A bastante tempo venho escrevendo sobre o Teleton e a bastante tempo, venho sempre batendo na mesma tecla, que o capacitismo não vem de fora dos centros de reabilitação – não todos – mas, o capacitismo também está nas entranhas do movimento. Uma prova que o Teleton é capacitista, mercadológico e sem servidão nenhuma, é o que minha colega Claudia Borges disse em um post do seu Facebook:
<<Ao atender uma moça me pede o nome do médico e especialidade, me transfere para marcar consulta, a outra moça pergunta é paciente do Dr. a muito tempo respondo que sim, e também da AACD, ela me pergunta em que andar passa com ele? Você é público ou Convênio? Respondo estou na dúvida se 1 andar ou segundo, e sou Convênio, ela me responde vou te transferir para o 2, pois aqui só paciente particular, e cada consulta é R$ 400,00, me transferiu novamente e mesmo sendo convênio só consegui vaga para 18 de Abril do ano que vem... Agora me explica quem esse teleton ajuda? Pois nem mais convênio tem facilidade, lá dentro quem tá mandando na rapidez da fila de espera e do atendimento é quem tem grana viva. E o povo doando para ajudar quem já tem para pagar....>>>
Eu acho que não há mal nenhum em cobrar em uma consulta, afinal é e sempre foi uma “coisa” particular, mas a AACD deveria ser muito mais sincera e dizer para todo mundo que cobra, que o dinheiro para o Teleton é uma ajuda de custo a mais para a construção de centros de reabilitação. É “espetacular” as pessoas acreditarem ainda em uma entidade que não tem moral nenhuma, para dizer qualquer coisa sobre reabilitação, sobre inclusão. Porque quem faz a verdadeira inclusão não é a AACD e nem o Teleton, tenho até provas, que nada lá é de graça, nada lá é certo ou maravilhoso para se abrir uma emissora de televisão, para esse tipo de espetáculo. E não venham dizer: “ah, na minha cidade ela funciona”, “ah, eles sempre me trataram muito bem e não tenho reclamações”, porque eu sei o porquê da maioria dizer isso.
Tem mais uma outra coisa, ninguém aqui está falando de coisas que não existem, porque existem e muito, num dos comentários do post de colega, havia uma moça dizendo que não fazem RX pelos SUS. Dês de 2013 venho relatando que AACD não faz RX por causa do caso grave da minha noiva, ainda, tenho ressalvas de muito antes em um caso ou outro do que vivo e as pessoas ainda acham ser “mentira”. O caso mais recente da AACD foi descobrir que o entortamento do meu pé, não é uma questão do pé ou da perna, a questão do entortamento do meu pé é a bacia. Inevitavelmente, terei em minha velhice, uma bacia deslocada e muitas outras coisas dentro de um tratamento “porco” dessa entidade. Minha colega Claudia, vai ser atendida em abril, que já é um ganho, pois, muita gente aguarda cirurgia e não tem como recorrer.
O Brasil está falido em suas instituições que deixam a discriminação ser a pauta da vez, faliu a ética e a moral para consultas serem marcadas muito tempo depois. É capacitismo sim, infelizmente, muito comum em nossos dias.
A muito tempo venho falado que as pessoas com deficiência estão
se iludindo se pensam ter algumas representações em alguma instancia – já expressei
meu total apoio do Partido da Acessibilidade e Inclusão Social como uma representação
concreta – estão totalmente enganados. Nenhum partido fara nada a não ser
piorar aquilo que já está ruim, assim, a representação de nós, pessoas com deficiência,
ou fica a cargo dos movimentos populares, ou fica a cargo dos conselhos e
secretarias que não tem poder algum dentro do governo. Seria igual uma medalha
de honra sem ter valor nenhum, sem alguma representação, sem nada que possa
dizer que somos atendidos e muito bem tratados. Ou você faz algo pela causa, ou
faz por você mesmo, ou fica à mercê de serviços públicos sem nenhuma eficácia. Aqui
em São Paulo, ficamos à mercê de empresas de ônibus que além de conservarem
muito mal os ônibus, além de não treinarem as motoristas de ônibus ainda, conservam
muito mal as vans do serviço de vans acessíveis porta a porta, ATENDE.
Não vou contar a história do serviço ATENDE, mesmo o porquê,
não é nossa finalidade dentro do texto em si. Mas, existem três modalidades
dentro do serviço, a modalidade regular que atende tratamentos de semana, a
modalidade eventos de finais de semana e a modalidade eventual, que são de
atendimento médico. O regular também leva a consulta medica, mas são tratamentos
mais diários que dependem de toda a semana, o eventual, seria uma vez por mês. Vamos
falar da modalidade eventos que dão milhares de dor de cabeça não só para mim,
mas para todas as pessoas que tem um movimento – também dá muita dor de cabeça para
o conselho municipal das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida – que tem
que ir em eventos. Para entender a situação temos que entender qual o papel
importante dos movimentos dentro do segmento das pessoas com alguma deficiência.
As pessoas com alguma deficiência não têm mobilidade o
bastante em uma rua do Brasil, são ruas com buracos, ruas sem nenhuma pavimentação,
calçadas irregulares (que chamo de calçadas personalizadas), calçadas pequenas,
calçadas com buracos e outras coisas – como se não pagássemos impostos de tudo
que compramos e até pagamos impostos dos aparelhos que compramos (mesmo os que
adquirimos pelo governo) – que dificulta o trafego e dificulta as pessoas com deficiência
terem uma vida mais ou menos, “normal”. Os movimentos têm o papel de não só lutar
pelos direitos das pessoas com deficiência, mas tem o papel de tirar essas
pessoas de dentro de casa para o mundo lá fora. A questão das pessoas com deficiência
vai mais além do que o capacitismo, porque a questão das pessoas com deficiência
vai além do “direito”. Arrisco dizer que passa a ontologia (do grego onto que é
homem e logos que é estudo), o estudo do ser que se transforma dentro do arquétipo
(que vem do grego arké que quer dizer “principio”) que são a imagem que temos
das coisas e para as pessoas com deficiência, o arquétipo da deficiência ao
longo dos séculos, é um motivo muito plausível para se ter a duvida da
capacidade.
Quando não tem transporte, aonde o movimento vai fazer esse
tipo de trabalho? Se não houver transporte, como as entidades terão capacidade
de tratamento? Se não houver transporte, como vamos estudar, como vamos ter
lazer, como poderemos trabalhar? E ainda defendo que mesmo se houver um usuário
na van, aquele usuário paga seus impostos, seus familiares paga seus impostos
para cada van custar R$ 14.000 mil reais para a prefeitura. Usualmente, elas não
saem de graça, elas não são caridade do poder público, custa muito para o contribuinte
que tem que arcar com serviços públicos de má qualidade. Elevadores quebrados, pisos
de dentro da van inadequados, entre muitas coisas, que saem de cada bolso de um
suor obrigado, massacrado de não ter, muitas vezes, como sustentar sua família.
Mas, é obrigado a sustentar o poder público e o dinheiro não volta, nem no
transporte, nem na saúde (tratamentos nos postos de saúde das periferias não existem),
nem mesmo na educação. Não precisamos ideias capacitistas de assistencialismo
teletonianas, que alimentam mais a incapacidade da sociedade de nos ver como
ser humano. Mas, precisamos de uma educação inclusiva, uma eliminação definitiva
a ideia inata (arké platônico), de uma imagem inexistente de uma pessoa
incapaz. Sem o transporte não podemos nos locomover (direito a ir e vir), não podemos
ter saúde (direito a vida), não podemos ter educação (direito ao aprendizado) e
também, acima de qualquer imagem, não temos nem como trabalhar naquilo que
escolhemos (direito da livre escolha).
Espero, sinceramente, que o prefeito João Dória – acima de
qualquer ideologia política partidária – arrume tudo isso, que até o momento,
está gerando imensas confusões. Primeiro, que dez dias para marcar um evento é
muito e gera confusão, por exemplo, mandei fichas para o dia 15, 19 e 26, e somos
informados que as fichas não chegaram e não vamos poder ter o evento nesses
dias. Segundo, nenhum técnico que faz a programação do horário do transporte
regular, andou no trajeto que ele acha conhecer. 20 minutos de uma estada a
outra a 50 km é até motivo de piada, porque sempre agora, eu chego atrasado na
minha fisioterapia. Terceiro, a qualidade da maioria das vans é péssima, as
molas de carreto as vans pulam muito, a qualidade é “podre” e nem uma
carrocinha de cachorro poderia ser desse jeito.
Como diria o orador romano, Cicero, “até quando iremos
aguentar isso?”.
Mesmo alguns colegas, por razões ideológicas ou praticas,
fazerem duras críticas, o tema da redação do ENEM foi interessante. Mesmo o porquê,
a questão da educação para surdos – esse politicamente correto ficar chamando
de pessoa com deficiência auditiva é muito chato – não é debatida e tem muito a
ver, não só os surdos, mas outras deficiências. Na ilustração está: “SOU SURDO
E PÓS-GRADUADO EM MARKETING. E NA SUA EMPRESA, TEM ESPAÇO PARA MIM? ” e embaixo
está escrito: “TRABALHO NÃO TOLERA PRECONCEITO, VALORIZE AS DIFERENÇAS”. É uma
verdade e ninguém enxerga e ainda chama o ENEM de “comunista” por defender as
minorias, trabalhando, para quem dirige as empresas não eticamente. Na verdade,
bem educadamente, devo dizer que a grande maioria nem sabe o que é socialismo e
comunismo.
Voltando ao tema do ENEM, já expliquei milhares de vezes que
dentro da publicidade e do marketing há sim, uma grande gama de preconceito e
desrespeito. Mas, se as pessoas não têm ética nem em coisas simples como as
vagas de pessoas com deficiência – inclusive, uma mãe se machucou muito ao
tirar a filha do carro, vejam aqui – quanto mais, contratarem pessoas com deficiência
nas empresas? A ética tem a ver com o caráter, com o costume de uma sociedade,
se uma pessoa está vendendo um trabalho – sim, senhores de engenho não existem
mais – o empresário ético não está preocupado em seu estado físico e sim, sua
total eficiência. A questão é como lhe dar com a diversidade, porque além do
mais, o investimento pode voltar em dobro. O que é um investimento de adequação
para surdos? Software até mesmo gratuitos, o mínimo de adequação, para de
repente, ter uma eficiência mais eficaz do que uma pessoa que não tem uma deficiência.
Pessoas sem deficiência estão preocupado com a sexta-feira, pessoas sem deficiência
está preocupado em viajar, está preocupado com a saída da sexta-feira à noite e
se encher de cerveja. As pessoas com deficiência podem sim fazer isso, mas de
um jeito muito diferente, sem reclamar e muito mais, com vontade de trabalhar. Daí
é um negócio meio platônico-espinoziano.
Platônico, porque o amor para o filósofo grego, é tudo
aquilo que lhe falta. Para nós, pessoas com alguma deficiência, nos falta
trabalho naquilo que gostamos e estudamos. Afinal, investimos nos estudos comprando
livros, nossos pais levaram a escola, fizeram fichas para o transporte público,
investiram em aparelhos como transplante coclear, cachorro guia, cadeira de
rodas, aprendizado de libras, aprendizado de leitura de lábios, bengalas,
muletas entre outras coisas, como aguentar a má-educação de entidades como a
AACD. Sempre aquilo que nos falta é aquilo que nos traz prazer em fazer, traz
uma oportunidade em mostrar nossa eficiência e vontade. Para sermos felizes,
dizia Baruch Spinoza, que viveu no século dezessete, temos que potencializar a
nossa vontade ao ponto de você fazer aquilo com muita paixão. Juntando aquilo
que falta (oportunidade) e aquilo que lhe traz prazer (vontade, que para mim, é
como ter tesão).
A redação do ENEM é um modo de provocar a discussão que a
uns 30 anos estamos tentando começar ela – que começa com a lei de cotas de
empreses para pessoas com deficiência – porque, a discussão é preciso e está
muito além da ideologia de esquerda e direita. Está além da moral, porque a
moral está relativa dos costumes, mas, essa discussão tem a ver com o próprio costume
e caráter. A questão é a ética das empresas, a ética dos costumes, é modernizar
o Brasil que só tem teias de aranha, e essas aranhas, são o preconceito. Parabéns
MEC.
Duas coisas me chamaram atenção e me fizeram escrever esse
texto: uma é que o ser humano está transformando o outro em mero objeto. Depois
é a ideia que nós filósofos não temos essa aptidão de ter relações, porque
analisamos a vida muito além do que o ser humano comum. Eu não posso, por
exemplo, enxergar o ser humano e seus defeitos, como o outro idealiza e nem
posso “fechar meus olhos” por causa da não ofensa. A questão vai muito além do
que aquilo que emerge do senso comum. Portanto, um cara que não foi ético, seja
quem for, é um cara que não foi ético e ponto. Filósofos tem a tendência de
serem como “moscas” ou cachorros no caso dos cínicos, a encherem o saco para
fazer o ser humano sair desse mundo no qual ele vive, nem todos conseguem ou
aguentam o “Palácio de Cristal” ruir.
Esse Palácio de Cristal é um palácio idealizado e construído
durante o reinado da rainha Vitoria do Reino Unido – na verdade, quem construiu
foi o seu consorte Albert – para mostrar o que a humanidade tem de melhor entre
o artesanato (manual) e o industrial (maquinário). Acontece, que o escritor
russo Dostoievsky, não acreditava muito nessa ideia de “mundo melhor” e de uma
humanidade que constrói e tem ideias nobres. Os artigos publicados numa
revista, vieram a ser transformado no livro “Memórias do Subsolo”, onde ele
coloca tudo de ruim humano na boca de um burocrata revoltado. Assim, quando você
diz que você derrubou o palácio ou castelo de cristal de alguém, você está
acabando com a idealização de uma ideia daquela pessoa de um “mundo perfeito”. Acontece
que não existe mundo perfeito, acontece que não existe um relacionamento sem ao
menos, sinceridade. Mas o que é a verdade? O que é a ética e no que isso
implica na realidade?
Quando falamos da verdade, estamos falando da realidade e a
realidade não tem padronização, porém, existem termos que podemos classificar
os objetos. A realidade nem sempre é os termos e tudo aquilo que enxergamos, às
vezes, tudo aquilo que vimos são realidades condicionadas dentro de uma ótica
social. Um grande argumento, melhor de todos, é o argumento do Mito da Caverna platônico,
que seres humanos estão acorrentados dentro de uma caverna escura desde seu
nascimento. Esses seres humanos estavam virados em uma parede vendo sombras,
essas sombras vinham de um fogo atrás desses humanos e na parede, onde olhavam,
estavam sombras que todos tinham como realidade. A realidade era incorporada em
sombras por toda a vida desses humanos, mas eram apenas, outros seres humanos
carregando objetos para fins diversos (Platão não deixou claro). Por razões desconhecidas,
um desses seres humanos se soltou dessas correntes e encontra a saída dessa
caverna, que quando sai encontra uma luz muito forte, que o cega por um
momento, mas logo se acostuma com ela vê uma outra realidade. Só que ele vê flores,
vê os insetos, vê os animais e vê o Sol sem artificio de chamas ou algo desse
tipo e encontra uma outra realidade. Esse ser humano volta e quer livrar os
outros dessas correntes, esses seres humanos rirem dele e diz que está louco,
de tanto insistir, os que estão na caverna o matam.
Claramente, Platão descreve o filósofo, aquele que sai da
realidade de todos e nos diz que a realidade é muito mais do que isso e é morto
ou esquecido por razões obvias. Vamos a um exemplo prático, uma colega lhe pede
um conselho, você é um filósofo, você não pode ir contra aos seus princípios
éticos, aí ela te pergunta sobre presentes de um ex-namorado que lhe traiu, que
lhe magoou, que jogou literalmente, ela na poça da lama. Você diz um “legal”,
como se você não soubesse onde essa história dará – para mim traiu uma vez, não
para por aí não, mas tudo bem – aí ela te acusa de menosprezar o cara por você ser
escritor e o cara é personal-bombado, não é poeta, não é nada além de um
pequeno pedaço de carne em pé. Ela desfaz a amizade e diz que você pode pensar
o que você quiser. Claro, isso é uma história para ilustrar como estamos a todo
o momento “armados” e que, um filósofo de verdade, pode derrubar o “castelo de
cristal” da princesa que não pode ser contrariada. E é obvio que um filósofo pensa
o que ele quiser, ele não precisa de “castelos de cristal” para se apresentar, ou
para se manter, ele é “amigo da sabedoria” e não pode ficar presos em mazelas.
Quando nos deparamos não com a realidade que estamos presos,
mas com a realidade de fato, a essência do “cogito” – que Descartes vai mostrar
em “penso, logo eu existo” – onde nos deparamos com nossa própria existência,
nós podemos ver, que há uma ética dentro da realidade. Daí as coisas fazem um
pouco de sentido, porque você não é mais convencido pelos outros, você é
convencido por você mesmo. Voltando a nossa colega, ao invés de ficar “nervosinha”
conosco, poderia parar e pensar além das aparências (Platão ever). Por que dos
presentes? Por que insiste tanto com ela e porque traiu? A nossa colega iria
chegar a mesma conclusão do cara que saiu da caverna, a luz vai ofuscar a sua visão
(a confusão), vai ver que o cara está te enrolando, irá ver que uma relação é
feita de um contrato e esse contrato é mantido na ética. É muito melhor ser ético,
você não tem que esconder nada, você não tem que tomar cuidado no seu Facebook,
você nem se importa com suas redes sociais. Como diz um ditado popular: você pode
não acreditar, mas presta a atenção.
Na essência criamos uma geração “mimada” que não aguenta
dorzinha nenhuma, como se o mundo fosse o que eles querem que seja. A Alice
sempre sai do “país das maravilhas”, porque não existe mundo melhor ou pior,
aliás, o mundo e o universo não estão nem aí com você. Eu sou um cara prático e
cético, eu não acredito em “carne fraca”, “castelos de cristal” e nem “mundo
melhor”, pois, o mundo e a realidade somos nós que fazemos. Se você acredita em
buda, não há muita diferença com a filosofia platônica, que a realidade é construída
com o conhecimento, que se você trai a si mesmo, não será diferente do outro.
Eu prometi que não ia mais escrever sobre deficiência e ia
me dedicar ao meu livro que estou escrevendo de filosofia. Mas duas coisas
fizeram eu escrever esse texto: uma é a frase da Laís Souza “"Não quero me
adaptar à cadeira de rodas de jeito nenhum. Quero fazer o contrário: sair dela.
” (aqui) e a outra coisa, é a banalização da deficiência. Porque a questão da deficiência,
em termos críticos filosóficos – como eu gosto de analisar – é um tema estético
normativo social. Você não deve ser feliz se você não andar e ser igual as
outras pessoas, você não pode ser um ser humano se você está numa cadeira de
rodas e isso que a Laís faz, ela usa e banaliza a deficiência, se fazendo de vítima,
se fazendo de “guerreira inclusão” que consegue dar uma mijada. Mijar, uns
sozinhos e outros com sonda, conseguem e devem conseguir, porque o sistema
digestivo pede quase, mandando que você mije e defeque. Não é mérito, é
necessidade. E a imprensa faz um trabalho de “porco”, achando que eu e você não
entendemos, que ela consegue controlar a “bexiga urinaria”, que é bem
diferente.
Outra coisa, nós sabemos que começa essas conversas é por
causa do evento do Teleton, porque é para sensibilizar. A mim não sensibiliza e
sou totalmente, contra esse tipo de campanha, porque há muito dinheiro além das
doações (a AACD recebe do SUS). Além que ela ganha R$ 4 mil reais por mês, quem
fazia o esporte que praticava, não era barato. Não é um esporte que se pratica
aqui e as outras pessoas com deficiência, não tem o mesmo direito a esse tipo
de tratamento. Claro, que esses R$ 4 mil
reais são responsabilidade do COB, pois, ela estava na responsabilidade do órgão
mesmo que não era o treino oficial. Em matéria da deficiência, acho que ela não
é exemplo de nada e não tenho a Laís Souza, Herbert Viana, Fernando Fernandes entre
outros, como exemplos de nada, só são deficientes que já tinham uma certa
pratica e estão continuando o seu caminho.
Eu sou cético a certas coisas, não acredito que o mundo seja
o que ele é naturalmente, eu acredito que a cultura e a alienação fazem do ser
humano um ser fraco e escravizado entre ideologias e religiões. O que é justo? O
que é a verdadeira questão neste caso? Na essência sempre fomos acobertados pelas
religiões e pelos governos, seja lá qual forem, para não terem “trabalho” de
modificar a cidade por causa das nossas necessidades. Mesmo a ciência ergonômica,
com várias pesquisas, dizerem que as escadas dão maiores problemas na coluna vertebral,
nossa cultura não deixa as escadas de lado. Não deixam os acentos dos ônibus da
frente para os idosos ou pessoas com deficiência, quando um cadeirante quer
subir no ônibus as pessoas não dão licença. Quando estamos em lugares como
shopping centers, não dão licença, nos atropelam e ainda ficam de “cara feia”
quando veem nós namorando. Eu não acredito muito em campanhas, não acredito em “exemplos
de superação”, não acredito em resoluções definitivas. A inclusão custa caro, não
só as famílias, mas ao ESTADO que tem que acessibilizar tudo e dar meios de
nós, saímos de casa. Acontece que ninguém quer disponibilizar o dinheiro, ninguém
quer disponibilizar recursos, ninguém quer fazer nada. Só doam para o Teleton,
para ficarem com a consciências limpas.
Um exemplo bem simples, é que o prefeito de São Paulo trocou
muitos ônibus, mas não teve muito troca nas vans do serviço ATENDE. A maioria
das vans estão em mal estado, estão com peças “duvidosas”, a maioria dos
motoristas não tem um treinamento adequado, não se tem o respeito necessário. Mas
ninguém quer saber disso, isso nunca dará voto, isso não é matéria eleitoral. Nossa
sociedade é capacitista, racista, xenofóbica (contraditório demais), que ainda
tem a impressão que são “senhores de engenho”, não sabem mandar na própria vida,
querem mandar até em general. Querem mandar em Deus e colocam palavras na boca
de Jesus.
Sobre a frase que a Laís disse, não que não possa acontecer,
mas é melhor sim ela se acostumar com a cadeira de rodas, porque vai ser o meio
de locomoção pelo resto da sua vida. Existem coisas irremediáveis e a deficiência
é uma delas, que aliás, não atrapalha a vida. A questão é a cultura ocidental
que pautou a imagem da perfeição do corpo como sinônimo de felicidade. Costumo dizer
o mesmo do que sempre disse, a felicidade não é fácil, é rara, é escassa e
deveria ser uma palavra como “Deus” no judaísmo, uma palavra proibida. As pessoas
deveriam saber que temos momentos alegres, momentos de prazer e gosto daqueles
momentos. Então, se você não se achar uma pessoa “maravilhosa” para você mesmo,
se você não se dar valor, não coloque a culpa na deficiência, pois, o problema não
é a deficiência, mas você.
Todo filósofo reflete um problema – problemas na filosofia
não é o mesmo da matemática, pois, problema na filosofia é algo que pode ter
vários caminhos ou respostas – eu acho que o meu problema é o que é ou que não
é filosofia. A questão pode ser resumida em: qual o critério que temos, para
avaliar o que é ou não, uma reflexão filosófica? Qual a barreira entre o caos
do senso comum e lógica filosófica? Porque a lógica não é um amontoado de regras
dentro de uma determinada linha argumentativa ou, reflexiva, mas são caminhos
importantes para se entender um pensamento. Então, se temos uma lógica a
seguir, seja em texto, seja em dizer algo, temos que ter certas regras daquilo
que nós sabemos e somos especialista e aquilo que não somos peritos, que em
geral, podemos chamar de autocritica.
Minha crítica, são para os que defendem que a filosofia tem
“que” ter bases cientificas, pois, eu acho que há um grande problema nisso, pois,
isso atrapalha o debate. Como falar de ética comportamental, se ainda a ciência
empírica, não descobriu como o cérebro funciona? Um certo, ressentimento nietzschiano
aparece quando a ciência não é muito falada – afinal, quem se interessa de uma
descoberta de fosseis? – e a filosofia, media todos os debates possíveis. E
ainda pior, a ciência não cortou seu “cordão umbilical” da filosofia. Mas,
filósofos cientistas, insistem em inventarem termos e jargões que não ajudam
nada ao debate. O que seria a pseudofilosofia? Vindo de um filósofo é muito estranho,
pois, na filosofia não dizemos se algo é pseudo ou não, mas o nos perguntamos “o
que é isto? ”.
Até outro dia o filósofo cientista argentino, Mario Bunge,
era desconhecido na minha lista de filósofos. Fiquei conhecendo ele graças ao
blog cientifico, Universo Racionalista, com a sua adoração não só pelo filósofo
argentino, mas também, por Carl Sagan (1934-1996). Nada de errado, afinal, Sagan
teve obras memorável e é claro, nem todas as coisas que disse eu concordo. Mas voltamos
a Mario Bunge. Bunge parece que tem uma certa implicância com o existencialismo
heideggiano (filósofo Martin Heidegger 1889 a 1976), que na sua visão, é uma visão
de pseudofilosofia (aqui). Sartre usou também algumas posições existencialistas
de Heidegger, ele também é um pseudofilósofo? Será mesmo que a filosofia é
mesmo somente voltada ao discurso lógico? Será que um filósofo pode dizer que
algo é ou não “pseudo”?
O fato de Heidegger ser do partido nazista não faz dele um filósofo
menor, há vários filósofos que foram de regimes totalitários – até mesmo eram a
favor deles como Hobbes ou Maquiavel – que não tiram o mérito de suas obras. Se
o “Übermensch” nietzschiano foi usado pelo governo fascista (Mussolini) e o
governo nazista (Hitler), isso não tira o mérito das obras de Nietzsche, pois,
aliás, o “filósofo do martelo” nunca gostou tanto da Alemanha assim, ele adorava
as cidades italianas. O ESTADO simplesmente, usa as filosofias e seus filósofos,
sempre quando querem convencer as massas a suas “insanas” resoluções o que é
melhor ou não para a nação correspondente. Por isso, não vou chamar o “Übermensch”
de pseudofilosofia, por causa do nazismo ou por causa do fascismo italiano, ter
usado. E além do que, como disse antes, a filosofia não pode e não tem que
ditar verdades absolutas, ela pergunta a origem das verdades e se aquilo é
mesmo a verdade. Mas a realidade é estranha, porque achamos que sempre ela não existe,
porém, ela está na nossa frente. Politicamente, culpar os europeus por causa
das inúmeras ditaduras sul-americanas só pelo conceito de um filósofo – dando
poder absoluto ao Heidegger – é uma ignorância política tremenda. Porque somos
herdeiros da cultura latina-grega, então, não sabemos ter governos democráticos
sem ter interesses diversos.
Vamos ao pseudo. Esse prefixo é usado na nossa língua para indicar
se aquele teor é falso ou que o conteúdo não é considerado real ou verdadeiro. Frequentemente,
o prefixo é também usado como uma gíria, sempre colocando uma classificação duvidosa,
mentirosa ou falsa. Ai que começa o problema, qual o critério a medir o que é
ou não filosofia? Bem resumidamente, pois, eu quero expor brevemente o papel da
filosofia dentro do pensamento ocidental. O termo deriva de duas palavras
gregas arcaicas, uma é “philia” que seria um amor de amigos ou amizade, outro
termo é “sophia” que pode ser sabedoria, mas também pode ser saber. Acontece que
a “amizade com a sabedoria” – gosto mais assim – não pode ser assumida como
pseudo por causa do seu próprio conceito. O racionalismo – já que Bunge se
intitula racionalista – coloca algo duvidoso, porém, sem parcialidade
conceitual. Nesse caso, há parcialidade
e a filosofia não lida com o falso ou verdadeiro e sim, com que é a causa dessa
verdade.
A pergunta é: por que devo saber se aquilo é falso ou não? Posso
ver um ponto filosófico tanto na ilíada, como posso ver vários pontos filosóficos
no filme Rambo. Posso ver a causa do pensamento de Gandhi, no mesmo modo, posso
analisar a causa do pensamento de Hitler, de Mussolini ou de Stalin. Isso não faz
da minha análise crítica, uma pseudofilosofia, só porque, não apoio o nazismo,
o fascismo ou o socialismo. No mesmo modo, só porque não provaram que o subconsciente
ou o inconsciente, faz a psicanalise de Freud – acreditem, ajudou tanto eu como
muitos deficientes que conheço – como uma pseudociência, que acaba sendo uma contradição
(vou escrever um texto sobre, um dia). A questão é que a filosofia não tem pontos
falsos e nem pontos verdadeiros, porque ela vai perguntar o que é um “ponto”. Isso
desde Sócrates, que queria descobrir se existia homem mais sábio do que ele, e começou
a investigar e ver outras coisas que por ventura, acaba sendo vários pontos em
comum. Não há nada de muito longínquo entre o “a-tomo” de Demócrito de Abdera e
o átomo do mundo moderno. Senão, vamos chamar o filósofo grego de
pseudofilósofo.
O que é a verdade? Ora, tudo aquilo que é verdadeiro tem a
ver com tudo aquilo que é real, porque o sinônimo de verdade é a realidade. Assim,
podemos perguntar: o que é uma filosofia (amizade com a sabedoria), verdadeira
ou falsa? Tudo que é verdadeiro ou falso tem a ver com o que achamos normal ou não,
ou seja, aquilo que é normal ou não depende dos valores aprendidos. A grosso
modo, nem sempre uma “realidade” aprendida é uma “realidade” de fato, porque há
muitas coisas no meio dessa “realidade” aprendida que mexe com o poder. Posso dar
um exemplo simples, que esse texto que estou escrevendo, na verdade, não existe.
as letras que estão aparecendo no computador, são na verdade, algoritmos
escritos por algum programador e é lido por um processador. Esse processador
transforma esse código em letras e elas podem ser vistas, mas não chamamos de
pseudotexto só porque não entendemos o conceito de alguns algoritmos. É o que
parece que acontece na afirmação de ser ou não, pseudofilosofia, porque parece
que alguns conceitos não são compreendidos. Só que o existencialismo, para
entendemos, temos que fugir da lógica um pouco, pois, tem a ver com o ser.
O ser é um ser quando compreendemos que existem outros entes
no mundo, é o que quer dizer o “Dasein”. O ser-aí não é o próprio filósofo, mas
o ente se compreendendo como um ser vivente dentro da realidade, ou seja, se eu
sou Amauri é que compreendo que a minha natureza e tudo que eu sou, sou por
causa do outro. Heidegger está se referindo ao homem e seu lugar no mundo, que
chamou de ser-ai-no-mundo. Como isso é uma pseudofilosofia? Como o ser-aí é o próprio
Heidegger? Não faz nenhum sentido achar que o conceito de Dasein é um conceito
que demonstra ao próprio filósofo, chega a ser risível.
Vamos colocar algumas questões no lugar antes de argumentar
a moral luso-católica-cristã que temos aqui no Brasil – e não adiante dizer que
é evangélico que a moral é igualzinha. Para começar, não é que não tenho
nenhuma moral, a moral é o que faz o ser humano ser uma criatura diferente dos
outros animais. Quando digo moral, estou dizendo num modo kantiano – apesar que
tenho algumas críticas a esse sistema – no qual eu me permito me colocar no
lado daqueles que são abusados, daqueles que são discriminados, daqueles que eu
acho que não gostaria que alguém fizesse comigo o que fizeram para eles. Afinal,
todo cristão deveria seguir o preceito puro de Jesus Cristo, que é da mesma
forma que eu julgar, eu serei julgado. Se eu não quero que façam comigo, eu não
farei com o outro. A questão vai muito longe e requer páginas imensas e
capítulos enormes de livros.
Só que eu sempre duvido da moralidade do senso comum, pois,
algumas vezes, ou muitas vezes, essa moralidade é incoerente. Claro que da
mesma forma que eu acho que uma pessoa com deficiência “pelada” (seja homem ou
mulher), chamaria a atenção de possíveis assediadores ou estupradores, por
existirem várias deficiências piores, e não chamaria a atenção para práticas
sexuais (como se eu tivesse que dar alguma satisfação dela a alguém); deveriam
ser respeitadas as classificações etárias na exposição e o aviso que ali teria
exposto um homem nu dentro de um contexto que a criança não vai entender. No
mesmo modo acho meio complicado levar crianças num passeio no shopping ou num
supermercado, porque ela não entende o discernimento do comprar, do querer e
etc. Mas, porque no meu pensamento tem sempre um “mas”, há muita hipocrisia
dentro da questão e eu vou explicar bem didaticamente (coisa que nem o Ghiraldelli
conseguiu explicar).
A arte é uma expressão como a fala, a mimica (mimikós), a
escrita e todo ato de expressar aquilo que se sente. A artes cênicas e as artes
de dança, contem encenações que se quer passar dentro de um contexto e dentro
da base de contexto, tem todo um script dentro daquilo. O que eu vejo? Que não
houve um ato de pedofilia e sim, um ato de irresponsabilidade da mãe que gerou
polêmica, expôs o artista a uma situação que pode estar correndo risco de vida,
o museu que permitiu a criança de entrar. Por outro lado, existe sempre aqueles
que querem falar e não sabem o que estão dizendo, porque além de contextualizar
dentro da sua visão moral, ainda querem impor várias regras que eu não quero
seguir e nem muita gente. Por outro lado, existem várias questões que merecem
uma atenção melhor.
Primeiro, pedofilia não é um ato de ficar nu em uma sala com
uma criança. O ato é o agir e não agir, é a consciência fazer o que a vontade
de ir até a coisa ou a pessoa, fará você ir. Nem todo assediador de uma mulher
ou homem com deficiência é um “devote” (devoto da deficiência da pessoa) e nem
um estuprador de uma criança, é pedófilo. Pela simples razão, que o desejo tem
a ver com a “vontade” sem um controle, ou um discernimento sobre aquele ato.
Portanto, muitas vezes, o desejo é aquilo que te falta ou aquilo que você
aprendeu a gostar. Um pedófilo é um criminoso, sem dúvida nenhuma, porém, temos
que ter cuidado o que é pedofilia mesmo e o que não é pedofilia. O que é um ato
de “sem-vergonhice” e aquilo que é uma “doença” mental, que no caso da
pedofilia, faz jus as doenças mentais que se classificam como “maníacos”.
Porém, um certo cuidado deve ter em não acusar as pessoas de coisas que não
fizeram e pagar por isso.
Juridicamente, o que procede a pedofilia é o abuso (o ato e
em si), que é um ato de violência. No modo médico, independe de ter ou não, o
abuso, pois há vários fatores psicológicos e corporais no meio (isso pode ser
como diagnostico de tudo, porque a medicina trabalha com evidencias
cientificas). Mas não há nenhuma especificação de algum traço da questão erótica
dessa obra e nem mesmo no vídeo em questão. O que acontece é que há, muito explicitamente,
uma ação moralista que quer minar a educação conforme sua própria moral. Só isso!
Psiquiatra diz não conter erotismo na exposição do MAM (aqui)