que escolheram viver da pobreza. Sim, existe gente assim. Como existem pessoas que não tiveram mesmo oportunidade, mas que poderiam fazer suas vidas melhores. O petismo não ganhou pela sua ganância e sua maneira irresponsável, de governar. Só.