segunda-feira, 25 de junho de 2018

Por que que nada muda na inclusão de pessoas com deficiência?






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Amauri Nolasco Sanches Junior (aqui)


Quando nós olhamos o nosso país, temos a impressão que ele é um amontoado de culturas velhas e que não quer ver o futuro. Países lá fora, já perceberam – isso é a coisa mais inteligente que poderiam ter feito – que dois alicerces movem para o progresso: educação, com um ensino bom e não, matérias que acham ser importante; e o bem-estar social, como saúde, emprego e uma casa para morar. Porque, se você tiver uma saúde boa, você trabalha mais e ajudar a crescer a economia. Se tivemos emprego, compramos mais e a “roda” econômica gira e o país tem mais credibilidade dentro da economia global. Se não temos nem casa e nem um saneamento básico – alguns lugares aqui, as pessoas andam com os fossos abertos – temos mais estabilidade dentro das famílias e não temos índices de criminalidade e nem de outras atividades ilícitas. Isso é básico e não precisava ficar aqui falando isso. Mas, os nossos governantes têm prioridades de cunho próprio para se preocuparem.

Por que estou falando isso? Porque sempre temos que escrever isso para lembrar que nós, pessoas com deficiência, não nascemos a parte da sociedade. Nós estamos dentro da sociedade como qualquer ser humano. Nós somos seres humanos. Mas, temos um defeito que a minha noiva alertou, não sabemos o que seguirmos e não tem nada de novo dentro da luta da inclusão das pessoas com deficiência. E isso dentro da política, é muito nocivo e muito preocupante. Porque se você disser que defende a inclusão, todos os movimentos vão defender a inclusão e nós, como movimento efetivo, estamos sempre reivindicando a deputados e senadores, que dizem lutar pela causa. O que há de novo? Não temos e temos uma aversão – não eu, mas, todo o segmento das pessoas com deficiência – a lerem, a escreverem, a planejarem estruturas dos movimentos e reivindicações que estamos a anos tentando conseguir. A questão é que estamos patinando sempre nas mesmas coisas. Sempre achando que eu vou fazer, minhas ideias estão certas, a minha luta é adequada, mas, não há nada que os movimentos não tenham dito antes. Sempre aparece pessoas achando que é inédito lutar pelas pessoas com deficiência e não é, há movimentos aqui, que são movimentos mundiais de 70 anos de luta. Mesmo assim, temos sempre que perguntar: o que há de novo na luta por uma inclusão das pessoas com deficiência efetivamente?

Ora, o novo “barato” da vez, que me chegou por intermédio de alguns colegas, é o Inclusão de Rua. Segundo a boca a boca – como tudo aqui no Brasil – é um movimento que traz as pessoas com deficiência para a rua idealizado por um jornalista social. Primeiro temos que perguntar: qual a finalidade desse movimento? Como me responderam já, uma tomada de consciência. Ora, meu movimento junto com a minha noiva, a Irmandade das Pessoas com Deficiência, fazem exatamente a mesma coisa, saímos para passear e, no entanto, começamos a conscientizar as pessoas no intuito de respeitar a diversidade. A FCD (Fraternidade das Pessoas com deficiência e doentes), fazem o mesmo, passeiam e mostram as pessoas com deficiência para a sociedade. Entre outros movimentos, que fazem a mesma coisa a anos, e que a maioria não quer participar, porque temos um viés político e a maioria, só quer o “oba, oba”. Outra pergunta muito importante é: que jornalista social fez esse movimento? Qual a intenção de ele fazer o movimento e quem ele é? Fica parecendo que as pessoas nos usam – não estou dizendo que é o caso dele, mesmo o porquê, eu nem sei quem é o moço – para melhorar a sua imagem, ou para reforçar a imagem de pessoas que só querem passear e ir em balada (ou coisa parecida).

A questão vai muito além do que sair na rua. Existem pessoas que não saem nem na janela para tomar um sol. Não tem um tratamento médico adequado, existem ainda no Brasil (provavelmente, em outros locais da América Latina), que trancafiam pessoas com deficiência e até, amarram essas pessoas nas camas. Essas instituições foram denunciadas numa reportagem (aqui), que uma ONG internacional (Human Rights Watch), visitaram abrigos que cuidam das pessoas com deficiência física (que não é novidade). Sem nenhuma novidade. Existe isso muito no Nordeste, onde a religiosidade é muito acirrada – não estou falando que não existe em outras localidades – pessoas com deficiência são acorrentadas em suas casas por causa, da vergonha dos pais de terem uma pessoa com deficiência como filho. São crenças. Muitos abrigos – não só para pessoas com deficiência – usam essas crenças para ganharem dinheiro e prestigio como abrigos que cuidam dos “coitados” que não podem se locomoverem. O que fazemos como movimento? Nós não lemos. Nós somente, nos preocupamos com marketing pessoa – que não tem nada de errado – mas, não traz nada de novo na luta das pessoas com deficiência. Somente aquela opinião formada sobre tudo, como diria Raul Seixas. Então, eu prefiro ser uma “metamorfose” ambulante e dizer que sim, mudo de ideia, mas, não saiu do meu foco.

Curiosamente, eu vi dois vídeos bastante interessantes. Um é o chargista, Mauricio Ricardo, que ao falar do ódio virtual estar saindo do mundo virtual e refletir no mundo real, do dia a dia, deu um exemplo do cadeirante. Disse que para o cadeirante subir no elevador (ele disse rampinha), o motorista tem que o ajudar a subir e muitas vezes, as pessoas ficam reclamando e é verdade. Várias vezes, eu e minha companheira, presenciamos, pessoas reclamando de a van descer o cadeirante na rua, porque as calçadas estão irregulares – o tesão do brasileiro de fazer degrau – reclamam, que a van para numa vaga que ela deve sim, parar, porque é a vaga pera pessoas com deficiência. O que me chamou mais atenção foi: um cara que não está engajado na luta das pessoas com deficiência, sabe disso e fala para todo os seus seguidores, o porque os canais que estão engajados não falam? Vou deixar o vídeo (aqui).

O outro vídeo, foi da Mariana Torquato no seu canal “Vai uma mãozinha aí? ”, que respondeu um internauta com deficiência, dizendo que não havia se encontrado. Ela disse que também não tinha se encontrado com sua deficiência, pois, como não tem um dos braços – com má formação congênita – pensava que iria crescer de novo. Com o passar do tempo e com a conversa que ouviu a tia e a mãe dela, sobre vagas em concursos públicos, a ficha caiu e ela (Mariana), ficou muito mal por causa disso e a pouco tempo ela se aceitou. Ora, quantas pessoas com deficiência, não se aceitam e quase se suicidam? Quantas pessoas conseguem cometer o suicídio? Tanto é, que teve aquele filme patético, que cometeram suicídio por causa da sua paraplegia (no filme a culpa da deficiência é do próprio protagonista). Que reforça o que sempre disse: se você não se assumi o que você é, o que você tem, como você se locomove, não adianta você fazer milhares de movimentos que não vai adiantar nada. O vídeo (aqui).

Por fim, não menos importante, é a imagem que fazem das pessoas com deficiência que, reforçam tudo aquilo que eu disse. Não somos nem “anjos” e muito menos, “demônios” e caráter, não é sinônimo de deficiência. Por que estou dizendo isso? Porque existe uma imagem – muito difundida na igreja católica e protestantes – que as pessoas com deficiência são “coitadas” e isso é reforçado com campanhas como o Teleton. Onde as pessoas com deficiência precisam ser assistidas, que as outras pessoas que não tem deficiência, devem tutorear tudo que as pessoas com deficiência fazem. Como fui paciente da entidade, sei muito bem, que a AACD (Associação a Assistência a Crianças Deficientes), além de sub proteger quem fez tratamento lá, não tratou direito (muitas pessoas sofrem dores crônicas e problemas sérios por falta de um tratamento de verdade), não teve nenhum aparelho de verdade, porque sempre deu uma desculpa que não tinha Raio X ou outra coisa. Sempre tratou a mulher com deficiência, como meninas eternas (não tem ginecologista) e também, não deu um tratamento psicológico de verdade. Faziam terrorismo psicológico com os pais, dizendo que seu filho não vai andar, que seu filho desenvolveu o que tinha para desenvolver e ainda, mostra mentiras. Eles não têm trabalho nenhum de inclusão e nunca vão ter, porque ganham com a dependência das pessoas com deficiência, e ganham porque todo mundo paga, ninguém faz nada lá de graça.

A falta de maturidade vem da sub proteção da família e como isso pode refletir dentro da sociedade. Muitas pessoas com deficiência, acabam aceitando o fato de serem bajuladas como “coitados” por pura acomodação, seja familiar, seja institucional. Tem pessoas cadeirantes, que aceitam serem internados, que aceitam serem colocados em quartinhos nos fundos, que aceitam prêmios de consolação. A zona de conforto é gostosa, é confortável, é confortável abraçar causas já prontas. Mas, aí vem de novo a indagação: o que há de novo? Quando você vê que as pessoas não compartilham ou leem notícias que cadeirantes, literalmente, estupraram a amiga por causa de uma opinião dela (não sei em que contexto), podemos ver o quanto ainda temos o nosso estereótipo de “coitados” ou de “santos” que não podem ser mexidos. Deixo a reportagem (aqui). Isso é sim, herança deixada dentro de crenças e dentro da imagem de uma pessoa com deficiência dependente, imatura, que não sabe o que está fazendo. Sabe sim. Muitos cadeirantes engravidam moças e usam as deficiências como escudo para não assumirem, muitos cadeirantes cometem delitos e a cadeira de rodas não é “régua”, para medir caráter.

Fora que os postos de saúde não tratam as pessoas com deficiência direito, sempre jogando a culpa da doença como consequência. Como uma dor de dente tem a ver com a deficiência? Como um posto de saúde não pode tratar uma coisa tão seria de forma tão secundaria? Se pagamos temos entidades como a AACD, se vamos nas redes publica temos médicos que não dão importância para sua dor. Então, como um Inclusão na Rua pode ajudar as pessoas com deficiência trazendo uma nova visão? Porque, insisto, sair, passear, trazer consciência dentro de uma perspectiva nova, não estou vendo. Tudo é bem velho. Acho que usarei uma outra música do Raulzito com o Marcelo Nova, “tem muita estrela para pouca constelação”.

Meu Site (aqui)
Livro: Liberdade e Deficiência (aqui)
Livro: O Caminho (aqui)
Livro: Clube das Rodas de Aço: Tratado Sobre o Capacitismo (aqui)

domingo, 17 de junho de 2018

As cadeirantes estupradoras





Amor sob vontade 

Essa semana uma reportagem do “Globoesporte”, que confirma o que sempre disse nos meus textos sobre o segmento das pessoas com deficiência: cadeira de rodas não é parâmetro de caráter. A ética é primordial dentro de qualquer grupo e direito tem muito a ver, com deveres também. O caso aconteceu em fevereiro de 2017 e só esse ano a vítima relatou o acontecido. Que ao meu ver, deve ser apurado do mesmo modo se qualquer pessoa fizesse isso, inclusive, com prisões.

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Como disse, o caso aconteceu em fevereiro de 2017, quando acabou um treno da equipe Gladiadoras/Gaadin - Grupo de Ajuda dos Amigos Deficientes de Indaiatuba – que fica no interior de São Paulo. As jogadoras cadeirantes envolvidas, Lia, Denise, Geisa e Gracielle Silva, usaram um “pênis” de borracha para abusar de uma companheira. Gracielle era coordenadora do time na época e se suicidou no fim de maio. O fato aconteceu assim: jogaram a vítima no chão e usaram o órgão de borracha para abusarem. O vídeo circulou pelo whattsapp e pelas redes sociais. O advogado da Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC) disse que o caso está sendo investigado e caso comprove o crime, há uma previsão mais concreta sobre o banimento das abusadoras, que, para mim, se há um vídeo não tem como negar.

As coisas para mim estão mais esclarecidas, não muito, na reportagem do “O Globo”, porque a reportagem do “Globo Esporte” estava completamente, vagabunda e confusa. Por que acontece isso? primeiro, porque as pessoas tem um tabu enorme de falar das pessoas com deficiência, como se fosse um crime. Uma cultura teletoniana (vinda do Teleton), que mistura uma cultura capacitista e uma cultura vitimista, católica cristã medieval. Ora, porque não tratar de igual realidade qualquer crime feito por uma pessoa cadeirante? Qual a diferença? A campanha “nós fodemos”, foi levada ao extremo.


Uma das envolvidas, disse que o “pênis” de borracha era dela e era apenas uma brincadeira. Mostra a incapacidade madura social que a maioria dos cadeirantes levam a vida. A maioria não lê. Não estuda nada e ainda, só pensa em sexo. Claro, que tem explicações psicanalíticas para isso. Vivemos numa sociedade judaico-cristã onde o sexo é um tabu por ser pecado, por ser errado e temos que não amar e sentir Deus, mas, teme-lo como se fosse um monarca no alto de um trono jogando punições. Os que tem razão são os homens, são os reis da casa, são os provedores, e as mulheres, devem ser submetidas a eles. Tudo que saem disso, ou é do demônio ou é de esquerda comunista (como a liberdade fosse errado), e isso, está na sociedade ocidental, a mais de mil anos (contando a conversão romana). Imagina isso para um cadeirante ou outra deficiência? A repreensão social e a margem de um preconceito perante o sexo, são bem maior do que o resto da sociedade. Começamos a sair para o mundo desde os anos 90 e isso é fato. Com isso a repreensão é bem maior e o libido do cadeirante é uma libido inexistente para a sociedade, que por experiência própria, existe sim.

Por outro lado, não quero parecer aqui que estou dando álibis as jogadoras, que acabaram com suas carreiras – uma até se matou- por causa de uma brincadeira idiota. Aliás, esta história de brincadeira é papo furado, porque se batesse na cara da outra cadeirante com o “brinquedo” ou fizessem outra coisa, mas, houve a penetração sem o consentimento e isto é estupro. Se houve estupro, houve crime. Se houve crime deve ser punido e isso, implica várias coisas jurídicas. Além do mais, há uma conduta anarcocapitalistas (libertário), do Princípio da Não Agressão (PNA). Esse princípio diz, que todas as pessoas são proprietárias de seu próprio corpo físico assim como todos os recursos naturais que elas colocam em uso através do seu corpo antes de qualquer um o faça. Isso implica o seu direito de empregar estes mesmos recursos como lhe convém até o ponto que isto afete a integridade física da propriedade do outro ou delimite o controle da propriedade de outro sem seu consentimento. É um princípio ético interessante na qual, eu concordo plenamente. Meu corpo não pode ser violado, porque as condutas naturais no qual tenho pleno direito de me expressar, foram impostas. No caso da vítima, ela foi violada no direito de querer ou não ser penetrada com o “brinquedo”.

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A questão é complexa, mas, vale uma reflexão. Eu venho falando desde a campanha da Kika de Castro de mostrar pessoas com deficiência pelados ou a campanha “Nós fodemos”, que temos que fazer uma coisa mais madura. Claro, temos todo o direito de expressamos nossa sexualidade, mas, a maioria de nós (pessoas com deficiência), e nossos pais, ainda não estão preparados. Sair de uma repressão sem uma devida educação, transforma uma conscientização em bestialidade e começam brincadeiras desse tipo dentro do segmento de pessoas com deficiência. Pessoas com Síndrome de Down, que são estereotipados como incapazes mentalmente, são muito mais maduros e seus pais tem muito mais capacidade de lhe dar com essas coisas, do que um cadeirante que não tem nenhuma deficiência intelectual. Essa “brincadeira” por parte das cadeirantes, mostra o quanto não querem ler e nem pesquisarem nada. 


Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

sábado, 5 de maio de 2018

Reflexões sobre a verdadeira acessibilidade



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Esse segmento das pessoas com deficiência me dá preguiça, mas, essa preguiça é no sentido de ter que explicar coisas tão obvias, como acessibilidade. Ter que explicar que a questão da acessibilidade não é só uma questão de inclusão de pessoas com deficiência, mas, explicar que uma rampa é sim um meio para uma gestante subir melhor, ou uma mãe subir com um carrinho de bebê. Além disso, muitas pessoas não pensam nos idosos que também, podem ter bastante facilidades, com rampas ou vias mais acessíveis.

Me deparei com o pensamento: “não queremos asfalto novo e sim, calçadas novas e acessíveis”, como se um asfalto novo, não fosse uma solução, mais ou menos, viável. Claro que é. Minhas costas – não só as minhas, mas da minha noiva e de uma grande parcela de pessoas com deficiência – doem ao passar com a van do ATENDE nos buracos de uma Sapopemba. Mas, sempre fazem frases de efeito para chamar atenção ou passar vergonha, porque as calçadas nada têm a ver com as ruas bem asfaltadas e isso, foi dito por uma conselheira do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida. Aliás, o CMPD está sendo, muitas vezes, usado de uma maneira ideológica para fazer uma política só social, mas, a política é um conjunto.


Além de acabar com a sua coluna, vai sempre danificar carros e qualquer transporte (tanto o ônibus como as vans acessíveis ou não), que os cidadãos de uma cidade usam e têm o direito em ter. Duas questões poderíamos deixar aqui na reflexão: essa pessoa acha que não tem mais ninguém na cidade além das pessoas com deficiência? As pessoas não podem desejar asfalto de boa qualidade para poder ter uma um transporte até melhor? Ora, por outro lado, as calçadas são arrumadas conforme os moradores e os donos de comércios que cuidam dessa calçada. Há multa, mas, deve ter denúncias para tal (no mesmo modo a Lei de Cotas de empresas, mas é tema para um outro texto). Portanto, se você não denuncia esse tipo de calçada, é mais do que óbvio, que a prefeitura não tem como multar o dono da casa ou comercio que arrumou essa calçada.

Ainda acho que é estranho, uma pessoa que gosta e “milita” no segmento da pessoa de deficiência, deve pensar muito além do que o paradigma de sempre. Que paradigma? O paradigma de pessoas que enxergam as pessoas com deficiência como pessoas que não podem fazer, não podem pensar e tem sempre um “paladino” da inclusão como suporte. Só que esses “paladinos” são pessoas que misturam os segmentos, acham que o mundo tem só as pessoas com deficiência e ainda, as pessoas com deficiência deveriam repensar essa atitude. Por que deve seguir outro segmento? Por que não tenho que expor minha opinião contra a maioria? Meu intuito é a reflexão, porém, por falta de estudo da maioria de quem tem deficiência, sempre ficamos à mercê de interpretações erradas e sem o menor, propósito. Tudo na vida é um pensamento, até a nossa realidade.

Mas o que seria uma realidade?

Existem milhares de pessoas com deficiência que não tem dinheiro, não tem emprego – antes do governo Temer (que era vice-presidente da Dilma), já existiam desempregados com deficiência com estudos e qualificados – sempre nenhuma condição de comprar nem um parafuso da sua cadeira de rodas (ou outro aparelho), e nem o próprio aparelho. Eu acho que inclusão não é ir nas baladas, não é em encher a cara em barzinho, não é ir em show de cantor brega ou não, não é ir nos SESCs da vida ou até mesmo, ir nas passeatas ou desfiles (como carnaval, orgulho gay, marcha para Jesus e etc). Inclusão é olhar para o lado e falar um “oi” para uma criança espantada com sua cadeira, é ir comprar o que você mesmo o que você deseja, é ter ética e seriedade nas atitudes que toma. É namorar uma pessoa e ser sério com essa pessoa, casar e ensinar coisas verdadeiras para os filhos. Se não te empregarem, procurar maneiras dignas de sustento e sobrevivência. Porque eu acho que a questão das pessoas com deficiência é ter sempre na cabeça que o mundo não é um playground eterno, um dia vai ter que crescer. Um dia vai ter que sofrer. Um dia vai ter que resolver os problemas. Um dia vamos ter que “crescer”.

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News


e-mail: amaurij@gmail.com
@FilosofoAmauri

sexta-feira, 27 de abril de 2018

A verdadeira inclusão escolar



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O filósofo romano Sêneca tinha uma frase que era: “Omnis enim ex infirmitate feritas est” que em português, fica assim: “A maldade provém de alguma fraqueza”. Ou seja, pessoas maldosas sem nenhuma virtude da verdadeira bondade no sentido de ter o conhecimento, mas, é tão fraco e prepotente nesse conhecimento, que acha que sabe além daquilo que sabe. Acaba se auto alienando da sua própria ignorância. Sêneca era da escola estoica, e essa escola – onde a igreja absorveu bastante da sua filosofia – era bastante interessante no sentido de achar que certos assuntos eram perca de tempo e gastaríamos nossa energia, mais ou menos, sem nenhum sentido. Porque você não vai mudar aquilo, esse sentido é o que é e como se diz hoje em dia: “aceita que dói menos”.

Mas voltamos ao motivo do meu texto. Em um grupo sobre deficiência – se eu não me engano, era um grupo de Mielomeningocele – vi um vídeo e uma foto de um menino chorando e resolvi ler o post que a mãe escreveu revoltada com o ocorrido. A professora teria dito – depois de flagrar o menino com deficiência conversando – que mesmo com sua doença, ela não iria “passar a mão na sua cabeça”. Quando você imagina uma pessoa preconceituosa, imaginamos uma pessoa que não tem conhecimento nenhum e que o motivo desse preconceito, é justamente, a questão da sua própria ignorância. Porém, é uma professora e professores ao invés de criticar o ESTADO ou dizer tal bobagem – mesmo o porquê existe milhares de cursos pela internet ou não – deveriam ler sobre o assunto e não ficar com “desculpinha esfarrapada” de falta de tempo, porque para ir em manifestações contra a prisão do “messias” da esquerda, encontra. Claro, que não são todos os professores que são assim, nem todos os professores não estudam a questão. Mas, existem aqueles que ainda acham que crianças com deficiência deveriam ir para “classes especiais”, só que as “classes especiais” deixam um déficit muito grande dentro do aprendizado dessas crianças (experiência própria).

Então, a fala da professora seria um julgamento sem nenhum critério dentro da questão da deficiência (que chamamos de preconceito), se encaixa muito bem com a fala do filósofo Sêneca. A maldade humana é a fraqueza do ser que julgar saber e não sabe o que é a essência da virtude – como a ignorância socrática e a verdadeira bondade sem se preocupar com uma imagem de si mesmo – e a essência daquilo que deveria saber e não sabe. A questão paira não na questão da bronca em si mesma – mesmo o porquê, ele estava conversando – mas, a questão é a diferenciação do aluno e ter chamado ele de doente. Como se tivesse uma doença e que a professora, ter que deixar bem claro, que não iria ter “pena” dele por causa de uma “doença” que ele não tem. Ou seja, uma suposta doença.
Sêneca, assim como os estoicos, iria dizer que o importante ao ser humano é sempre saber quando lutar, quando convencer, ter a honestidade, ter uma vida modesta e não querer mudar aquilo que não pode ser mudado. Aliás, a virtude estoica e a verdade e como eram seguidores de Sócrates de Atenas, eram extremamente, intelectualistas. Portanto, a verdade deve ser dita, mesmo que isto doa. Portanto, a verdade é que nossos professores (nem todos, claro), tem um discurso de proteção das minorias, que na verdade, não corresponde ao que vimos na pratica. Chamam os jovens de burro, chamam muitas jovens de vagabunda (já li isso), fica pregando ideologia ao invés de dar aula, fica reclamando do salário toda hora. E também, fica dizendo essas bobagens que vimos a mãe relatar. Se perdeu a noção da palavra educação, que começa com a paideia grega, passa para o educere latino. Nossa raiz (como língua latinizada e cultura também) como descendentes da cultura latina, deveríamos saber que educere vem da junção de EX (fora) e DUCERE (guiar, instruir e conduzir), ou seja, quando educamos alguém ou nos educamos, estamos trazendo para fora aquilo que está dentro de nós. Sem se prender em questões estéticas ou morais, sem se prender em questões ideológicas e religiosas.
A verdadeira educação inclusiva é exatamente o oposto que esta professora fez, educar é trazer para fora, então, mostrar as crianças e os jovens que a deficiência não é uma doença. Uma deficiência é uma falta, mas, nunca um contagio por algum vírus ou uma bactéria. Trazer as crianças, que a deficiência não nos faz menos humanos e elas podem se aproximar.

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

sábado, 14 de abril de 2018

As pessoas com deficiência e os vídeos “bonitinhos”



Descrição: um homem com deficiência recebendo comida na boca por um funcionário da rede Giraffas 


Estava aqui escrevendo meu livro e dado momento, entrei no Facebook e me dei conta de uma Live de um companheiro de segmento das pessoas com deficiência, fez por causa de uma matéria do site Extra, teria destacado. Até pensei que fosse com ele a questão e resolvi ver o vídeo – que foi apagado, se não tivesse visto iria ter ficado no limbo – e escutando esse meu amigo falar, eu vi que não se tratava dele, propriamente, mas de um caso que aconteceu no sábado dia 7. Onde um funcionário do restaurante Giraffas, de um shopping de Salvador (BA), ajudou um homem com deficiência a comer a sua comida e foi filmado pela mulher que iria buscar a comida para o rapaz. A mulher, que segundo o site Extra, tem o nome Laurinha Victória, além de ter filmado, disse ao rapaz:
 “Essa é a verdadeira caridade, que coisa linda.  Que gesto lindo você está tendo .. Deus lhe abençoe. ”

Não quero ter nenhum, o que chamamos na filosofia, juízo de valor da Laurinha. Porque a mulher, talvez, estava fazendo o que todos fazem, enxergam as pessoas com deficiência como coitados, como pessoas que precisam ser carregadas no colinho e cantar cantigas de ninar para elas. Mas, quero explicar a Laurinha e aos demais que acham esse ato de caridade o que seria caridade.

Caridade vem do latim “caritate”, que pode ser: amor a Deus, amor ao próximo, a benevolência, ter bom coração, ter compaixão, ter beneficência ou ESMOLA (guardem esse significado no rodapé).  Deriva do termo também em latim, “Caritas”, que tem o significado de afeto ou amor, que tem a origem de um termo grego antigo que era “châris” que seria o mesmo que “graça”. A caridade pode ter o entendimento como um sentimento ou uma ação altruísta de ajudar alguém sem buscar de qualquer recompensa. A pratica da caridade pode ser um indicativo muito forte de uma elevação moral e uma das práticas que mais se caracteriza a essência da bondade humana, sendo, com alguns casos, chamada de ajuda humanitária. Temos afins: amor ao próximo, bondade, indulgencia, perdão, compaixão. (Tirado do Wikipédia as informações).

Vamos ao que interessa. Feita a explicação de caridade já fica bem mais fácil explicar qual a diferença de caridade e ter boa vontade, que sim, faz a diferença. Na Idade Média – tem vários filmes sobre – existiam as caridades dos nobres na porta das igrejas e haviam milhares de deficientes se arrastando nas suas escadarias. Eram crianças abandonadas que eram alimentadas e criadas ou por moradores de rua (que seriam as cidades em volta do castelo do rei), ou pela própria igreja a pedir esmolas na porta das missas. Ai que está, caridade também tem o significado de ESMOLA. Esmola é uma pequena quantia de dinheiro dada a um pedinte por caridade. Em várias religiões, é considerado como um ato caridoso feito aos necessitados, pode significar também uma concessão a uma graça ou favor. Nas religiões abraâmicas, as esmolas são dadas para beneficia os pobres. No budismo, as esmolas são dadas por leigos para monges e freiras para conseguir méritos e bênçãos e assegurar a continuidade monástica. (Informações tiradas da Wikipédia)

Com certeza a questão é confusa porque nem sempre as pessoas têm noção de alguns significados do termo e além disso, a questão pode ser agravada com a mídia. Eu como sou uma pessoa que acredito no ser humano, acredito que a intenção da Laurinha Victória, não foi ruim (acho eu, né?), só acho, que a gravação do vídeo foi desnecessária. Porque acho que esse tipo de vídeo alimenta uma visão, que ainda, é muito forte dentro da nossa cultura de nos ver como coitadinhos, numa visão, clara, de capacitismo. Mas, quem realmente alimenta essa visão capacitista dentro da ótica social? A mídia. Qual é o intuito de um site de notícia, como o Extra, de usar a postagem de uma mulher que gravou um funcionário ajudando uma pessoa com deficiência? Daí eu remeto a um outro questionamento, não menos importante: por que a mídia não mostra outras situações que não são de imagens piegas? Por que as pessoas não se interessam?

A questão é mais ou menos assim, você escreve tragédia (eu escrevo e eu sei), é um reboliço tremendo, como se aquilo seja de uma importância máxima. Quando você escreve coisas positivas e sem nenhuma tragédia, as pessoas começam a ignorar. Até mesmo a minha manchete chamada “Funcionário dá comida ahomem com deficiência e gera polêmica”, foi ignorada como uma manchete menor. Ou porque não tem um nome fofinho, ou não tem um nome trágico. Sim. Deve ter um nome fofinho ou trágico e não para por aí, a questão vai muito além, deve ter vídeo motivadores. Somos vistos além de coitados, além de temos limitações, somos exemplos de superação. Devemos mostrar força, garra, vontade e que somos a real conjuntura de um ser humano que venceu as dificuldades da vida. Eu não compartilho vídeos piegas, vídeos de pessoas se machucando, e sim, vídeos educativos ou pesquiso sobre o fato. A imagem que fazem de nós, chega a ser patética e desumana.

O mais trágico é que essas mesmas pessoas – não todas elas, claro – param nas vagas do estacionamento reservadas, não respeitam filas preferenciais e nem acentos para pessoas com deficiência. E muito além disso, não respeitam nossa privacidade. Eu acho um “porre” ter vídeos mostrando coisas que todo mundo faz, e vem com esse ar piegas. Não acho valido e condeno esse tipo de coisa.

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

domingo, 25 de março de 2018

O que seria liberdade? Não é marca de chocolate







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Quando nós escolhemos ser escritores, ou filósofos, temos que ter uma certa liberdade para expressar as nossas ideias. Senão, as coisas não andam em qualquer texto, quanto mais, quando damos alguma notícia em sites especializados. A algum tempo venho escrevendo notícia para um site norte-americano e que tem um viés de popularização da noticia, trocando em miúdos, você escreve o que você leu na sua visão e no terceiro pessoa. O interessante, é que, nós não podemos expressar nenhuma das nossas opiniões sobre o que noticiamos. Acho que é valido, porque o site fica visado por aquela visão, mas, acho também, que o site começa a ter certos vícios que no nosso país contem. Fico lendo as outras notícias e fico achando que estou lendo sites de fofoca, ou blogs de notícia – muitas pessoas pensam até que o site na verdade é um blog – ou até mesmo, textão do Facebook que algumas pessoas gostam de postar.

Nada de errado ter regras, uma empresa te dará as ferramentas e você dará a força de trabalho. Assim é a base capitalista. O problema é quem avalia e “corrigi” os textos, que ao que parece, temos que desenhar. A última notícia recusada, eu noticiava a questão da desembargadora que agrediu gratuitamente, a professora com Síndrome de Down, Débora Seabra. O avaliador (que tem o nome junto ao meu de corretor mais quem corrigi sou eu), disse que o texto estava confuso e que não daria nem para corrigir os erros de português. Ok. Eu li e reli e não achei em nenhum momento um texto confuso, já que, não fiz um texto noticiando o caso, eu trouxe dentro do texto algo para dar o comentário, que nem posso escrever adjetivos. A muito tempo que venho sentindo que vários desses avaliadores nem corrigem, nem leem, porque se lessem, não estariam dizendo que eu estava escrevendo confusamente. Quando eu encontro esse tipo de frase ou parágrafos, eu corrijo. Claro, algumas coisas me escapam e vou encontrar lá na terceira leitura.

A questão que fica, além da questão gramatical, é a da liberdade. Liberdade é algo primordial para o ser humano exercer a sua vontade, e essa vontade, é o que faz exercer dentro de uma única escolha possível. Mas como exercer essa escolha? Tudo que dissermos é uma escolha. Tudo que escrevemos é uma escolha. Nem tudo que dizemos, podemos falar. Às vezes, ofendem, outras vezes, podem representar uma linha de raciocínio que podem tirar as pessoas da ilusão. Quando dissolvem as ilusões, dissolvem as “sombras” que se pensou ser verdade. Mas o que é a verdade? O que é a realidade e o que é a ilusão? Não sabemos. Mas podemos questionar tudo que nos é imposto, tudo que a nossa cultura nos impõem e não é questionado. Descartes, filósofo francês do século XVI, dizia que nos resta a dúvida e a nossa única certeza é a nossa própria existência. O “penso, logo existo”. Quando olhamos esse texto, podemos duvidar da sua existência, porém, não podemos duvidar de quem está lendo que sou eu. Mas, como saber que esse texto é uma ilusão? O que sentimos além de pensar?

Sentir e pensar é a consciência. A consciência é o sentir entre você e o objeto – o fenômeno da existência – enquanto, o objetivo e o subjetivo entre você e a realidade. Ou seja, quando você não consegue ler um texto, você está envolto em símbolos de conceitos e realidades que constroem nossos valores. Crenças. Essas crenças e valores, vão moldar a realidade e tudo que vimos e lemos. Não tem jeito. Somos animais que criamos símbolos e assim, somos animais simbólicos. Por que? Talvez, dentro da evolução, criamos nomes e termos para simbolizar a realidade, ou seja, quando dizemos “aquela pedra”, o termo “pedra” só é um nome para designar um acumulo de minerais que endurecem e se transformam, em objetos. Pedra não é um nome natural. E outra coisa, em outras línguas tem outros nomes, como em inglês “stone”, em francês “pierre”, em alemão “Stein” e por aí vai. Na verdade, pedra veio do grego “pétra” e daí veio para o latim como “petra” que é a entidade natural, rígida do reino mineral. Na essência, tudo não passa de um símbolo, não tem uma conotação essencial universal. Podemos chamar pedra aqui e em outro lugar do universo, pode chamar outro termo.

Imagine se não tivéssemos nenhuma linguagem – que já estão em pesquisa, que algumas espécies, tem sim linguagens rudes – haveria o ser humano ter promovido esse progresso todo? Como tecnólogo – além de filósofo e publicitário – a tecnologia como está, só chegou a esse ponto, graças a invenção de uma linguagem própria. Portanto, quando falamos de linguagem, estamos falando não só de letras, mas o fenômeno de darmos sempre, uma certa simbologia aquilo que queremos dizer. Se você não tem a mesma visão, você não vai entender. Aí entra um dos melhores argumentos de toda a filosofia, na minha visão: não há fatos eternos e tão pouco, verdades absolutas. O filósofo prussiano, Nietzsche, entre outras coisas, acertou nessa, quando elaborou essa frase e ele se baseou lá no filósofo pré-socrático, Heráclito. A base da filosofia heraclitiana, é que tudo vai fluir e quando tudo flui, não entramos na mesma água duas vezes num mesmo rio.

Tanto Heráclito, quanto Nietzsche, vão dizer que o tempo muda com as circunstancias vão sendo escolhidas – no caso de Heráclito, não tinha essa ideia de tempo e que tudo pode mudar, mas, não temos escolhas. O que o filósofo argumenta, é que o tempo muda conforme o pressuposto dos fatos – e os fatos não podem mudar o ser, o ser é único e exige uma personalidade. Segundo Nietzsche, somos únicos em sentir e não em só, pensar. O que seria a liberdade? O “instinto” da vida. Duas coisas que Nietzsche dizia era o amor fati (amor ao destino), também, o Eterno Retorno. O Amor Fati, era aceitar o fato como ele é realmente, não no sentido de aceitação, mas no sentido de não chorar por aquilo que não pode ser mudado. Você pode evoluir e ser acima daquilo e esquecemos tudo que aconteceu. Para Nietzsche, não existe o amanhã, mas o hoje é a vida sendo vivida na sua plenitude. O Eterno Retorno é imaginar que há muitas criações em tempos eternizados. Se houve vários começos da humanidade? Isso não é novidade dentro da filosofia. Se, realmente, a humanidade como conhecemos, tivemos vários começos?

Mas, o que isto tem a ver com a liberdade? O princípio da Liberdade de Expressão é a linguagem, sem ela, não haveria um progresso da humanidade e muito menos, esse texto. A filosofia como o começo racional das mitologias – a filosofia vai tratar de outras maneiras os símbolos dentro dos mitos – começou graças a linguagem como símbolo mor da comunicação. Mas, eu não concordo com o iluminismo que a mitologia é uma parte da religião, pois, a mitologia é muito mais do que a religião, ela não religa a nada. A simbologia dos deuses antigos tinha a ver com a natureza do ser humano e do planeta, não tinha nada fora do planeta e era, de certa forma, um meio de indagar sim a nossa origem. De onde viemos? Da Terra? Era uma visão bastante rudimentar, mas, era uma visão ancestral bastante compreensível. A filosofia deu o rumo a vários estudos dentro dos símbolos, dentro das mitologias, dentro da natureza de um modo geral. A linguagem como modo de expressar desses estudos, são bem-vindos como modo de ver a essência da realidade. Entramos no “conhecer a ti mesmo” socrático, porque conhecendo a si mesmo, a realidade se mostra sozinha.

Se sei da minha capacidade da escrita eu não vou errar, porque sei da minha responsabilidade. Se estou confuso diante do texto e não me faço entender, o problema é da lógica e estarei prejudicando a mim e ao veículo que está meu texto. Minha liberdade tem certa restrição de respeito ao outro. Você só percebe isso deixando o falso ego e aquilo que chamamos de orgulho de aparecer, de admitir seus erros. A liberdade tem que ser plena no meio jornalístico, e, não tem o que discutir.

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News

quarta-feira, 21 de março de 2018

Por que não casal de cadeirantes?







Umas das coisas que sempre leio em grupos de pessoas com deficiência desde o Orkut, é que “cadeirante basta eu”. Como conheço bastante vários casais de cadeirantes e tenho uma experiência de namorar uma cadeirante – que amo muito – resolvi fazer uma reflexão muito importante. Para começar, sim, você dizer que “cadeirante basta eu” é uma frase de extremo preconceito. Todo pré-conceito, é uma análise sem o critério dos fatos decorridos dentro dos fatos que são, pois, você não vê no seu convívio casais cadeirantes, não quer dizer que não existam e não quer dizer que eles têm ou não dificuldades. Um namoro ou casamento, não é uma união de conveniência e sim, uma união afetiva e de escolha. Temos casais de todo tipo e de todas as conotações dentro do segmento – até mesmo relacionamentos homossexuais – que seguem esse critério e o que eu observo, que muitos não se aceitam.

Duas coisas podem constar que as pessoas não se aceitam é elas dizerem “cadeirante basta eu” e a famosa pergunta, “você namoraria uma pessoa com deficiência? ”. Um cadeirante dizer que um cadeirante no relacionamento já basta, mostra que o cara quer status quo ou uma espécie de enfermeira. Como disse, um relacionamento não é uma iniciativa de conveniência e sim, uma iniciativa de afetividade de escolha de ficar ou não ao lado de uma pessoa. Não é só uma iniciativa de uma só pessoa, mas de duas pessoas que se amam. Portanto, não acho que as pessoas tenham que se limitar em ficar achando que um relacionamento só é feito de sexo, ou só de sentimento, mas, deve haver um equilíbrio (já escrevi sobre a campanha “eu também fodo”).

Não acho que isso tenha a ver com o gênero, apesar que um homem andante tem muito mais chance de casar com uma cadeirante do que ao contrário. Por que? Porque vivemos num país bastante machista (podem os machinhos alfas me xingar que estou pouco ligando), onde o homem ainda tem que pagar, o homem tem que bancar e o homem tem que ser o “macho” do relacionamento. A mulher, quando é educada dessa forma, se acha insegura em ter um marido cadeirante que não poderia garantir uma vida, relativamente, normal entre um casal andante. E como vivemos num país ignorante no sentido de ter uma escola de verdade, ou de serem “analfabetos funcionais”, há ainda muita discriminação quanto ao homem cadeirante. Ao apresentar a família sempre recai a mulher a questão: “o que ele pode te oferecer? ”. “Como ele vai trabalhar e te dar o que você precisa? ”. Isso deixa bastante pressão as pessoas que tomam a decisão de ter um relacionamento como esse. Daí, em milhares de casos, a pessoa prefere não ter esse tipo de pressão e escolhe uma pessoa mais fácil de ser aceita.

Por outro lado, existem pessoas corajosas que aceitam tudo por um amor verdadeiro e casam com um cadeirante e muitas vezes, dão muito certo. Sei de cadeirantes que se casam e vivem muito bem. Sei de casais com síndrome de down. Os casais que tenho conhecimento vai aos milhares. Que tiveram coragem o bastante para superar muitas dificuldades e muitos preconceitos sociais. O que acontece é que essa coragem não é seguida e não é uma visão geral, afinal, qual a “vantagem” de enfrentar essa empreitada sozinho? Uma das características do nosso povo é não gostar de ser rejeitado, das pessoas olharem com cara feia para ele, porque somos um povo que carrega uma cultura. Por isso mesmo, psicólogos podem comprovar, que o “politicamente correto” pegou por aqui, porque todo mundo não gosta de ser rejeitado e a rejeição dói.

Ora, acontece que no mesmo modo que uma andante ou uma andante, rejeita um cadeirante por ser cadeirante por causa dessas pressões dói, o mesmo podemos dizer, que a frase “cadeirante já basta eu” pode doer para outra pessoa. Pode ser que uma cadeirante esteja afim de um relacionamento e é rejeitada por ser cadeirante, no mesmo modo, pode ser o inverso. Eu sei que vão dizer “ninguém é obrigado” e, claro, ninguém é obrigado de nada. Mas eu tenho comigo uma coisa que sempre minha mãe dizia: “não faça com os outros o que não gostaria que os outros fizessem com você”, acho eu, uma regra de ouro.

Amauri Nolasco Sanches Junior – formado em filosofia pelo FGV e também publicitário e técnico de informática e escritor freelance no jornal Blasting News